Oposição canta fraude e convoca manifestações
Guerra de pesquisas pretende deslegitimar resultados de referendo, diz especialista
02/12/2007
Claudia Jardim,
de Caracas
Poucas horas antes da realização do referendo popular que definirá a aprovação ou não da reforma constitucional na Venezuela, o presidente Hugo Chávez convocou “aos venezuelanos e ao mundo” a reconhecerem os resultados que serão emitidos nas urnas neste domingo. Para o mandatário venezuelano, os institutos que medem a intenção de voto dos venezuelanos pretendem armar um cenário desfavorável ao “Sim” à reforma, para logo, no caso de uma vitória, acusar ao governo de fraude.
“Isso é parte de um plano de manipulação da oliguarquia venezuelana apoiada pela CIA (agencia de inteligência estadunidense). Querem alegar fraude e desestabilizar o país”, disse Chávez, durante o ato de encerramento de campanha, nesta sexta-feira (30).
Para o estadunidense Mark Weisbrot, economista e vice-diretor do Centro de Investigação de Políticas Econômicas (CEPR, na sigla em inglês), a teoria do presidente venezuelano tem fundamento e repete o cenário do referendo revogatório de 2004, quando as pesquisas anunciavam que Chávez perderia o referendo.
Deslegitimar resultados
Weisbrot avalia que a imprensa internacional nem sempre realiza um trabalho cuidadoso e responsável na divulgação de pesquisas, abrindo a possibilidade de que pesquisas falsas sejam divulgadas. “Com isso pretendem colocar em dúvida os resultados do referendo no caso de que a reforma seja aprovada”, explica.
Em 2004, influente instituto estadunidense, Penn, Schoen y Berland divulgou uma pesquisa no dia do referendo que mostrava uma derrota do presidente Chávez com uma margen de 50% a 41%. O resultado final mostrou uma vitória de Chávez 58% dos votos a seu favor e 41% contra, certificado por observadores da Organização dos Estados Americanos e o Centro Carter.
Weisbrot critica a ampla cobertura que os meios internacionais deram a uma pesquisa realizada pelo instituto Datanalisis que apontava uma possível derrota do governo no referendo deste domingo.
“Esta empresa mantém relações com a oposição e cometeu vários erros na avaliação do referendo de 2004, mas os jornalistas nunca mencionaram isso ao divulgar os números”, explica o economista. A última pesquisa divulgada pelo Datanalisis apontava uma vitória do “Não” com 44,6% contra 30,8% do “Sim” à reforma.
Protesto anunciado
Na última semana de campanha, foi divulgado um vídeo na página eletrônica You Tube, no qual aparecem dois dirigentes da oposição, fazendo campanha política dentro de uma igreja em Caracas e antecipando que não respeitarão os resultados do referendo. Peña Esclusa, dirigente do partido Um Novo Tempo, afirmou que a oposição "de antemão, não reconhece o referendo e os resultados" que serão emitidos pelo árbitro eleitoral.
Esclusa orientou a seus simpatizantes a começar focos de protestos em todo o país imediatamente após o anúncio dos resultados oficiais, independetemente se a oposição participou ou não do processo eleitoral. “Os que vão a votar e os que se abstiveram estçao contra a reforma do mesmo jeito”, disse.
Durante o ato de encerramento de campanha chavista, o comerciante Gustano Uzcategui disse ao Brasil de Fato que está disposto a defender seu voto. “Para ganhar, primeiro é preciso votar. Isso mostra que a oposição não respeita as regras democráticas, isso não é novo. Eles (oposição) repetem o mesmo esquema a cada eleição”, disse.
O presidente venezuelano, que venceu os últimos nove processos eleitorais no país, disse que, se for derrotado nas urnas, respeitará os resultados, e advertiu que não permitirá que a oposição desestabilize o país. Chávez acusou o governo dos Estados Unidos de conspirar contra seu governo e ameaçou em cortar o abastecimento de petróleo à Washington se a oposição gerar violência no país. “Se a oligarquia venezuelana desatar a violência com a desculpa de que houve fraude (...) não haverá uma só gota de petróleo da Venezuela para os EUA”, disse Chávez, diante de centenas de milhares de simpatizantes que se concentraram no centro de Caracas para o encerramento da campanha a favor do projeto de reforma constitucional proposto pelo presidente, que irá a referendo neste domingo.
De acordo com o mandatário venezuelano, está em curso no país um plano da CIA denominado, “Operação Tenaza”, que tem como objetivo gerar focos de violência e ingovernabilidade para deslegitimar os resultados do referendo.















