No México, marcha se opõe à privatização de estatal do petróleo
Presidente Felipe Calderón quer vender a Pemex em meio ao preço recorde da cotação do barril do petróleo; Lopez Obrador, ex-prefeito da Cidade do México, convoca campanha contra a proposta
Waldo Lao Fuentes,
Especial para o Brasil de Fato da Cidade do México (México)
Milhares de mexicanos compareceram à convocatória de Andres Manuel Lopez Obrador, da Frente Amplio Progressista (FAP), no centro da cidade do México, lugar mais conhecido como Zocalo Capitalino. Cidadãos de vários Estados que integram as brigadas do Movimento Nacional em Defesa do Petróleo Mexicano se reuniram em 27 de abril e junto com Lopez Obrador percorreram as ruas da cidade em protesto. A reivindicação era contra a iniciativa de reforma energética, proposta pelo presidente Felipe Calderon.
Apesar de juristas considerarem a iniciativa do governo mexicano como inconstitucional, Calderon quer privatizar os hidrocarburetos - primeira fonte de riqueza do país – justamente em um momento de escassez global do recurso e de uma alta recorde em sua cotação. O barril está cotado a mais de US$ 120 em Nova Yorque – mais do que o triplo de há três anos. Críticos da medida afirmam que a proposta representa prejuízo à soberania nacional, sobretudo porque nesta conjuntura em que o controle do petróleo e de sua renda é sinônimo de poder.
No México, o petróleo foi expropriado em março de 1938, no governo do presidente Lázaro Cárdenas del Río, em 18 de Março de 1938, com a criação da Pemex. Esta foi a decisão política mais importante de seu governo (1934-1940). Conhecido como “nacionalista revolucionário”, Cardenas também deu continuidade aos princípios da Constituição de 1917, fazendo efetiva a reforma agrária no país.
Crítica à mídia
A manifestação aconteceu em razão da tomada da Tribuna do Senado, que ficou ocupada por mais de 16 dias pelos legisladores da FAP, ação com objetivo de frear a iniciativa Calderonista e iniciar uma segunda fase no debate, prevista para começar no próximo dia 13 de maio e se estenderá por 71 dias.
Ao longo de seu discurso no Zocalo, Obrador criticou os meios de comunicação e ressaltou que o Partido Revolucionario Institucional (PRI) e o Partido de Acción Nacional (PAN) “se apóiam no controle que têm sobre os meios, os quais permitem a manipulação da informação e a enganação da população”. Seu discurso fez referencia ao recente spot transmitido pelo canal Televisa, onde o ex-prefeito da Cidade do México foi comparado a Hitler e Mussolini.
Logo após, Obrador completou “que se garanta o direito do povo à informação”, dirigindo-se com respeito e admiração aos meios livres e independentes presentes na platéia, denominando estes como a “imprensa humanitária”, que têm a tarefa de informar sem manipular.
Enquanto os milhares de participantes gritavam em coro “A pátria não se vende, se defende”, Obrador divulgou seu novo programa, o que chamou de segunda fase na luta pela defesa do petróleo. As principais metas são:
- Continuar com as mobilizações, duplicando o número de brigadistas nacionais. Espera-se conseguir 200.000 no mês de Junho e, assim, informar casa por casa e poder chegar a mais de 10 milhões de famílias;
- Realizar uma campanha nacional percorrendo todos os Estados do país, para dar continuidade à resistência civil pacifica e informar a população sobre quais seriam as grandes conseqüências da privatização do petróleo;
- Oferecer ênfases aos meios massivos, propondo que cada brigadista seja seu próprio meio de comunicação para informar a população sobre o que acontece, iniciando um processo a partir dos bairros;
- Realizar um referendo nacional;
- Convocar uma próxima manifestação para o domingo de 29 de Junho e fazer uma avaliação dos avanços pela luta na defesa do petróleo.
Tradução: Anna Flávia Feldmann










