Reforma proposta por Chávez foi aprovada, diz boca-de-urna
De acordo com pesquisas, o "sim" venceu com seis a oito pontos de vantagem; ministro da Comunicação cobra da oposição reconhecimento do resultado
02/12/2007
Claudia
Jardim,
de
Caracas (Venezuela)
Três institutos venezuelanos já divulgaram pesquisas de boca-de-urna confirmando que o povo venezuelano aprovou a reforma constitucional pelo referendo realizado neste domingo (2). A PLM Consultores dá 54% ao "sim" e 46% ao "não"; a Datanálisis 56% ao "sim" e 44% ao "não"; e o Instituto Venezuelano de Análise de Dados 53% ao "sim" e 47% ao "não".
O ministro de Comunicação, William Lara, disse que o comando do "não" já sabe qual é o resultado. "É a hora de cumprirem a palavra que empenharam perante o CNE (Conselho Nacional Eleitoral) de que reconheceriam o resultado", disse a um canal de televisão local.
A
oposição ainda não se pronunciou se aceitará
ou não os resultados. Um grupo de simpatizantes do governo já começa a comemorar perto do Palácio Miraflores, sede do governo, a suposta vitória no referendo. Uma fonte do governo venezuelano adiantou ao Brasil de Fato que o governo venezuelano ganharia a disputa eleitoral com 6 pontos de vantagem. A abstenção deverá alcancar 50%. A participação neste referendo foi consideravelmente inferior à das últimas eleições presidenciais e do último referendo realizado em 2004, quando a abstenção foi de 25,3 e 30% respectivamente.
A votação foi encerrada por volta das 20 horas de Brasília. Os venezuelanos foram às urnas para definir se aprovam ou não a modificação de 69 artigos da Constituição do país, com os quais o presidente Hugo Chávez pretende abrir o caminho para a consolidação do socialismo. A jornada eleitoral que começou às 6 horas da manhã está marcada por expectativas e tensão. Na reta final da acirrada campanha eleitoral, a oposição ameaçou não reconhecer os resultados no caso de uma derrota, alegando que o governo manipularia a eleição (leia reportagem). O governo diz que respeitará os resultados. Chávez advertiu a seus opositores que não tolerará atos de violência e responsabilizou ao governo dos Estados Unidos de tentar desestabilizar o país ao financiar a oposição.
Reeleição
A reforma constitucional lançada por Chávez em agosto acentuou uma vez mais a polarização no país. A inclusão da propriedade social e coletiva no bojo da propriedade pública e privada, a redução da jornada de trabalho de 40 a 36 horas semanais, a inclusão dos trabalhadores informais como beneficiários do seguro social são os pontos mais populares do projeto de reforma constitucional (Veja aqui as mudanças propostas pelas reforma).
O
mais polêmico dos artigos sujeitos à mudança é
o que permite a reeleição do presidente sem limites no
número de candidaturas e estende o seu mandato de seis para sete
anos. A
oposição argumenta que Chávez pretende
“perpetuar-se no poder” ao alterar a Carta Magna. O
fim da autonomia do Banco Central, a atribuição de
novos poderes ao presidente, como o de eleger mais de um
vice-presidente e a idéia de um Estado socialista são
temas criticados pela oposição.
A oposição - que estava dividida entre o grupo que chamava a votar pelo "Não" e o que convocava a abstenção - se aliou na reta final e decidiu entrar no jogo eleitoral. Um setor do emergente movimento estudantil, a alta hierarquia da Igreja Católica e os partidos políticos defendem o “Não” à reforma.
Para o governo, a reforma corrige as limitações da atual Constituição, elaborada em 1999, e gera condições para modificar a estrutura do atual Estado. Pouco mais de 16 milhões de venezuelanos poderão participar do referendo (o voto é facultativo) e definir se aprofundam as transformações em curso no país “ou se desaceleram a revolução”, como afirmou Chávez, ao explicar o que significaria uma derrota do “Sim”.
Em
uma curta campanha eleitoral, de apenas um mês, Chávez
sofreu duas baixas, embora mantenha indíces de popularidade de 62%: a saída do partido Podemos
(social-democrata) da sua base aliada e a do general retirado e seu
compadre, Raúl Isaías Baduel. Ex-ministro da Defesa, Badual afirmou que Chávez
pretendia dar um “golpe constitucional”.
