Oposição dividida aumenta tensão
Direita se fragmenta entre boicotar referendo e pedir votos pelo “não”; pesquisas indicam aprovação da reforma por 60% dos votos
Claudia Jardim,
de Caracas (Venezuela)
As declarações do ex-aliado Raúl Isaías Baduel caíram como um presente no colo da oposição venezuelana, mas o alento não deve durar muito. A direita venezuelana chega à disputa da reforma constitucional dividida e com estratégias eleitorais distintas: um grupo convoca a votar pelo “não” à reforma; o outro aposta no boicote.
De acordo com uma pesquisa de opinião do Instituto Datanalisis, o “sim” deverá alcançar entre 60% e 65% dos votos no referendo. Segundo a mesma pesquisa, o “não” poderia ter alguma chance de vitória se fosse encampado por toda a oposição e se parte dos simpatizantes do governo se abstiverem. O grupo do “não”, conformado pelos partidos emergentes Primeiro Justiça e Um Novo Tempo e outros partidos menores, aliados a um setor do movimento estudantil, decidiu encabeçar as primeiras manifestações contrárias à reforma constitucional proposta por Chávez. A reivindicação desse grupo é o adiamento do referendo para fevereiro de 2008.
Os protestos geraram enfrentamentos com a polícia metropolitana, ruas bloqueadas e árvores incendiadas. Chávez reagiu exigindo “mão firme” de parte de seus ministros e instituições de inteligência para controlar o que qualificou de atos de terrorismo. “Alerto aos mais desesperados que não permitiremos que levem o país a uma situação convulsionada. Andam buscando mortos, não vamos permitir”, disse.
Resistência
Por outro lado, os partidos tradicionais venezuelanos aliados à Central de Trabalhadores de Venezuela – o mesmo grupo que apoiou o golpe de Estado de 2002 – pretendem impedir ou suspender a realização do referendo. O ex-comandante do golpe de novembro de 1992, Carlos Guyón Celi, já anunciou publicamente que o objetivo dos protestos é fazer com que Chávez renuncie. Para o analista político Alberto Garrido, as ações da oposição são completamente imprevisíveis. “A oposição continua sumamente desorganizada, dividida, sem saber o que fazer. O que se pode prever é que a tensão vai crescer até os dias prévios ao referendo”, afirma Garrido.















