Protesto no Peru reivindica divisão da renda da mineração
População da província de Moquegua quer maior fatia dos impostos pagos pela Southern Copper, uma das maiores produtoras de cobre do mundo. Federação de Trabalhadores Mineiros convoca greve nacional
Milhares de habitantes
do sul do Peru reivindicaram, nesta segunda-feira (16), junto ao governo de Alan García a transferência de uma parcela maior da renda gerada pelos tributos pagos pela mineradora Southern Copper –
controlada pela Mineradora México. A empresa é uma das maiores maiores produtoras de cobre do mundo e está atuando em duas províncias do sul peruano – Moquegua e Tacna.
Manifestantes se enfrentaram com soldados da polícia nacional quando tentavam desbloquear a estrada Panamericana, que liga o país ao Chile, fechada pelos habitantes desde quinta-feira (11). Durante a tentativa de dissolução do protesto, habitantes da província de Moquegua cercaram cem agentes da polícia nacional – incluindo o general que os comandava, Alberto Jordán – e os mantiveram sequestrados à espera de uma resposta das autoridades centrais.
Uma declaração do governo veio apenas na tarde da segunda-feira. O presidente do Conselho de Ministros, Jorge del Castillo, leu um comunicado oficial no qual condicionou o diálogo com os moquequenses à retirada dos obstáculos que impedem a circulação na Panamericana.
Os habitantes da província de Moquegua estão descontentes com a nova divisão das receitas advindas da mineração. Em 2005, a província recebeu 117,5 milhões de dólares contra 107 milhões que foram para a província de Tacna. No entanto, para 2008, Moquegua ficará com uma parcela menor da verba referente aos tributos pagos pela Southern Copper. A projeção é que a província receba 80 milhões de dólares contra 254 milhões que serão encaminhados para Tacna. A divulgação dessa divisão gerou os protestos da população, que desde quinta-feira (11), iniciaram uma greve para cobrar uma divisão mais equitativa.
O comunicado do governo peruano foi emitido depois de que Castillo iniciou uma reunião com os governantes de Moquegua e Tacna. Apesar de o protesto estar relacionado a fundos destinados à administração pública do departamento de Moquegua – uma zona eminentemente mineradora, sobre a cordilheira dos Andes-, o governante da província, Jaime Rodríguez, não encabeça aos protestos e se somou à petição do governo central peruano de desbloquear a estrada.
Greve nacional
Críticas de sindicalistas e opositores ao governo do presidente Alan García se somamara à mobilização e reivindicam do governo empenho para que os setores de menores rendas desfrutem os benefícios do boom econômico que vive o país. A Federação de Trabalhadores Mineiros anunciou que em 30 de junho começarão uma greve nacional para pressionar por melhoras trabalhistas e prestações econômicas e sociais.
Os mineiros, que se queixam de não se beneficiarem das rendas do setor, recusam uma legislação que os deixa fora da divisão de rendimentos das empresas que exploram a riqueza do solo peruano. Projeções que, neste ano, as exportações mineiras peruanas superem os 15 bilhões de dólares, o que representa mais de 60% das vendas externas totais do Perú, quinto produtor mundial de ouro e o primeiro de prata.
As empresas do setor mineiro e energético pagam, em média, cerca de 430 milhões de dólares anuais em impostos e royalties, segundo dados da Sociedade Nacional de Mineração, Petróleo e Energia do Peru.
Segundo a polícia, cerca de 20 mil pessoas participam dos protestos em Moquegua. Enquanto ocorriam os choques na Panamericana, um grupo de moqueguenses atacou as instalações da Southern Copper, incendiaram uma caminhonete e danificaram outro veículo, informou o presidente da mineradora, Óscar González.
“ Se o governo não atuar já com um estado e emergência vai haver problemas. Na empresa, não há nada que se possa fazer”, disse González. “É algo que está saindo das mãos do governo”, acrescentou. A Southern Copper advertiu que se o protesto continuar por uma semana mais poderia parar a operação da fundição Ilo em Moquegua, que não recebe concentrados de cobre.












