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Ao lado do movimento social

by Admin last modified 2009-06-26 12:04

Surdos ligados ao ensino de Libras tomam parte em atividades da Assembleia Popular e do movimento social

26/06/2009


de Curitiba (PR)


Em Curitiba, surdos ligados à educação em Libras avaliam como positiva a inserção em organizações de esquerda e a presença em atividades do movimento social. Durante o mutirão da Via Campesina e Assembléia Popular (realizado no início de junho) foi organizado um debate entre o MST e a associação de surdos.


“Não é uma luta isolada, lutamos por trabalho, é uma luta como a do movimento negro, das minorias, a mesma luta social. A união é importante porque fortalece”, avalia o surdo Jeferson Diego de Jesus. Na avaliação de Paulo Bearzoti Filho, presidente municipal do Psol, os surdos “constituem um setor da classe trabalhadora. São trabalhadores prejudicados no direito político ao uso de sua língua natural”, analisa.


O ato de protesto da comunidade surda, realizado no dia 1º de junho, obteve o apoio do Sindicato da Associação dos Professores do Paraná (APP-Sindicato). A comunidade surda, porém, avalia que esta é uma construção que está apenas iniciando, uma vez que a maioria dos professores ainda não têm acesso a este debate.


A maioria dos surdos entrevistados pela reportagem estão organizados em associação e conseguiram freqüentar um curso universitário – apesar dos atropelos e inconvenientes causados pelo ensino curricular normal. Ainda assim, históricas como a de Elizanete Fávaro revela a exploração a que são submetidas as pessoas surdas. Ela trabalhou como doméstica entre oito e quatorze anos. A não utilização de linguagem de sinais limitou o seu acesso ao conhecimento, por não compreender a linguagem oral. “Quando fiz supletivo não tinha amigos e só fazia cópias na sala de aula. Os meus conhecimentos já adulta não correspondiam à formação que tive”, lamenta Elizanete, que hoje estuda pedagogia e cursou vestibular de Letras Libras em 2006, na Universidade Federal – onde a Libras ganha o mesmo peso de outras línguas como alemão e francês.


Muitas vezes inseridos na linha de produção de fábricas, por conta da lei que obriga preenchimento de 2 a 5% dos cargos com pessoas portadoras de deficiência (onde ainda são enquadrados por lei), os surdos denunciam a impossibilidade de mudança de cargos e a exploração a que são submetidos pela falta de comunicação no interior das empresas e fábricas.


Com a linguagem em mãos

Jeferson Diego de Jesus teve de enfrentar da quinta a oitava série sem o auxílio de um intérprete em sala de aula. Mais tarde, em cursos universitários particulares, deparou-se com intérpretes sem o menor conhecimento da sua língua.


Eloir Aparecido Montanher, por sua vez, durante a infância precisava conversar de maneira clandestina, se quisesse usar a linguagem de sinais, na qual se identificava. O contato com a gramática sempre foi um empecilho para todos eles. Daí que uma das bandeiras da comunidade surda é a aceitação da Libras como primeira língua e, ademais, o reconhecimento de que os surdos são bilíngües. A falta de domínio na gramática reflete, na realidade, a sua dificuldade no acesso à oralização. A Linguística tem sido uma ciência que dá mais atenção à escrita que à fala oral.


As palavras são ensinadas, muitas delas sem o seu contexto e sentido. “Eu era muito nervoso e agitado. Nunca tirei uma nota azul em português, tenho trauma de redação. As palavras viravam imagens em seqüência, eu escrevia errado, professores riam muito de mim e eu não sabia que o meu texto estava errado”, comenta Montanher.


A surda e instrutora de Libras Rosani Suzin também provou os preconceitos na escola. “Os professores não aceitavam o que chamavam de língua de macacos. Foram anos de sofrimento. Queremos mostrar que a Libras é uma cultura”, aponta. (PC)


Comentários - 1

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1 Heloir Aparecido Montanher - 29-06-2009 - 16:35:12h

Problema meu nome...
Ola prezador Senhor!

Muito obrigado pelo jornal, mas infelizmente meu nome erro Eloir, certo Heloir, falta "H", só isso... Sou masculino, todos que pensam sou mulher Eloir, não é verdade. Meu nome certo Heloir Aparecido Montanher...

Aguardo o retorno...

Heloir Aparecido Montanher