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Estudantes em pé de guerra

by cleber last modified 2006-05-31 19:46

No Chile, mais de 600 mil secundaristas entram em greve; polícia reprime, 500 estudantes são detidos e 41 ficam feridos

No Chile, mais de 600 mil secundaristas entram em greve; polícia reprime, 500 estudantes são detidos e 41 ficam feridos

Marcelo Netto Rodrigues
> da Reda&ccedil;&atilde;o<em>

Há três meses no poder, a presidente chilena, Michelle Bachelet, enfrenta sua primeira crise protagonizada pelos estudantes organizados. A implantação do passe-livre está entre as principais exigências do movimento.

A repressão policial, com bombas de gás lacrimogênio e jatos d'água, aconteceu nas ruas próximas ao Palácio La Moneda, sede da presidência, na capital Santiago. Bachelet e o ministro da Educação, Martín Zilic, estavam reunidos com as lideranças estudantis na Biblioteca Nacional no momento do confronto. Alguns estudantes chegaram a buscar refúgio dentro do prédio, e acabaram sendo expulsos pela polícia.

Até o momento, o saldo da maior manifestação estudantil do país desde 1972 é de 600 mil estudantes em greve, 500 detidos e 41 feridos. O movimento, que começou apenas com estudantes secundaristas das redes pública e particular, já conta com a adesão de alunos do ensino superior e de professores. Inclusive com alunos da escola particular na qual a filha de Bachelet estuda. Mais de cem colégios só em Santiago já estão mobilizados.

 PASSE-LIVRE
> &quot;A luta pelo passe-livre n&atilde;o &eacute; um privil&eacute;gio do Brasil, &eacute; global. No ano passado, j&aacute; t&iacute;nhamos informa&ccedil;&otilde;es de que em tr&ecirc;s cidades do Chile haviam ocorrido manifesta&ccedil;&otilde;es, assim como na Su&eacute;cia e nos Estados Unidos&quot;, afirma Daniel Guimar&atilde;es, do MPL de Florian&oacute;polis (SC). &quot;&Eacute; curioso porque o &ocirc;nibus &eacute; o &uacute;nico servi&ccedil;o p&uacute;blico no qual voc&ecirc; &eacute; cobrado imediatamente na hora em que usa&quot;. <p>

Os integrantes do MPL estão discutindo a possibilidade da emissão de cartas em apoio aos estudantes chilenos. Quanto a manifestações específicas em solidariedade, as chances são menores. Guimarães conta que o Movimento acaba de receber hoje uma "bomba" (leia aqui a reportagem): o aumento da tarifa de ônibus em Florianópolis - cidade-palco de levantes estudantis contra dois aumentos tarifários em 2004 e 2005, que ficaram conhecidos como a Revolta da Catraca.

ESCOLAS PÚBLICAS
> Al&eacute;m do passe-livre, o movimento estudantil tamb&eacute;m reivindica o fim de uma taxa equivalente a R$ 80 que deve ser paga para prestar vestibular e a altera&ccedil;&atilde;o da lei de educa&ccedil;&atilde;o - que data da &eacute;poca da ditadura militar, encabe&ccedil;ada pelo general Alberto Pinochet -, que propiciou ao longo dos anos um tremendo desequil&iacute;brio entre as escolas p&uacute;blicas do Chile.<p>

Essa lei repassou às prefeituras a responsabilidade pela educação pública. Tal atitude fez com que a desigualdade entre escolas de regiões mais pobres e ricas aumentasse. Para se ter uma idéia, o gasto mensal por uma mesma vaga de um aluno numa escola pública pode variar de R$ 140 a R$ 800, dependendo da região. Os estudantes exigem que a educação pública volte a ser responsabilidade do governo nacional.

No domingo, Bachelet havia declarado que, ao seu ver, as exigências dos estudantes seriam justas. "Queremos que a educação no Chile seja cada dia melhor. Estamos completamente de acordo que será preciso mudar uma série de coisas para que a educação seja de melhor qualidade para todos, para as escolas públicas e privadas". À época, os protestos ainda não haviam se espalhado. E nem a polícia havia reprimido. Agora, é esperar para ver.


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