Conflito entre Cristina Kirchner e o agronegócio começa a diminuir
Esquerda não nega importância da medida presidencial, mas afirma que “retenções” não oferecem mudanças substanciais
Dafne Melo
da Redação
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Há pouco mais de 100 dias, os argentinos assistem a um cenário político bastante tumultuado. A origem do conflito apresenta, de um lado, o governo federal impondo maiores taxas (“retenções”) às exportações de cereais, como a soja e o trigo, por meio de uma medida editada em março. Do outro, estão os grandes empresários do agronegócio, apoiados por parcelas de pequenos e médios proprietários a eles vinculados, assim como parte das classes média e alta urbanas.
Enquanto os proprietários de terras impõem ao país uma série de locautes agrários, com fechamento de rodovias e ameaças de falta de abastecimento de alimentos nas cidades, a presidente Cristina Fernández de Kirchner promete não voltar atrás, alegando que sua medida tem a finalidade de desestimular as exportações de alimentos, aumentando a oferta interna e baixando, assim, os preços, em um contexto de crise mundial do preço de alimentos.
Entretanto, para acalmar os ânimos, a presidente decidiu levar sua medida ao Congresso Nacional, que começou a discutir o projeto no dia 23 de junho. A imprensa corporativa argentina também tem cumprido bem seu papel, evocando em suas páginas o “fantasma de 2001” e tecendo duras críticas a Cristina.
Golpe?
Se a direita usa a crise de 2001 em sua retórica, o governo tem alegado a possibilidade de um golpe de Estado encabeçado pelas elites agrárias, o que, na história argentina, não seria exatamente uma novidade (leia artigo abaixo). Em nota oficial, a Frente Popular Darío Santillán (FPDS), organização que reúne movimentos populares urbanos do país, descartou a possibilidade de um novo golpe. “Esses setores de tradição golpista sabem que não há condições hoje para intentonas que quebrem a continuidade institucional e por isso já estão explorando formas políticas de disputa que, desde os setores populares, devemos combater. Mas traduzir essa situação como um golpe em marcha, como sustenta o discurso do governo, só tem por objetivo enganar o povo e gerar um alinhamento acrítico a suas políticas”.
Pablo Solana, integrante da FDPS, avalia que embora a “retenção” imposta pelo governo argentino aos setores agropecuários seja uma medida progressista, ela é bastante tímida, pois nada altera do modelo econômico agroexportador do país. Além disso, ainda que Cristina afirme que irá usar o dinheiro para políticas de distribuição de renda, “na prática subsidia, com esse dinheiro, grupos econômicos tão privilegiados como os empresários agrícolas, segue pagando a dívida externa e a redistribuição da riqueza de que tanto falam não se vê nem nos indicadores econômicos”, rebate.
100 mil
A maior parte da esquerda e de outros setores progressistas do país, entretanto, tem optado por adotar um discurso mais ameno, apoiando, mesmo que criticamente, o governo. Prova disso foi a presença de 100 mil manifestantes, no dia 18 de junho, na Praça de Maio, centro de Buenos Aires, onde está localizada a sede do governo federal. A Associação Mães da Praça de Maio foi uma das organizações que aderiram à mobilização. Em discurso feito um dia depois, Hebe de Bonafini, presidente das Madres, declarou que “para defender a democracia, nem um passo atrás (...) Não estamos apoiando um governo, estamos defendendo isso que conseguimos durante trinta e tantos anos, e não a rifaremos”. Sindicatos ligados a Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), intelectuais da esquerda argentina – Nicolás Casullo, Horacio Verbitsky, Lilia Ferreyra, dentro outros – e a Frente Nacional Campesino também compareceram à mobilização.
Solana explica que a FPDS “não participou do ato, assim como multidões de outros movimentos sociais e populares independentes do governo”, mas acrescenta que respeita a iniciativa, uma vez que “milhares de homens e mulheres do nosso povo estiveram ali honestamente, ainda que no marco de estruturas sindicais corruptas como o Partido Justicialista (PJ, o mesmo de Carlos Meném) ou a Confederação Geral do Trabalho (CGT)”.
Outras organizações, como Pañuelos en Rebeldía, grupos de trabalhadores desempregados e intelectuais assinaram uma outra carta aberta em que também fazem dura crítica a Cristina, mas enfatizam a necessidade de que não se pode ficar “neutro” diante da atual situação. “Uma liberalização das exportações como demandam ruralistas e ideólogos do establishment dispararia os preços dos alimentos com conseqüências ruins sobre os salários reais dos trabalhadores”, afirmam. Eles também rechaçam “enérgica e categoricamente” a chantagem dos setores agropecuários e defendem o direito do governo de implementar “retenções”, mas afirmam que a medida pouco contribui para uma transformação efetiva da sociedade.
Economia
Solana acredita que o governo Kirchner é parte do problema da classe trabalhadora, e não a solução. Dentre algumas medidas democratizantes sugeridas pela Frente, está a eliminação do imposto sobre o consumo, para diminuir os preços dos alimentos e conter a inflação. “Aqui os índices oficiais não são confiáveis, mas estima-se que os alimentos aumentaram 20% nos últimos três meses”, o que, para Solana, é muito mais grave do que o desabastecimento provocado pelos locautes que, inclusive, são relativizados por ele. “Faltaram produtos em alguns dias, como leite ou carne, mas os dirigentes empresariais do campo foram hábeis em suspender políticas mais agressivas várias vezes durante o conflito para que a situação não ficasse dramática”.
Outra medida, aponta Pablo, é estabelecer “retenções” semelhantes aos grupos estrangeiros que exploram o setor de minérios. “O Estado permite que todas as riquezas de nosso solo sejam levadas embora pela Repsol e pela Barrick Gold”, diz.
Posicionamentos
Cumpa sou Marcio (Rato) militante da FEAB e estou pela Argentina fazendo uma giria pela CONCLAEA (confederaçao latino-americana e caribenha de Estudantes de agronomia) e sentir nesse texto a falta do posicionamento do MNCI que também é muito importante e que juntamente com a FPDS plantenham uma terceira posiçao e vem tentando um espaço na midia para tentar agregar mais setores e acumular no setor de esquerda rumo ao rompimento com esse modelo de monocultivos e contra toda essa burguesia agraria que vem destruindo com um projeto de soberania dos povos. Abraços qualquer coisa meu contato é ratopolitico@yahoo.com.br podemos continuar debatendo.













Posicionamentos
Cumpa sou Marcio (Rato) militante da FEAB e estou pela Argentina fazendo uma giria pela CONCLAEA (confederaçao latino-americana e caribenha de Estudantes de agronomia) e sentir nesse texto o posicionamento do MNCI que também é muito importante e que juntamente com a FPDS plantenham uma terceira posiçao e vem tentando um espaço na midia para tentar agregar mais setores e acumular no setor de esquerda rumo ao rompimento com esse modelo de monocultivos e contra toda essa burguesia agraria que vem destruindo com um projeto de soberania dos povos. Abraços qualquer coisa meu contato é ratopolitico@yahoo.com.br podemos continuar debatendo.