Banco da Alba será lançado no final de abril
Os primeiros projetos a serem financiados pelo banco, previsto para nascer no dia 25, serão nas áreas de telecomunicações, agricultura e indústria de alimentos e medicamentos
07/04/2008
O banco da Alternativa Bolivariana para a América (Alba) entrará em funcionamento a partir do próximo dia 25. O anúncio foi feito pelo ministro venezuelano de Indústria Básica e Mineração, Rodolfo Sanz, durante reunião da Comissão de Mesas Técnicas da Alba, realizada no último final de semana em Caracas.
A Alba é um instrumento de integração firmado entre Bolívia, Cuba, Nicarágua, República Dominicana e Venezuela. Segundo seus idealizadores, o bloco distingue-se de outras propostas do gênero – como o Mercosul ou mesmo a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) por não visar apenas os interesses comerciais e contemplar também ações que reduzam os contrastes sociais na América Latina.
Na Constituição da Alba, há ainda três esferas de poder: a dos presidentes e Chefes de Estado; outras de políticos regionais ou municipais; e uma última com representantes de movimentos sociais latino-americanos.De acordo com Sanz, os primeiros projetos a serem financiados pelo banco serão nas áreas de telecomunicações, agricultura e indústria de alimentos e medicamentos. Já está prevista a criação de cinco empresas da Alba, chamadas de gran-nacionais, e dez projetos de caráter social.
O banco, cuja meta é romper com a dependência financeira regional, terá dois níveis de direção: um conselho ministerial e uma instância de diretório executivo, com presidência rotativa. Seu capital firmado será de um bilhão de dólares e o capital autorizado de dois bilhões de dólares.
Sanz destacou a criação da empresa na área de telecomunicações que irá atuar nos cinco países. Segundo o ministro, a empresa já está quase pronta e servirá para se contrapor a um dos principais monopólios que sustenta o capitalismo. A próxima reunião da Alba acontecerá na capital de Cuba, Havana, e definirá a composição da diretoria do banco.
Solidariedade
Um dos princípios da Alba é a complementariedade das nações em contraposição à concorrência econômica e às políticas de livre comércio. Organizações sociais criticam blocos regionais como o Mercosul, por exemplo, por privilegiar os interesses das transnacionais em suas deliberações. Segundo Rafael Isea, ministro venezuelano das Finanças, isso não ocorrerá com o Banco da Alba. "Essa instituição será submetida a definições políticas e não a definições econômicas e financeiras, o que a diferencia do sistema financeiro internacional", explicou.
Um dos objetivos do banco será romper com a dependência dos cinco países de recursos externos e, em especial, de instituições multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial. Para Cuba, em especial, representará uma alternativa de crédito para a economia da ilha, asfixiada pelo bloqueio econômico dos Estados Unidos e pela dificuldade de obtenção de recursos no sistema internacional.
Durante a reunião de cúpula da Alba, em janeiro, os representantes das nações latino-americanas manifestaram preocupação com o impacto da crise financeira dos Estados Unidos na região. "A queda das ações das bolsas de valores, o estancamento do setor imobiliário e a tendência de alta dos juros bancários podem piorar a situação e afetar as economias com elevada dependência americana", registrou documento final do encontro.
Na ocasião, o vice-presidente cubano, Carlos Lage, afirmou que a drástica redução do financiamento externo iria afetar o fluxo de capital para a região. "A crise econômica nos Estados Unidos tende a se aprofundar e "as nações mais pobres pagarão os custos mais caros da recessão econômica" disse. (com informações de Vinicius Mansur, da Radioagência NP).
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