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Total isolamento internacional a golpistas em Honduras

by Admin last modified 2009-07-01 12:52

Golpistas instalados no governo de Honduras receberam nesta terça-feira (30) o repúdio unânime da comunidade internacional, que exige a restituição incondicional do presidente do país, Manuel Zelaya


30/06/2009



Prensa Latina

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Os golpistas instalados no governo de Honduras receberam nesta terça-feira (30) o repúdio unânime da comunidade internacional, que exige a restituição incondicional do presidente dessa nação, Manuel Zelaya.


Nenhum país e instituição, em escala regional e mundial, reconhece o Executivo de fato encabeçado por Roberto Micheletti, que juramentou nesta segunda-feira (29) a parte do gabinete que, segundo ele, o acompanhará até o término do mandato em curso, no início de 2010.


A repulsa mundial terá nesta terça-feira (30) um palco, a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) em Nova York, onde Zelaya intervirá.


O presidente do máximo órgão da ONU, Miguel D' Escoto, convidou oficialmente o mandatário hondurenho a se expressar nessa tribuna, que reúne 192 Estados.


Também se pronunciará nesta terça a Organização de Estados Americanos (OEA), cujos membros reclamam à instituição posturas mais enérgicas na condenação à quebra da ordem constitucional e o Estado de Direito na nação hondurenha.


Todos os países da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA) decidiram retirar aos embaixadores em Tegucigalpa enquanto continuar o governo de fato.


Também não reconhecerão os diplomatas que forem nomeados pelos golpistas, só os designados pelo presidente constitucional Manuel Zelaya.


O Grupo de Rio e os membros do Sistema de Integração Centroamericana (SICA) condenaram energicamente a situação durante um encontro extraordinário realizado na segunda-feira na Nicarágua, com a participação dos chefes de Estado.


Composto por 23 países latinoamericanos, o Grupo de Rio considerou que a restituição do dignatário hondurenho em suas legítimas funções deverá ocorrer sem condicionamento algum e chamaram os militares a subordinar-se a Zelaya, que é o comandante Chefe das Forças Armadas.


Esse mecanismo de integração e acordo regional também chamou a OEA a adotar soluções drásticas para restituir a democracia em Honduras.


"O golpe não pode ficar impune, e seus autores deverão responder pelos crimes cometidos contra o povo", estimou o presidente cubano, Raúl Castro, que conclamou o governo dos Estados Unidos a atuar em concordância com seus pronunciamentos de rejeição ao golpe.


Nicarágua, Salvador e Guatemala, limítrofes com Honduras, decidiram fechar suas fronteiras por 48 horas para todas as mercadorias que entram e saem do território hondurenho.


A União de Nações Sulamericanas e a União Européia (UE) emitiram sua rejeição oficial ao golpe perpetrado pelos militares em aliança com setores oligárquicos.


No caso dos Estados Unidos, seu embaixador em Honduras, Hugo Llorens, disse que seu país não reconhecerá outro governo que não seja o de Zelaya e apoiará os esforços para restabelecer a ordem constitucional.


"O único presidente que Washington reconhece em Honduras é o presidente Zelaya, quero que todo mundo o tenha claro", manifestou Llorens.


A posição foi ratificada pelo mandatário estadunidense, Barack Obama, que manifestou preocupação e pediu respeito às normas democráticas.

Comentários - 2

Página 1

1 Eduardo Marinho - 30-06-2009 - 23:45:46h

Império "desconhece" golpistas.
O golpe, mal feito, não colou. O da Venezuela também não tinha e o império se precipitou, reconhecendo o governo golpista. Agora, tomaram mais cuidado. Esperaram e, ao ver a roubada, declaram não ter nada com isso. São democratas, claro.

