As ligações perigosas de Uribe e os paramilitares na Colômbia
Documentos dos EUA e acusação à transnacional Chiquita iluminam conexões entre governo, empresas e paramilitares
12/04/2007
Igor Ojeda
da Redação
O elo entre Estado, transnacionais e grupos paramilitares de direita na Colômbia ficou explícito por mais duas vezes em menos de um mês. No dia 29 de março, uma série de documentos estadunidenses – datados de 1994 a 2002 – foram publicados pelo National Security Archive (NSA, Arquivo de Segurança Nacional), revelando a ligação entre o governo colombiano e os paramilitares e o fortalecimento destes últimos desde 1997. O NSA é uma organização não-governamental que coleta e publica documentos que deixaram de ser confidenciais e que são obtidos através do Ato de Liberdade de Informação.
Anteriormente, no mesmo mês, a transnacional Chiquita Brands International, corporação estadunidense do setor de bananas, admitiu financiar, entre 1997 e 2004, o grupo paramilitar Autodefensas Unidas de Colombia (AUC), com 1,7 milhão de dólares. A AUC está envolvida em uma série de massacres de civis nos últimos dez anos.
A acusação à empresa foi feita pelo Departamento de Justiça dos EUA em 13 de março. No texto do processo, está a afirmação de que pelo menos 825 mil dólares foram enviados ao grupo paramilitar depois dele ter sido considerado uma organização terrorista internacional pelo Departamento de Estado estadunidense, em 2001. A empresa concordou em pagar uma multa de 25 milhões de dólares ao governo dos EUA.
Acordo
O processo detalha como o chefe da AUC, Carlos Castaño, acertou os pagamentos com a Banadex, subsidiária da empresa de frutas na Colômbia, em 1997: “Ele informou ao gerente geral da Banadex que a AUC estava prestes a expulsar a guerrilha Farc de Urabá [centro das operações da empresa no país]” e também que “o fracasso nos pagamentos poderia resultar em danos físicos ao pessoal e à propriedade” da empresa. O Departamento de Justiça estadunidense listou mais de 100 pagamentos nos sete anos de relações; 50 destes feitos depois que a AUC passou a ser considerada terrorista pelos EUA.
Mario Iguarán, procurador-geral da Colômbia, disse que irá pedir a extradição de oito executivos da Chiquita envolvidos no caso. Ele irá investigar também a acusação de que, em 2001, um navio descarregou 3.400 fuzis AK-47 e munições destinados à AUC em um porto colombiano controlado pela Chiquita.
Os documentos estadunidenses divulgados pelo NSA mostram que o período em que a AUC ganhou força coincide com o financiamento da Chiquita e que o grupo se desenvolveu nas regiões onde a produção de banana – produto da transnacional no país – era mais presente. Além disso, revela que o Estado e as forças armadas colombianas não só fizeram “vistas grossas” à atuação dos paramilitares, como forneceram apoio a eles em muitos momentos.
Governo
Outra revelação importante da acusação do Departamento de Justiça estadunidense é a de que os pagamentos da Chiquita à AUC eram muitas vezes feitos ilegalmente através de um programa do governo colombiano conhecido como Convivir (Conviver), uma rede de cooperativas rurais de segurança estabelecida pelo exército para policiar o campo e obter informações sobre as guerrilhas de esquerda, como as Farc e a ELN.
É aí que entra o atual presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. Quando era governador de Antioquia, onde está Urabá, ele foi o padrinho do Convivir no estado. Logo que assumiu a Presidência, em 2002, Uribe anunciou a implementação de programas similares no país, com a utilização de soldados civis organizados em milícias locais.
O caso Chiquita e a divulgação dos documentos chegam justamente no meio de um escândalo de grandes proporções – apelidado de “para-política” – que vem atingindo e derrubando políticos colombianos nos últimos meses. Pessoas muito próximas ao presidente estão sendo acusadas de fortes ligações com os paramilitares, especialmente a AUC. No final de março, o jornal estadunidense Los Angeles Times publicou uma matéria revelando que um relatório da CIA acusa o chefe do exército colombiano general Mario Montoya (um dos principais conselheiros de Uribe) de planejar e executar uma operação do exército em conjunto com paramilitares da cidade de Medellín. Pelo menos 14 pessoas morreram e outras dezenas ficaram desaparecidas.
Produtividade
Entre os documentos divulgados pelo NSA, estão um telegrama da Embaixada dos EUA na Colômbia em que um chefe da polícia de inteligência colombiana admite que suas forças não agiam nas regiões do país sob controle do AUC; relatórios da CIA sobre as ligações do exército da Colômbia com os paramilitares, onde é descrito, por exemplo, o pouco empenho dos oficiais das forças armadas em combater estes grupos; e um relatório da inteligência militar estadunidense sobre a afirmação de um coronel colombiano de que o programa Convivir teria grande potencial de se transformar em paramilitarismo.
Um deles, um relatório do Departamento de Defesa dos EUA, descreve a afirmação de um coronel aposentado do exército colombiano sobre a “obsessão” dos oficiais com a apresentação de números de baixas dos inimigos. Isso fez com que, segundo ele, a utilização de grupos paramilitares como “procuradores” do exército na guerra contra a guerrilha fosse permitida.
O governo de Álvaro Uribe desenvolveu um programa de desmobilização das forças paramilitares – chamado Justiça e Paz – que prevê redução drástica das penas aos líderes desses grupos que voluntariamente confessarem seus crimes e pagarem reparações a suas vítimas. Além dos benefícios concedidos aos paramilitares, o programa é criticado pelo fato de a comissão responsável por esse processo não estar autorizada a investigar crimes de Estado ou as ligações entre governo e paramilitares (Leia mais na edição 215 do jornal Brasil de Fato).
QUem é esse Uribe que a Mídia protege?
A mídia golpista vibra com a possibilidade de uma guerra entre Colômbia e Venezuela.”Os chefes de redação da PIG torcem para que os EUA mandem os “marines” libertar a Venezuela usando a Colômbia como um “Novo Israel” de onde sonham sairão bombardeios para derrubar Chavez, Morales, Lula, Caldera, Ortega, Bachelet , Vazques, Torrijos e tantos quantos forem os governantes que os povos elegerem.Leia essa reportagem de Joseph Contreras para a revista americana “Newsweek” de 24.08.04 e veja qual é a verdadeira identidade de Álvaro Uribe. Conheça o político a quem a FOLHA, o GLOBO, o Estadão e a VEJA colocam como modelo a ser seguido: um político abertamente subordinado ao Cartel de Medellín. Um amigo íntimo de Pablo Escobar Veja no original e passe adiante. http://www.newsweek.com/id/54793 Conheça em quem a mídia quer que acreditemos e com quem a Mídia Brasileira flerta. Veja se é possível alguém confiar nessa imprensa. Julgue você mesmo. Não deixe de ler e de enviar para seus amigos.
Quem é esse Uribe que a mídia protege?
Só queria agradecer pela franqueza com que vocês falam sobre o Uribe. Ele é mais um fantoche dos EUA, e em nenhum jornal eu vi alguém falando mal dele. Portanto, obrigadíssima!
pergunta
se for possível responder esse comentário, agradeço.
Atenciosamente rafael.
















As ligações perigosas de Uribe e os paramilitares na Colômbia
Gostária de obter a fonte dessa reportagem, pois moro na Suíça e a multinacional chiquita é a maior vendedora de bananas por aqui. Assim poderei distribuir essa notícia em outras línguas. O markting usado pela empresa aqui é: "Fair Trade"