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Vândalos invadem e saqueiam sede das Mães da Praça de Maio na Argentina

by jpereira last modified 2008-05-13 13:13

Para a presidente da entidade, Hebe de Bonafini, ação foi obra de setores ligados à ditadura militar

Para a presidente da entidade, Hebe de Bonafini, ação foi obra de setores ligados à ditadura militar

13/05/2008


Página 12

Durante a madrugada de domingo (11), pelo menos três pessoas entraram na sede e na Universidade da organização Mães da Praça de Maio, localizada em frente à Praça do Congresso, em Buenos Aires. “Isto é um sinal. Disseram à minha filha: 'estamos voltando'. Estão nos dizendo: 'estamos aqui, voltamos e quebramos com tudo que nos der na telha'”, avaliou Hebe de Bonafini, presidente da entidade. Ela se refiria aos roubos e à quebradeira que as instalações sofreram durante a ação dos criminosos. Segundo as Madres, não foram furtados objetos valiosos do ponto de vista financeiro, mas sim elementos com forte valor simbólico, como o lenço de Hebe, e pequenas quantias em dinheiro.


Os trabalhadores da feira das Madres avisaram Bonafini do ocorrido, ao perceberem que as portas dos estabelecimentos haviam sido forçadas “Encontramos tudo quebrado, jogado. Quebraram todas as portas dos escritórios e gavetas, mas levaram apenas um envelope com dinheiro e algumas coisas que estavam em uma bolsa”, detalhou Hebe. Foram furtados uma agenda “com poucas informações” e o lenço “com o qual eu vou às quintas-feiras na Praça de Maio, o que dá sinais claros da mensagem que nos quiseram deixar”. No envelope roubado, havia 5 mil pesos. Cheques que totalizavam 7 mil pesos – que seriam destinados ao pagamento de funcionários da rádio, televisores, aparelhos de DVD e painéis de controle que ficam no setor de imprensa e audiovisual não foram levados.


Depois de ligar para o ministro de Justiça e Direitos Humanos, Aníbal Fernández, Hebe de Bonafini chamou a polícia científica e fez os procedimentos legais. Pegadas de sapato foram encontradas e a polícia acredita que pelo menos três pessoas protagonizaram a ação. Também descobriram que as fechaduras das portas externas foram forçadas de “dentro para fora”, ou seja, que as quebraram para sair e não para entrar, afirmou uma fonte da polícia. Esse dado corrobora a a teoria de os autores do vandalismo “entraram no lugar na tarde de sábado [no local funciona uma livraria e um café, ou seja, é aberto para o público] e esperaram até o fim do dia para começar os estragos".


Massacre de Trelew

Em declaração à rádio das Mães, Hebe de Bonafini relacionou a agresão sofrida com um editorial que a organização fez pedindo para que as Forças Armadas agilizassem as investigações do Massacre de Trelew*. “Estamos fazendo denúncias fortes e esta é a resposta. Isso tudo é ruim, pois mostra que estão ativos”, disse, referindo-se aos setores vinculados com a última ditadura militar argentina, de 1976 a 1983.


Não é a primeira vez que Bonafini sofre agressões. Em 2002, sua filha Alexandra foi agredida, ameaçada e queimada com cigarros. No começo deste mês, sua filha também foi avisada por meio do porteiro do prédio em que vivem, da seguinte mensagem: “estamos fartos, vamos matar sua mãe”, e no dia seguinte encontrou duas pessoas suspeitas em frente a sua porta.


A presidente das Mães da Praça de Maio foi para a sede assim que soube da ocorrência e se retirou junto com outras “madres” que a acompanhavam, assim que as fechaduras e portas começaram a ser refeitas. “Eu digo que nos oferecem de tudo: segurança, nos oferecem custódia, mas a melhor maneira de cuidarem de nós é que ministros, secretários e a polícia investiguem e descubram quem foi capaz de fazer isso conosco. Se não, não nos serve”, finalizou.


* O Massacre de Trelew ou Fusilamentos de Trelew (província de Chubut, na Patagônia austral) foi o assassinato de 16 membros de diversas organizações guerrilheiras de esquerda, em 22 de agosto de 1972. Os militantes estavam detidos na prisão de Rawson. Após uma tentativa de fuga, foram recapturados e, posteriormente, fuzilados a mando do capitão Luis Emilio Sosa. Três sobreviveram, somando 19 militantes recapturados. O regime alegou que os matou durante a fuga, o que foi desmentido pelos sobreviventes que, depois, se tornaram desaparecidos políticos.



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