2 João dos Santos Filho - 03-10-2009 - 14:42:34h

crise Honduras
POVO MAYA E POVO GUARANI SÃO LATINO AMERICANO

João dos Santos Filho

Ouvir a descrição dos fatos ocorridos no interior da embaixada brasileira em Tegucigalpa, contado pela imaginação de direitistas de plantão e amigos da política estadunidense ou ainda dos mal informados politicamente. Coloca a atitude de parcimônia em cheque, pois o surgimento de idéias estapafúrdias se cria e recriam como ecos de uma montanha.
O Brasil via o Itamarati demonstrou maturidade e sapiência para lidar com uma peça delicada do tabuleiro da política diplomática, deu “abrigo” ao presidente hondurenho Manuel Zelaya deposto por um golpe de Estado, que até agora não esta totalmente explicada, ou melhor, todo golpe de Estado é traduzido como uma ruptura das leis constitucionais. Com isso, o Brasil assume o papel de liderança política na América – Latina imposta pela própria dinâmica da conjuntura internacional, demonstrando o papel que o Brasil possui no mundo.
Como Zelaya chegou à embaixada é um assunto que em nada envolve o Brasil, muito ao contrário, nossa responsabilidade começou com a presença dele no interior da chancelaria. Teríamos que garantir sua integridade física em razão de qualquer ato que pudesse por em risco sua pessoa. Numa perspectiva humanitária o Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim agiu politicamente de forma correta e mostrou qual será o novo timbre da política exterior brasileira daqui para frente.
Com referência ao presidente deposto de Honduras Manuel Zelaya, não podemos controlar o seu comportamento dentro da embaixada, pois a categoria funcional dada pelo governo brasileiro é de “abrigo”, pois é ele mesmo que responde a suas ações dentro da chancelaria brasileira, o Brasil só se responsabiliza pela a preservação de sua integridade física.
Além do que a Organização dos Estados Americanos – OEA e a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas – ONU condenaram integralmente o golpe de Estado que o presidente sofreu, isto é, um presidente eleito democraticamente foi preso e deportado de seu país e forma inesperada, chega à embaixada brasileira para abrigar-se. A atitude do Brasil foi correta em termos de política internacional, dar abrigo, para impedir que Zelaya sofresse qualquer violência.
Imediatamente a chancelaria brasileira foi cercada pelo exército do governo golpista de Roberto Micheletti, que fez sérias ameaças ao governo brasileiro, suspendeu as garantias constitucionais durante um período de 45 dias decretando estado de sítio. Restringiu às liberdades de circulação e expressão, tirando do ar as emissoras de radio e televisão, impondo a censura aos jornais e a manifestações públicas.
Diante desse fato o Itamarati experiente no trato da política internacional, utilizou o tempo a seu favor apelando de forma insistente a OEA, e aguardando que as relações entre Brasil e Honduras chegassem a níveis de tolerância para o diálogo diplomático. Com isso, o Brasil conseguiu fazer com que Zelaya e Micheletti retomassem as conversações entre eles e encaminhassem soluções próprias, para que Honduras retome sua estabilidade política.
Nesse sentido, não entendemos como um senador brasileiro afirma de forma leviana que o Brasil sabia da volta de Zelaya a Honduras e contava com apoio da chancelaria brasileira. Esse senador parece não entender nada de política nacional, internacional e desconhecer a história de atuação do Ministério das Relações Exteriores no comando da política diplomática.
Porque não se fala que Zelaya, como a exemplo de países da America latina, hoje possuem uma unidade de interesses comum e ajuda mútua no campo político, econômico, social e cultural, que acaba diminuindo ou pelo menos dividindo a influência dos Estados Unidos no continente. Essa unidade queira ou não, se dá pelo Brasil com a seriedade política do Itamarati e pela Venezuela com excessos e atitudes galhofista. A realidade verdadeira se apresenta a nós, e muitas vezes não é a que gostaríamos, portanto o leitor não pode esquecer que nesta turbulência política há o dedo dos Estados Unidos, pois Zelaya havia costurado com Venezuela no campo petrolífero um acordo amplamente vantajoso a Honduras, atitude que irritou a classe política e amedrontou os interesses dos americanos.
Por isso, nunca devemos criar animosidades entre os países latinos, temos que ter paciência para sempre garantir um dialogo entre povos que sofreram historicamente à dominação portuguesa e espanhola. E saber que a gloria do povo Maya e Guarani são as matrizes primeiras de nossa nacionalidade.