Missa homenageia vítimas mexicanas no ataque da Colômbia às Farc
Presidente colombiano, Álvaro Uribe, qualificou de terroristas, narcotraficantes e delinqüentes os estudantes mexicanos mortos no ataque em território vizinho
Waldo Lao Fuentes,
da Cidade do México
(México)
No último dia 23
de Abril, na paróquia de Santa Maria de La Anunciacion,
localizada ao lado da Universidad Nacional Autonoma de Mexico
(UNAM) aconteceu uma missa em homenagem aos quatro estudantes
mexicanos assassinados nos ataques do acampamento das FARC-EP em
território equatoriano. A missa foi oficiada pelo bispo
emérito Samuel Ruiz Garcia, conhecido por ser um dos
impulsores da Teologia da Libertação e ter sido um dos
mediadores no conflito em Chiapas entre o Exército
Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) e o governo
federal mexicano.
O evento contou com apoio dos familiares, amigos, o diretor da faculdade de Filosofia e Letras da UNAM, Ambrosio Velasco, assim como por alunos da Universidade que se mostraram emotivos e sensibilizados com o acontecimento do último dia 1 de Março que resultou na morte de Fernando Franco Delgado, Verónica Velázquez Ramírez, Juan González del Castillo e Soren Ulises Avilés Ángeles. Ao iniciar a missa os pais dos estudantes colocaram num altar, encima das bandeiras do México e do Equador, as cinzas dos jovens assassinados, assim como cinco cartazes que incluíam a foto da estudante e única sobrevivente Lucia Morett.
No ato também se protestou em repúdio aos ácidos comentários que o presidente colombiano Álvaro Uribe fez ao término de sua participação no Terceiro Fórum para América Latina e o Caribe do Fórum Econômico Mundial, realizado no México. Ao final deste evento Uribe afirmou publicamente que os estudantes mortos não eram mais que um grupo de terroristas, narcotraficantes e delinqüentes e concluiu “quando os estudantes transgridem as normas da liberdade fazem um mal para a sociedade”. Esta frase demonstrou que as hipócritas palavras “ético” e “moral” serviram “para dar a cara ao presidente Felipe Calderón, a sociedade mexicana, aos familiares dos estudantes mortos e aos meios de comunicação”.
Se por um lado, aconteceu o silêncio de mais de quarenta dias de Felipe Calderón sobre os assassinatos e a atitude da secretária de Relações Exteriores do México Patrícia Espinosa de agradecimento ao presidente Uribe pelas suas declarações, por outro lado, o diretor de comunicação social da UNAM, Enrique Balp, respondeu que “os membros da comunidade são responsáveis sobre seus atos, incluindo aqueles que realizam em pleno exercício de suas liberdades, com o único limite que impõe o respeito aos direitos dos demais”.
Depois de acabada a missa, Marcelo Franco Delgado pai de um dos estudantes surpreendeu a todos afirmando que os pais realizarão uma viagem rumo à Colômbia para exigir justiça e continuar com a luta pela defesa dos direitos humanos de seus filhos. Assim como para desmascarar as falsas declarações emitidas pelo presidente Uribe e enfatizou ainda que a viagem é necessária “porque a verdade não pode morrer”.
Tradução: Anna Flavia Feldmann










