Farc libertam quatro políticos colombianos
Gloria Polanco, Jorge Eduardo Gechem, Luis Eladio Pérez e Orlando Beltrán agradecem os gestos da Venezuela e da senadora Córdoba
29/02/2008
de Caracas (La Jornada)
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) libertaram hoje outros quatro dirigentes políticos que estavam em seu poder desde 2001. Os reféns foram entregues em uma remota localidade no sudoeste colombiano a uma delegação do governo venezuelano encabeçada pelo ministro do Interior, Ramón Rodríguez Chacín, assim como pela senadora colombiana Piedad Córdoba. A operação foi acompanhada pela Cruz Vermelha e se realizou em dois helicópteros da Força Aérea venezuelana.
Em
meio a abraços emocionados e depois de uma longa travessia de
quase um mês por rios e trilhas da selva amazônica,
os ex-parlamentares Gloria Polanco, Jorge
Eduardo Gechem, Luis Eladio Pérez e Orlando Beltrán recuperaram sua liberdade.
Os
reféns foram entregues por um pequeno grupo de uns 20
guerrilheiros, os mesmos que se encarregaram do translado do local
onde permaneciam em cativeiro até a área onde
aterrizaram os helicópteros.
As
primeiras palavras de Polanco, Gechem, Beltrán e Pérez,
que exibiam um razoável estado de saúde, foram para
agradecer ao presidente Hugo Chávez, ao povo venezuelano e à
senadora Piedad Córdoba. A caminho da liberdade, ainda na
inóspita selva onde permaneram por seis ou sete anos,
ambos qualificaram como infernal e desumana a guerra que a Colômbia
vive há mais de 40 anos.
Um
dos momentos mais emocionantes da libertação ocorreu
quando a guerrilha se aproximou Gloria Polanco e lhe entregou um ramo
de flores. Ao aceitá-lo e agradecer ao combatente, a ex-congressista disse que as levará com seus três filhos à
tumba de seu marido, assassinado enquanto ela estava no cativeiro.
Terminam
as medidas unilaterais
Em
um improvisado ato realizado antes dos
helicópteros decolarem rumo ao território venezuelano,
Asdrúbal, chefe das Farc, fez a entrega
oficial dos reféns à comissão internacional.
Asdrúbal se omitiu de falar sobre eventuais novas libertações.
No entanto, em um comunicado divulgado hoje, o comando máximo
das Farc anunciou que as libertações unilaterais irão
cessar e reiterou sua exigência de uma zona desmilitarizada
para negociar com o governo um "intercâmbio de
prisioneiros de guerra".
A
despedida de reféns e guerrilheiros não esteve isenta
de expressões de amizade. Inclusive, pouco antes de embarcar
no helicóptero, a senadora Piedad Córdoba fez
saudações à Colombia e à Venezuela, que
foram respondidas por todos os presentes.
A
operação, denominada Caminho da Paz, havia começado
na madrugada, quando a delegação do governo
venezuelano, Piedad Córdoba e os membros da Cruz Vermelha
partiram em dois aviões de Caracas rumo ao povoado de Santo
Domingo, na fronteira entre Colômbia e Venezuela. De
lá, os integrantes da missão de resgate se dirigiram
aos helicópteros até a cidade colombiana de São
José de Guaviare, lugar de onde partiram ao lugar indicado
pelas Farc.
Em
declarações ao jornal mexicano La Jornada, Piedad
Córdoba descreveu o encontro com os libertados como "um
momento crucial para a conquista de um acordo humanitário". Também
disse que ficou muito emocionada quando abraçou seus ex-colegas de Congresso na zona da selva, onde foram entregues.
Em meio à confusão na pista
do terminal, o ex-senador Luis Eladio Perez revelou que viu Ingrid
Ingrid Betancourt no dia 4 de fevereiro durante alguns minutos e
clamou por sua imediata liberação. "A vida dela
corre grave perigo, sua liberdade não pode demorar meses.
Algumas semanas, ou dias até, podem ser fatais", disse.
O
dirigente político colombiano narrou que esteve os últimos
seis meses com os três cidadãos estadunidenses,
contratados pelo Pentágono, em poder da guerrilha há
cinco anos. Alertou que eles estão com um estado de saúde
grave e que ficaram desanimados com a notícia que Ricardo
Palmera – chefe das Farc – havia sido condenado pela justiça
dos Estados Unidos a 60 anos de prisão.
Os
quatro libertados se reuniram às sete da noite com o
presidente Hugo Chávez no Palácio de Miraflores. Todos
concordaram com a urgência de uma saída negociada
tanto para a libertação dos reféns que estão
sob o controle das Farc como para colocar fim ao conflito armado que
envolve a Colômbia desde o início dos anos de 1960.
Nas selvas do Sul da Colômbia, permanecem Ingrid Betancourt, o ex-governador Alan Jara e os políticos Oscar Lizcano e Sigifredo López, assim como 28 oficiais do exército e da polícia – muitos deles já completaram 10 anos de cativeiro. As Farc condicionam sua libertação à saída dos cárceres de uns 500 de seus cativeiros.