Venezuela: Esse projeto segue vivo
Chávez demonstrou que as instituições funcionam no país e que a democracia é sólida; leia artigo
Sandra Trafilaf
04/12/2007
Em meio de uma tensa espera para todos na Venezuela, e passada uma da madrugada, o Conselho Nacional Eleitoral, deu por vencedor o 'Não” com 50,70% dos votos; o bloco do “Sim” obteve 49,29%, com uma abstenção de 44%, no Referendo Aprobatório realizado nesse domingo na Venezuela.
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) levou seu tempo e esperou ter um pouco mais de 88% das mesas apuradas para emitir o primeiro boletim, produzindo com isto, segundo as palavras da presidenta do CNE, Tibisay Lucena, uma tendência clara e irreversível.
Em cadeia nacional, o presidente Hugo Chávez declarou que foi uma “última fotografia, mas temos os nervos de aço para enfrentar qualquer situação”. Com essa decisão política, Chávez demonstrou que as instituições funcionam nesse país, que a democracia é sólida e que essa jornada eleitoral foi de alta transcendência.
O presidente da República Bolivariana manifestou “isto é mais uma demonstração da credibilidade que temos em nossa democracia, para quem tem votado contra minha proposta, se tinham dúvidas de que esse é o caminho, oxalá se esqueçam para sempre dos saltos ao vazio, da desestabilização e do desconhecimento de nossas instituições”.
Ante essa diferença mínima, Chávez preferiu enfrentar esta derrota, contudo enviou uma recomendação a seus opositores “saibam administrar sua vitória, vocês a conquistaram, mas, essa vitória não eu havia querido e menos nestas condições”.
“Nós seguimos na batalha construindo o socialismo no marco que o permite esta Constituição. Esta proposta segue viva, esta proposta leva a intenção estratégica e política de ampliar o marco, de alargar o caminho e a perspectiva da construção socialista da República Bolivariana”.
Entre os artigos que os venezuelanos reprovaram com esta reforma, estavam contemplados temas como redução da jornada trabalhista, ampliação da seguridade social para milhões de empregados do setor informal, garantia de diferentes tipos de propriedade e concessão ao presidente da República o manejo das reservas internacionais do Banco Central, tirando sua autonomia.
É necessário recordar que este referendo não está isento de conspirações denunciadas através dos meios oficialistas. Assim se conheceu o plano denominado “a fase final da Operação Tenaza” cujo objetivo era a articulação de um “golpe suave” contra o presidente Hugo Chavez, e que foi instigado desde os organismos secretos dos Estados Unidos. Essa operação tinha contemplado frear o referendo, mas também havia um cenário em caso de ganhar o “Sim”, entre o que se considerava denunciar uma possível fraude, por meio das pesquisas, tomar-se as ruas e ficar nos centros de votação. A “Operação Tenaza” tinha como objetivo final a insurreição armada dentro da Venezuela contra o governo do presidente Chávez, que permitiria então a intervenção das forças estadunidenses em território venezuelano.
O
presidente da República Bolivariana da Venezuela tem sido
claro ante os resultados finais, “para mim isto não é
nenhuma derrota. Sabemos aceitar os momentos duros e uma vitória
moral, e podemos transformar em uma vitória política”.
A democracia venezuelana vem sendo a grande ganhadora neste processo
e esta é uma esperança para seguir no caminho de mudar
a geografia do poder neste país. (publicado originariamente em Alai - www.alainet.org)
















Caminho para uma Democracia de fato
As palavras do Presidente Hugo Chaves, após o resultado do referendo popular, são mais do que pertinentes. A dignidade e a ética em suas palavras demonstram a busca da implantação de uma democracia de fato e não de fachada como vimos nos governos anteriores. Mesmo com o resultado do referendo, mesmo com as lúcidas palavras do Hugo Chaves, mesmo com a satisfação da oligarquia brasileira, os nossos meios de comunicação permanecem na mediocridade no exercício do jornalismo. Todos os recortes nas matérias apresentdas procuram criar uma imagem negativa do Presidente da Venezuela, cuja finalidade é meramente afastar o fantasma da participação popular nos rumos das políticas interna e externa brasileiras. Quantos plebiscitos e referendos tivemos no Brasil? Apenas o engôdo do desarmamento com uma propaganda nitidamente destorcida da realidade que se apresenta. Parece-nos que a impostura na política e nos meios de comunicação brasileiros insiste em não cessar o baile de máscaras.
Magno Oliveira Prof. Dr. Estudos da Linguagem