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Novos capítulos da guerra suja

by jpereira last modified 2007-03-05 19:18

Para serem soltos, presos políticos são coagidos a assinar documento se comprometendo a não participar de mobilizações

Para serem soltos, presos políticos são coagidos a assinar documento se comprometendo a não participar de mobilizações

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Especial Oaxaca

Pedro Carrano,
Enviado Especial a Oaxaca (México)

Na virada do ano, as famílias, companheiras e companheiros dos presos políticos de Oaxaca, México, presenciaram novas cenas da política de "guerra suja" organizada pela Secretaria de Governo (Segov) do presidente Felipe Calderón (PAN) - responsável pelo diálogo com a Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO). Esta teve seu ápice em 25 de novembro do ano passado, no confronto entre appistas e a polícia federal preventiva, quando mais de 200 pessoas foram detidas aleatoriamente.

Em 30 de dezembro, 20 presos políticos foram liberados dos presídios estatais de Miahuatlán e Tlacolula, onde estavam desde o 20 de dezembro (restam ainda cerca de 30 pessoas nas duas prisões). A liberação custou a esses oaxaquenhos a assinatura de um documento no qual se comprometem a não se envolver com a APPO e, em especial, com a advogada Yéssica Sanchez, da Liga Mexicana de Direitos Humanos (Limedh), membro da APPO e presença ativa na defesa dos direitos humanos ao longo do conflito. As famílias denunciam que isso é um estratagema usado pelo Partido Revolucionário Institucional (PRI) para interromper os protestos em Oaxaca, iniciados em maio de 2006. Também dizem que o partido do governador Ulises Ruiz Ortiz, cuja deposição os movimentos populares exigem, paga advogados e juristas infiltrados. Para deixar a prisão, os ativistas assinaram o papel e agora temem por sua vida. "Disseram na prisão para não dizer nada e assinar. O documento estava redigido à mão escrita", relatou um dos liberados.

No balanço do ano que no México parece não ter acabado, o governo de Calderón herda do antecessor, Vicente Fox, uma política brutal. Ao longo de dezembro, ficou explícita a falta de um fio condutor nos mecanismos do poder, além da repressão. A Segov não cumpriu o acordo de liberar os detidos nas festas de final de ano, também deteve conselheiros da Assembléia conhecidos, como Flávio Sosa, e promoveu um ataque ao porta-voz Florentino López Martínez, justo nos momentos em que o movimento buscava ampliar o diálogo com o governo.

Antes, em outubro, houve o polêmico regresso dos professores da Seção XXII (ver abaixo) às aulas, depois de meses de paralisação. A moeda de troca para tanto era a liberação de representantes do movimento, entre eles o camponês Catalino Torres Pereda. Mas ele segue preso e a volta às aulas indignou as bases do movimento magisterial. Seu líder, Enrique Rueda Pacheco, é acusado de fazer acordos à margem do movimento. E, por conta disso, o magistério corre o risco de dividir-se. Os professores voltaram às aulas sem qualquer garantia de segurança, foram acossados por militantes do PRI e pelas tropas federais que os acusavam de integrar a APPO.

O Conselho Estatal da organização, seu órgão máximo, lançou um comunicado após um encontro realizado em 27 de dezembro, reforçando as demandas do movimento, inabaláveis passados sete meses de pressão, traduzidas na saída de Ortiz, liberdade de todos os presos políticos, cancelamento dos processos que incidem sobre eles e sobre outras pessoas procuradas pela Justiça. E pretende manter o diálogo com a Segov.


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