Soberania e indígenas: um argumento de ocasião
Em 1904, o Estado brasileiro usou a presença de indígenas em Roraima para manter o Estado de Roraima em disputa com a Inglaterra; agora, o Exército considera a demarcação contínua "ameaça" à soberania
09/05/2008
Tatiana Merlino
Da redação
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Os especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato rechaçam a tese de que as terras em área de fronteira de Roraima com a Guiana e a Venezuela sejam uma ameaça à soberania nacional, como alegou o comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno. O comandante também havia dito que a política indigenista do Brasil era “caótica”.
O antropólogo Luiz Cardoso de Oliveira, presidente da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e professor da Universidade de Brasília, recorda que boa parte do Estado de Roraima foi mantida como território brasileiro numa disputa ocorrida em 1904 com a Inglaterra, quando o diplomata Joaquim Nabuco usou como argumento a presença de população indígena que se identificava como brasileira na região.
“Temos um quadro em que num primeiro momento essa população é utilizada como evidência do caráter nacional e da extensão do nosso território. Agora, quando ela não interessa mais para os grupos poderosos locais, a população passa a ser identificada como inimiga da nação. É um caso complicado e perverso”, denuncia Oliveira.
Para Paulo Santilli, antropólogo da Fundação Nacional do Índio (Funai), as afirmações do general Augusto Heleno são absolutamente improcedentes. “A presença dos indígenas na região foi a responsável pelo estabelecimento das fronteiras nacionais. Na hora de reconhecer os direitos indígenas, surgem esses argumentos infundados”, critica Santilli. “A demarcação das terras é um ato soberano, e não o contrário”, define. Na região onde a reserva está localizada, há três pelotões do Exército, nas cidades de Normandia, Uiramutã e Pacaraima, localizadas a cerca de 60km uma da outra.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também rebateu as alegações do general. Lula afirmou que a tese dos que vêem riscos de ocupação estrangeira é uma “bravata”. “Quem fala isso não fala com muita convicção”, afirmou. “Acho que quem quer as coisas de verdade não tem de ficar fazendo bravata”, disse.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, também criticou o general. Para ele, terra indígena na fronteira "não afeta a soberania nacional coisa nenhuma. Uns estão desinformados e outros acham que a única forma de ocupação é deixar fazendeiros trabalharem. Isso é um preconceito", disse.
Uma raposa muito na sombra...
Gostaria de lembrar ao ilustre antropólogo Luiz Cardoso de Oliveira, que a despeito da importância da presença indígena na região de fronteira do então terrítório de Roraima, haveria de considerar outros pressupostos.Mesmo que não houvesse a presença indígena naquela ocasião, a Inglaterra já não se antepunha com os interesses dos EEUU, que, em nome da Doutrina Monroe, não viam com bons olhos a presença da velha Albion no espaço onde já exerciam sua hegemonia. Outro fato histórico, não menos importante, é que o jovem diplomata Joaquim Nabuco, a despeito de seu passado monarquista, era muito bem visto nos meios universitários americanos, e que na ocasião representava a jovem nação republicana brasileira, já alinhada com o país do mais predador dos presidentes ianques - Thedor H. Roosevelt.
qual a questão central
" Não há fatos e sim interpretações".E a interpretação é dos antropólogos remete à questão central: a autonomia nacional não será ameaçada com a demarcação indígena na região. E a argumentação de Vianna só complementa a opinião de Oliveira.












Uma raposa muito na sombra...
Gostaria de lembrar ao ilustre antropólogo Luiz Cardoso de Oliveira, que a despeito da importância da presença indígena na região de fronteira do então terrítório de Roraima, haveria de considerar outros pressupostos.Mesmo que não houvesse a presença indígena naquela ocasião, a Inglaterra já não se antepunha com os interesses dos EEUU, que, em nome da Doutrina Monroe, não viam com bons olhos a presença da velha Albion no espaço onde já exerciam sua hegemonia. Outro fato histórico, não menos importante, é que o jovem diplomata Joaquim Nabuco, a despeito de seu passado monarquista, era muito bem visto nos meios universitários americanos, e que na ocasião representava a jovem nação republicana brasileira, já alinhada com o país do mais predador dos presidentes ianques - Thedor H. Roosevelt.