Estudantes em pé de guerra
No Chile, mais de 600 mil secundaristas entram em greve; polícia reprime, 500 estudantes são detidos e 41 ficam feridos
Marcelo Netto Rodrigues
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da Redação<em>
Há três meses no poder, a presidente chilena, Michelle Bachelet, enfrenta sua primeira crise protagonizada pelos estudantes organizados. A implantação do passe-livre está entre as principais exigências do movimento.
A repressão policial, com bombas de gás lacrimogênio e jatos d'água, aconteceu nas ruas próximas ao Palácio La Moneda, sede da presidência, na capital Santiago. Bachelet e o ministro da Educação, Martín Zilic, estavam reunidos com as lideranças estudantis na Biblioteca Nacional no momento do confronto. Alguns estudantes chegaram a buscar refúgio dentro do prédio, e acabaram sendo expulsos pela polícia.
Até o momento, o saldo da maior manifestação estudantil do país desde 1972 é de 600 mil estudantes em greve, 500 detidos e 41 feridos. O movimento, que começou apenas com estudantes secundaristas das redes pública e particular, já conta com a adesão de alunos do ensino superior e de professores. Inclusive com alunos da escola particular na qual a filha de Bachelet estuda. Mais de cem colégios só em Santiago já estão mobilizados.
PASSE-LIVRE
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"A luta pelo passe-livre não é um privilégio do Brasil, é global. No ano passado, já tínhamos informações de que em três cidades do Chile haviam ocorrido manifestações, assim como na Suécia e nos Estados Unidos", afirma Daniel Guimarães, do MPL de Florianópolis (SC). "É curioso porque o ônibus é o único serviço público no qual você é cobrado imediatamente na hora em que usa". <p>
Os integrantes do MPL estão discutindo a possibilidade da emissão de cartas em apoio aos estudantes chilenos. Quanto a manifestações específicas em solidariedade, as chances são menores. Guimarães conta que o Movimento acaba de receber hoje uma "bomba" (leia aqui a reportagem): o aumento da tarifa de ônibus em Florianópolis - cidade-palco de levantes estudantis contra dois aumentos tarifários em 2004 e 2005, que ficaram conhecidos como a Revolta da Catraca.
ESCOLAS PÚBLICAS
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Além do passe-livre, o movimento estudantil também reivindica o fim de uma taxa equivalente a R$ 80 que deve ser paga para prestar vestibular e a alteração da lei de educação - que data da época da ditadura militar, encabeçada pelo general Alberto Pinochet -, que propiciou ao longo dos anos um tremendo desequilíbrio entre as escolas públicas do Chile.<p>
Essa lei repassou às prefeituras a responsabilidade pela educação pública. Tal atitude fez com que a desigualdade entre escolas de regiões mais pobres e ricas aumentasse. Para se ter uma idéia, o gasto mensal por uma mesma vaga de um aluno numa escola pública pode variar de R$ 140 a R$ 800, dependendo da região. Os estudantes exigem que a educação pública volte a ser responsabilidade do governo nacional.
No domingo, Bachelet havia declarado que, ao seu ver, as exigências dos estudantes seriam justas. "Queremos que a educação no Chile seja cada dia melhor. Estamos completamente de acordo que será preciso mudar uma série de coisas para que a educação seja de melhor qualidade para todos, para as escolas públicas e privadas". À época, os protestos ainda não haviam se espalhado. E nem a polícia havia reprimido. Agora, é esperar para ver.















