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Farc libertam quatro políticos colombianos

by jpereira — last modified 2008-03-03 14:13

Gloria Polanco, Jorge Eduardo Gechem, Luis Eladio Pérez e Orlando Beltrán agradecem os gestos da Venezuela e da senadora Córdoba


29/02/2008


Jorge Enrique Botero

de Caracas (La Jornada)


As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) libertaram hoje outros quatro dirigentes políticos que estavam em seu poder desde 2001. Os reféns foram entregues em uma remota localidade no sudoeste colombiano a uma delegação do governo venezuelano encabeçada pelo ministro do Interior, Ramón Rodríguez Chacín, assim como pela senadora colombiana Piedad Córdoba. A operação foi acompanhada pela Cruz Vermelha e se realizou em dois helicópteros da Força Aérea venezuelana.

Em meio a abraços emocionados e depois de uma longa travessia de quase um mês por rios e trilhas da selva amazônica, os ex-parlamentares Gloria Polanco, Jorge Eduardo Gechem, Luis Eladio Pérez e Orlando Beltrán recuperaram sua liberdade.

Os reféns foram entregues por um pequeno grupo de uns 20 guerrilheiros, os mesmos que se encarregaram do translado do local onde permaneciam em cativeiro até a área onde aterrizaram os helicópteros.

As primeiras palavras de Polanco, Gechem, Beltrán e Pérez, que exibiam um razoável estado de saúde, foram para agradecer ao presidente Hugo Chávez, ao povo venezuelano e à senadora Piedad Córdoba. A caminho da liberdade, ainda na inóspita selva onde permaneram por seis ou sete anos, ambos qualificaram como infernal e desumana a guerra que a Colômbia vive há mais de 40 anos.

Um dos momentos mais emocionantes da libertação ocorreu quando a guerrilha se aproximou Gloria Polanco e lhe entregou um ramo de flores. Ao aceitá-lo e agradecer ao combatente, a ex-congressista disse que as levará com seus três filhos à tumba de seu marido, assassinado enquanto ela estava no cativeiro.

Terminam as medidas unilaterais

Em um improvisado ato realizado antes dos helicópteros decolarem rumo ao território venezuelano, Asdrúbal, chefe das Farc, fez a entrega oficial dos reféns à comissão internacional. Asdrúbal se omitiu de falar sobre eventuais novas libertações. No entanto, em um comunicado divulgado hoje, o comando máximo das Farc anunciou que as libertações unilaterais irão cessar e reiterou sua exigência de uma zona desmilitarizada para negociar com o governo um "intercâmbio de prisioneiros de guerra".

A despedida de reféns e guerrilheiros não esteve isenta de expressões de amizade. Inclusive, pouco antes de embarcar no helicóptero, a senadora Piedad Córdoba fez saudações à Colombia e à Venezuela, que foram respondidas por todos os presentes.

A operação, denominada Caminho da Paz, havia começado na madrugada, quando a delegação do governo venezuelano, Piedad Córdoba e os membros da Cruz Vermelha partiram em dois aviões de Caracas rumo ao povoado de Santo Domingo, na fronteira entre Colômbia e Venezuela. De lá, os integrantes da missão de resgate se dirigiram aos helicópteros até a cidade colombiana de São José de Guaviare, lugar de onde partiram ao lugar indicado pelas Farc.

Em declarações ao jornal mexicano La Jornada, Piedad Córdoba descreveu o encontro com os libertados como "um momento crucial para a conquista de um acordo humanitário". Também disse que ficou muito emocionada quando abraçou seus ex-colegas de Congresso na zona da selva, onde foram entregues.

Em meio à confusão na pista do terminal, o ex-senador Luis Eladio Perez revelou que viu Ingrid Ingrid Betancourt no dia 4 de fevereiro durante alguns minutos e clamou por sua imediata liberação. "A vida dela corre grave perigo, sua liberdade não pode demorar meses. Algumas semanas, ou dias até, podem ser fatais", disse.

O dirigente político colombiano narrou que esteve os últimos seis meses com os três cidadãos estadunidenses, contratados pelo Pentágono, em poder da guerrilha há cinco anos. Alertou que eles estão com um estado de saúde grave e que ficaram desanimados com a notícia que Ricardo Palmera – chefe das Farc – havia sido condenado pela justiça dos Estados Unidos a 60 anos de prisão.

Os quatro libertados se reuniram às sete da noite com o presidente Hugo Chávez no Palácio de Miraflores. Todos concordaram com a urgência de uma saída negociada tanto para a libertação dos reféns que estão sob o controle das Farc como para colocar fim ao conflito armado que envolve a Colômbia desde o início dos anos de 1960.

Nas selvas do Sul da Colômbia, permanecem Ingrid Betancourt, o ex-governador Alan Jara e os políticos Oscar Lizcano e Sigifredo López, assim como 28 oficiais do exército e da polícia – muitos deles já completaram 10 anos de cativeiro. As Farc condicionam sua libertação à saída dos cárceres de uns 500 de seus cativeiros.


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