Aliança com movimento indígena é decisiva para futuro da Assembléia
Segundo sociólogo, se o presidente equatoriano Rafael Correa não se aproximar das organizações indígenas, Constituinte vai fracassar
Claudia Jardim,
de Caracas (Venezuela)
Desde que assumiu o poder, em janeiro deste ano, o presidente equatoriano, Rafael Correa, está empenhado em frisar o papel da chamada “sociedade civil”. No entanto, pouco tem se mostrado preocupado em construir alianças com as organizações indígenas do país, que formam o mais combativo movimento equatoriano.
A Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE), que desde o primeiro levantamento indígena, em 1994, reivindica a realização de uma Assembléia Constituinte, optou por não apresentar candidatos à assembléia. A tática adotada pelo movimento indígena foi a de manter a mobilização popular para pressionar que a Constituinte, verdadeiramente, assuma um caráter de “refundação”.
Para o sociólogo Milton Benitez, em entrevista ao Brasil de Fato, somente a organização e uma aliança com os movimentos sociais poderá impedir que a Constituinte equatoriana não fracasse. “Se Correa não se aliar aos movimentos sociais não terá força para concretizar as reformas. E a Assembléia Constituinte terá limitações reais e poderá se converter em um verdadeiro fracasso”, adverte Benitez.
A seu ver, caso o presidente não tome em conta os movimentos sociais, a Assembléia Cosntituinte corre o risco de se transformar em um instrumento meramente jurídico, mas profundamente despolitizado. “Se chegarmos a isso prevalecerá o velho esquema de sempre: se modificará tudo, para não mudar nada”, adverte.