“Meu filho não nasceu uma sementinha do mal como dizem por aí”
Mônica Cunha, mãe de um adolescente morto pela polícia, critica o discurso preconceituoso do Exército
18/06/2008
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Raquel Junia,
do Rio de Janeiro (RJ)
A frase acima foi reproduzida por Ruth Sales, mãe de um jovem de 22 anos, que saiu recentemente do sistema penal. Ela conta que o filho foi internado aos 17 anos na primeira das mais de quatro instituições sócio-educativas pelas quais passou e acabou, quando atingiu a maioridade penal, na cadeia. Ela luta agora para que o filho consiga arrumar um emprego para concretizar um sonho que não passa de um direito: constituir uma casa para poder morar com a companheira e um filho.
Outra mãe presente no ato, Mônica Cunha, não pode hoje travar a mesma luta de Ruth, já que seu filho foi morto pela polícia. Rafael da Silva Cunha, filho de Ruth, também passou pelo sistema sócio-educativo, ingressou aos 15 anos, aos 17 foi internado pela última vez e aos 20 morreu. Ambas reclamam que o sistema não ajuda os jovens a se desvencilharem da situação criminosa.
“A única coisa que ele aprendeu dentro do sistema foi ficar mais violento. Quando eles saem e barbarizam a sociedade aqui fora com as coisas que fazem, isso é um reflexo do acontece com eles lá dentro”, denuncia Mônica
Emocionada, ela exige que o Estado ajude as mães a educar os filhos, em vez de tirar a vida deles. Mãe de três, ela diz que é muito difícil ver que hoje são apenas dois meninos. Ela e Ruth fazem parte do Movimento Moleque, uma união das mães dos adolescentes que cumprem medidas sócio-educativas.
“Meu filho saiu de mim, e não saiu uma sementinha do mal como dizem por aí. Quando ele nasceu, o médico disse apenas se era do sexo feminino ou masculino, eu nunca ouvi falar que um médico dissesse quando a criança nasce que ela é bandida”, criticou Mônica, fazendo referência a expressão atribuída ao Exército de que “as crianças da favela” são sementes do mal.












