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Bolsista estadunidense na Bolívia revela pedido de espionagem

by jpereira — last modified 2008-02-12 11:38

Segundo o jovem, solicitação teria partido de um funcionário de segurança da Embaixada dos EUA em La Paz; alvos seriam venezuelanos e cubanos no país

11/08/2008


Igor Ojeda,

Correspondente do Brasil de Fato em La Paz (Bolívia)


Alex van Shaick, um jovem estadunidense que participa do programa de intercâmbio Fullbright na Bolívia, revelou que Vincent Cooper, um funcionário de segurança da Embaixada dos EUA em La Paz, lhe pediu que espionasse venezuelanos e cubanos que realizam trabalhos humanitários no país.

A notícia veio a público na sexta-feira (8). O serviço diplomático reconheceu que o funcionário citado fez uma “sugestão inapropriada” a van Shaick e outros voluntários durante uma reunião, mas que foi “imediatamente corrigido” por um superior no mesmo encontro.

O ministro de Governo, Alfredo Rada, declarou que o embaixador estadunidense, Philip Goldberg, tem que dar explicações sobre a denúncia. Rada já havia denunciado na terça-feira (5) a existência de grupos irregulares de inteligência no interior da Polícia Nacional que seriam financiados pelos EUA (leia reportagem).

De acordo com o ministro, um deles seria a Organização de Estudos Policiais (Odep), que teria feito espionagem e realizado campanhas de desestabilização do Executivo. O embaixador dos EUA na Bolívia, Philip Goldberg, será convocado a dar explicações também sobre esse assunto, e a organização policial será denunciada no Ministério Público. Segundo Rada, outros dois grupos são o Grupo de Tarefa de Investigação de Delitos Especiais (GTIDE) e o Grupo de Segurança Anti-terrorista, encarregado da segurança da embaixada estadunidense.


Operações de fachada

Essas organizações foram criadas para o combate ao narcotráfico e outros crimes. No entanto, nunca enviaram ou deixaram de enviar nos últimos meses relatórios ao governo boliviano. De acordo com Rada, elas teriam passado a realizar serviços de inteligência política.

Ainda segundo o ministro de Governo, os policiais da Odep recebiam bônus individuais de mais de 300 dólares e fizeram trabalhos de espionagem contra o governo. Outra ilegalidade do grupo teria sido o seguimento da missão diplomática iraniana que esteve no país em setembro de 2007.

Em face às denúncias, o governo boliviano dissolveu a Odep e incorporou o GTIDE à Direção Nacional de Inteligência (DNI). O Grupo de Segurança Anti-terrorista segue sendo investigado. A partir de agora, o Executivo revisará e controlará o apoio econômico de países estrangeiros – em especial, os EUA – a tarefas de inteligência da polícia do país.