“Quanto mais fundo vai o submarino, os parafusos que estão soltos vão saindo”, justificou Chávez, ao afirmar que outros “parafusos soltos” deverão sair do processo conduzido por ele, se for aprovada a reforma. Repetindo o cenário do referendo revogatório de 2004 – em que Chávez saiu vitorioso com 58% dos votos –, a oposição ameaça não reconhecer os resultados e na última semana passou a questionar a transparência e imparcialidade do Conselho Nacional Eleitoral.
Tanto
o governo como a oposição cantam vitória.
"Estamos totalmente seguros da nossa vitória (...) Ai
estão as cifras, aí está a rua" disse
Chávez neste sábado em uma entrevista coletiva. O
CNE proibiu a divulgação de resultados de boca-de-urna.
Na noite deste domingo ou na madrugada da segunda-feira se saberá
se a festa será celebrada nos casarões do leste da
capital Caracas, ou se pela décima vez consecutiva o festejo
será no emblemático Balcão do Povo, no Palácio
Miraflores. (Foto da capa: Agência Brasil)
* Atualizada às 23h30.
Reforma da Constituição
Curioso, apesar dessas informações, pelo simples fato de não estar na Venezuela e não sentir de perto o que acontece de verdade, não consegui formar ainda uma opnião mais definida. Mas o que gostaria de comentar é que, através da grande mídia, pela qual até o dia de hoje eu vinha acompanhando o caso, o único aspecto da reforma que chegou ao meu conhecimento foi o aumento do numero de anos na presidência e a possibilidade de reeleição por tempo indefinido, sendo que a mudança na noção de propriedade, a proibição do latifpundio e do monopólio e a diminuição da jornada de trabalho, para citar alguns exemplos, não foram noticiadas pelos ancoras das Tvs abertas. Agradeço mais uma vez a mídia alternativa por oferecer uma visão mais ampla, mesmo quando o veículo assume uma posição definida. Sou plenamente a favor de que as posições sejam sim assumidas pela mídia, o que deve ficar claro na parte opinativa da coisa, e creio que isso não seja nenhum impedimento para que os fatos sejam relatados de forma mais completa. Meus parabéns Brasil de Fato!
Referendo define rumos da revolução bolivariana
Sou socialista (desde quando nem me lembro mais)e por isso mesmo, não sou bobo. A liderança de uma revolução verdadeira jamais poderá se ancorar em apenas uma pessoa. Em todos os casos que isso ocorreu, já vimos os resultados, onde a perseguição "política" criminosa foi tão cruel ou mais sanguinária até do que ditaduras de direita. Ademais, que porcaria de revolução será essa se não conseguir criar sucessores? Não há nada de revolucionário neste referendo, e o problema não são apenas os "âncoras-antas" das TVs "abertas". o problema começa pelos apoiadores do "sim", basta ver nas camisetas onde se lê, "Si,Chavez", ao invés "Si, fim do latifúndio" ou coisa que o valha. O que estamos assistindo aqui, camaradas, é a reedição do velho caudilhismo que assolou a América Latina nas primeiras décadas do século XX. Fora latifundiários,banqueiros e políticos sanguessugas. A Revolução é um processo e como tal não cabe num discurso de campanha.
Chavez
Foea Chávez. Fora ditadorzinho de m.... Améroca Latina à frente; sem chaves.
Chavez
Chavez não é sequer um esquerdista de esgar. Uma esquerda que se jacta de Chavez é um lixo!
pensar
vitória do povo
Felizmente o povo venezuelano saiu vitorioso desse plebiscito em que Hugo Chávez tentava se perpetuar no poder. Sua tentativa de incluir no plebiscito itens que "favoreceriam" o eleitorado, tais como a diminuição da jornada de trabalho, não foram suficientes para ludibriar o povo venezuelano. Ninguem deve se enganar, a luta de Hugo Chávez não é pelo povo, mas sim para alimentar seu egocentrismo e seu desejo de poder. O socialismo, especialmente nos moldes que Chávez e Fidel pregam, já não tem lugar no mundo de hoje.

















HUGO CHAVEZ
QUEM TEM MEDO DE HUGO CHAVEZ?O POVO QUE DURANTE MUITO ANOS NÃO VIU-SE REPRESENTADO?OU AS ELITES QUE POR MUITO TEMPO SEMPRE SABOREOU DAS RIQUEZAS DO PETROLEO? O TEMPO VAI DAR RESPOSTA....