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A juventude rebelde em Oaxaca

by jpereira last modified 2006-12-18 18:50

Jovens encamparam a mobilização popular de Oaxaca e participavam do dia-a-dia das barricadas

Jovens encamparam a mobilização popular de Oaxaca e participavam do dia-a-dia das barricadas

Pedro Carrano,
Enviado especial a Oaxaca (México)

Levado a um cárcere feminina a uma hora distante da capital histórica de Oaxaca, a impressão inicial era de que não havia por ali o terror que caracteriza as instalações de uma cadeia tradicional. No primeiro dia, entretanto, Francisco Pedro Garcia foi submetido a uma tortura de oito horas. Os policiais passavam uma chama de aerosol acendida com esqueiro rente às suas costas.

Garcia, porta-voz do movimento estudantil junto a Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO), ficou pouco tempo na prisão, do dia 1º a 8 de outubro, graças a uma campanha de difusão vinda da Rádio Universidad. Sorte distinta de outros presos políticos da APPO.

O motivo foi que os estudantes, aos montes, ameaçaram fazer uma marcha a pé até a cidade onde ficava o cárcere. O reitor da Universidade Benito Juárez, confirmando a sua postura a favor do movimento, pressionou o então secretário de Governo de Vicente Fox. "Ele disse ao secretário que imaginasse milhares de pessoas chegando na cidadezinha", diz.

O engajamento dos jovens na formação das barricadas em Oaxaca foi essencial, na opinião de Garcia. Cerca de mil participaram das tarefas do dia-a-dia e nas madrugadas das barricadas.

Já a Terceira Megamarcha reuniu 7 mil universitários e 3 mil do ensino médio participaram. Nem todos eram politizados. Na melhor das hipóteses, eram o que ele chama de "chavos banda", ou seja, jovens com o seu grupo e a sua cultura peculiar. As barricadas foram um exercício de politização.

Retomadas as aulas, hoje, há cartazes espalhados pelo campus universitário perguntando pelos 10 estudantes detidos no cárcere distante de Tepic (estado de Nayarit), isto depois que o clima de terror chegou ao seu auge com a ofensiva policial do dia 25 de novembro, causando terror, desmobilização e mais de 200 pessoas presas.

Além dos estudantes detidos e torturados, pelo menos outros 15 estão desaparecidos. A chamada APPO estudantil agrega os estudantes de nível médio e universitário, identificados com a luta dos profesores, porém, no momento, existe uma dispersão, em meio ao cesse de liberdades individuais promovido pelo Estado, o que força a APPO a se organizar na clandestinidade por enquanto.

Os estudantes organizados de Oaxaca possuem 10 representantes entre os 215 do Conselho Estadual da APPO, eleito em novembro. Estão divididos entre 7 representantes de diferentes organizações estudantis de nível médio e acadêmico e os outros 3 são da Escola Técnologica de Oaxaca (ITO).

Para breve, a organização pretende convocar uma assembléia, aproveitando esta hora na qual a população começa a romper o cerco armado pela Polícia Federal Preventiva (PFP), que deixou o centro da cidade e agora manipula um baixo contigente de soldados.


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