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Comunistas e indígenas juntos

by jpereira last modified 2006-12-14 19:45

Pedro Carrano,
enviado especial a Oaxaca

As barricadas da Comuna de Oaxaca, levantadas nas colônias da periferia ou nas comunidades mais distantes para barrar o ataque policial e paramilitar, foram a hora e a vez dos povos indígenas. Foram eles - ao lado de outras forças populares - que criaram e, literalmente, alimentaram as barricadas, com suas tortilhas e café oaxaquenho.

Assim a Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca ganhava de herança as tradições indígenas. Um de seus representantes, o zapoteco Nicéforo Umbieta valoriza a diversidade, mas insiste que o movimento não pode limitar-se ao marxismo/leninismo dos professores.

A conexão entre o levante de hoje e os povos indígenas remonta aos anos 1980, quando as colônias ao redor de Oaxaca foram formadas. Culpa da competição entre os produtos camponeses e os alimentos e mercadorias que chegavam dos Estados Unidos. O recurso era olhar para o norte. Gente das 16 etnias indígenas do Estado (das 60 existentes em todo o país) podem ser encontradas vivendo no grande irmão do norte. Quando regressavam, a casa na comunidade já não era a mesma e os migrantes partem em busca dos parentes na periferia das cidades. "Mas não só migraram as pessoas e sim as culturas, a produção e a ajuda mútua", descreve Nicéforo.

Duas ças

O centro histórico e a catedral de Oaxaca não dizem nada da essência do povo, que está ali, fora da cidade. Comunismo é uma prática do seu povo antes que nada, assim ele pensa. "Os marxistas é que têm de aprender com a gente pois os professores falam de socialismo, mas não se utilizam de exemplos concretos, então não é espontâneo", reflete.

É algo superior a uma consciência de luta de classes, diz, e não pode haver dualismo, sujeito e objeto, numa cultura onde o máximo valor seja o outro, o "indivíduo comunitário", nas suas palavras, sempre muito bem medidas e adornadas. "As pessoas na comunidade são muito orgulhosas, por mais que sejam pequenas, são únicas, e estão seguras de que ali têm um super valor", fala.

Entre os 70 mil professores, ele pensa que a maioria são indígenas, o que se verifica pelos seus sobrenomes, mas ressalva que a educação que receberam ainda esteve sob o molde capitalista: vertical.

O Fórum Indígena, do qual participou recentemente, é o espaço para que as organizações indígenas que conformam o movimento sigam o seu caminhar a seu tempo e modo. A tendência é seguir com os congressos e encontros filosóficos para ensinar o modo de pensar dos povos originários e o conceito de comunalidade. Para que o símbolo da APPO, o punho fechado, não prevaleça sobre o símbolo do bastão de mando das comunidades.


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