Um plebiscito popular para retomar a Vale
Países como o Brasil possuem as condições para reconstruir seu caminho e superar as maiores dificuldades. Mas isso somente poderá ser feito pelo povo. Sem o controle de nossas riquezas estratégicas, nosso futuro estará comprometido.
Nosso país é uma das maiores potencias minerais do planeta, pela quantidade e variedade de minérios que possui. As grandes empresas e corporações internacionais precisam dominar o controle sobre as jazidas de minérios do Brasil. A Companhia Vale do Rio Doce é a grande controladora desta riqueza tão estratégica, como a maior produtora de minério de ferro mundial e a segunda maior mineradora do mundo em variedade de minérios. Estamos falando da maior mineradora mundial de minério de ferro, com reservas comprovadas de 41 bilhão de toneladas. Além do mais, a Vale é a principal produtora de bauxita, ouro (cujas minas, grandes e lucrativas, foram abertas pouco depois do leilão) e alumínio da América Latina. É mais: 72% das reservas brasileiras de titânio lhe pertencem, pois o Brasil é o maior detentor do minério. Hoje em dia, a Vale é a maior empresa privada brasileira, a segunda maior empresa atuando no Brasil, depois da Petrobras. O desenvolvimento mundial depende desta riqueza. Impedir que possa ser controlada por nosso povo impossibilita qualquer projeto de futuro para nossa nação.
Não se trata apenas da imensa riqueza mineral. A Vale possui a maior frota de navios transportadores de grãos do mundo. Controla uma malha ferroviária de mais de 9 mil quilômetros de extensão. Em resumo, é uma empresa estratégica para o Brasil.
A empresa foi criada na década de 40 com recursos do Tesouro Nacional, o que quer dizer: com recursos do povo brasileiro. Porém, durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), entre 1995 e 2002, quase todas as grandes empresas estatais, muito lucrativas, foram entregues ao capital privado nacional e internacional pelo processo de privatização. Um enorme patrimônio construído pelo povo, com anos de trabalho, foi entregue aos ávidos capitalistas. É o caso de empresas públicas como a Embratel, Light, Cia Siderúrgica Nacional, Banespa, Eletrobrás, Telebrás, Telesp, etc.
A mentira de FHC
A justificativa do governo para se desfazer das estatais era arrecadar dólares com a venda das empresas e, assim, reduzir a dívida externa (do Brasil com o resto do mundo) e a dívida interna - isto é, diminuir a dívida aqui dentro do país, do governo federal e dos Estados. Detalhe: essas dívidas eram pagas aos mesmos interessados na compra das estatais, que detêm os títulos do endividamento público.
Mas aconteceu exatamente o contrário do que FHC prometeu. As dívidas interna e externa aumentaram. O dinheiro da privatização evaporou. E as vendas se mostraram "um negócio da China" apenas para os capitalistas. Na verdade, a operação efetivada pelo governo FHC viabilizou um grande negócio para a banca internacional. Como os capitalistas tinham dinheiro sobrando nos bancos com o auge do neoliberalismo em todo mundo, era o momento apropriado para comprar as ações das empresas estatais, muito lucrativas, e assim se apoderar do lucro que delas.
Fomos vítimas de um roubo! As provas que foram surgindo nos últimos anos nos processo judiciais que buscam anular essa fraude demonstraram que o roubo foi muito mais escandaloso do que imaginávamos na época. Quem comprou a Vale? Ninguém sabe quem é o verdadeiro dono. Na certa, o capital estrangeiro, que usou o Bradesco como testa de ferro na privatização.
Países como o Brasil – dotados de grande território, recursos naturais, população, capacidade técnica, base industrial, influência regional – possuem as condições para reconstruir seu caminho e superar as maiores dificuldades. Mas isso somente poderá ser feito pelo povo. Sem o controle de nossas riquezas estratégicas nosso futuro estará comprometido. Esse é o nosso imenso desafio. Recuperar a Vale do Rio Doce para o povo brasileiro. Sabemos que será uma luta árdua e difícil, que exigirá esforço e persistência. Assim como impedimos que construíssem uma base militar dos Estados Unidos em Alcântara no Maranhão e inviabilizamos a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), enfrentaremos inimigos poderosos que tudo farão para nos desqualificar, desmoralizar e cooptar. Será uma luta longa e difícil, decisiva para a construção de um Projeto Popular.












