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General brasileiro admite que abusos sexuais "podem acontecer" no Haiti

by jpereira — last modified 2008-06-06 14:17

"No preto no branco, no final das contas, você tem homens e mulheres", diz em entrevista ao Brasil de Fato o general brasileiro Carlos Alberto Santos Cruz, comandante das tropas da Minustah

06/06/2008



Claudia Jardim,

de Porto Príncipe (Haiti) e Caracas (Venezuela)




Crianças no Haiti estão sofrendo abusos sexuais por integrantes das tropas da ONU, lideradas pelo Brasil. Os crimes, já divulgados em outras ocasições, estão sendo novamente denunciada por um relatório recente da organização não-governamental britânica Save the Children.

O relatório analisa casos de abusos cometidos no Haiti, Costa do Marfim e no sul do Sudão. Entitulado "Ninguém a quem recorrer – A pouco denunciada exploração sexual infantil por funcionários de ONGs e tropas de paz", o documento diz que as vítimas têm idade a partir de seis anos de idade e são de ambos os sexos. Entre os abusos relatados pelas crianças entrevistadas encontram-se estupro, prostituição infantil, escravidão sexual, pornografia, troca de sexo por comida, entre outros.

O relatório destaca que as tropas de paz da ONU “são uma fonte particular do abuso" especialmente no Haiti e na Costa do Marfim. Em dezembro do ano passado, as Nações Unidas decidiram extraditar 108 soldados do Sri Lanka que atuavam na Minustah após terem sido acusados de violações de mulheres e menores haitianos. As acusações estão sendo investigadas pelo governo do Sri Lanka, sob auspício das Nações Unidas. As vítimas no Haiti estão sendo ignoradas do processo. 

"É possível acontecer", diz general

O general brasileiro Carlos Alberto Santos Cruz, comandante das tropas da Minustah, disse desconhecer o relatório que detalha as acusações de abuso. O escândalo, que à época foi condenado pela ONU, foi amenizado pelo general Santos Cruz ao indicar que a responsabilidade não é exclusiva de seus soldados.

"Isso é um caso possível de acontecer e não tenho conhecimento do relatório para saber qual é a extensão com que isso aí aconteceu. Neste tipo de ambiente, pode acontecer este tipo de relacionamento problemático e ter um caso semelhante. Não sei quem é responsável pelo o quê", disse Santos Cruz em entrevista ao Brasil de Fato. "No preto no branco, no final das contas, você tem homens e mulheres", acrescentou.


A reação de Santos Cruz foi criticada pela plataforma de defesa dos direitos da mulher SOFA. "Como costuma acontecer em caso de violações, tentam culpar a mulher de ter sido vítima de quem detêm o uso da força. É inacreditável que essa seja a avaliação deste general", critica Marie Frantz Joachim, da direção da SOFA.

“As agressões sexuais das quais são vítimas as mulheres e menores haitianas são conseqüência direta da ocupação do país pelas tropas estrangeiras", diz um documento que foi entregue ao Ministério da Condição Feminina e Direitos da Mulher e ao Ministério de Justiça, no qual solicitam a constituição de uma comissão haitiana para acompanhar o julgamento que está sendo realizado pelo governo do Sri Lanka. (leia reportagem completa na edição 275 do jornal Brasil de Fato)

Comentários - 3

Página 1

1 Lobo - 11-06-2008 - 09:48:41h

ONU

DÉBEIS NOJENTOS, COVARDES DESUMANOS. Estes ratos de esgoto a praticam ato tão condenáveis, e a solução? De onde vem? De nós, de vós? Do nada! é tudo ilusão, tá aí só pra provocar a fúria dos leitores.

2 Aloisio Milani - 16-06-2008 - 03:08:03h

"Fora da jurisdição"

Bom levantar a lebre, Claudia. Quando o contingente do Sri Lanka deixou o Haiti no ano passado, pouca gente comentou o assunto. Mas queria deixar como sugestão uma questão que apontei em meu blog. A denúncia da organização não-governamental Save the Children mostra que as forças de paz da ONU na Costa do Marfim, no Sudão e no Haiti fazem abusos sexuais contra crianças, algumas com até seis anos de idade. Apesar de o relatório não citar nacionalidades dos soldados ou apontar culpados publicamente, o problemas das acusações fica pior se analisarmos a discussão das jurisdições nacionais. Uma reportagem de 2006 da BBC mostra que a ONU reconhece que 80% das pessoas a serviço das missões de paz estão fora de suas jurisdições e, por isso, não podem ser processadas pelos crimes em outros países. Ou seja, se um policial, um soldado ou qualquer outro funcionário da ONU abusar sexualmente de uma criança, ele pode ficar impune diante de leis nacionais inadequadas diante da situação dos direitos humanos internacionais. Isso ainda não se discutiu por aqui. Numa hipótese de soldados das diversas nacionalidades da Minustah terem cometido algum crime ou violação dos direitos humanos, como serão julgados? Que Justiça pode esperar as vítimas haitianas? http://aloisiomilani.wordpress.com/2008/06/10/abuso-sexual-e-missao-de-paz-um-paradoxo/

3 rosali alves - 19-06-2008 - 10:03:46h

homens, mulheres (e crianças)

Nojento, revoltante! ridiculo esse genereal falar isso, ele foi totalmente conivente (oque ja é de se esperar) no fim é sempre culpa das mulheres, são as mulheres que se oferecem, mas se elas não fizerem isso, vão morrer de fome... acho que isso é abuso de autoridade não? É muita degradação do ser humano, e existem relatos de abuso contra crianças menores de 6 anos. taí o tipo de informação que ninguem ( com algumas exceções) sabe sobre a "missão de paz" da ONU... No fim são todos uns falzo moralistas safados mesmo, porque homossexulaismo não é admitido no exercito, mas abuso contra menores e estupro, eles camuflam.