Após pressão, governo abre negociações com sem-teto
Uma nova reunião foi marcada para quarta-feira (dia 4) com o objetivo de tentar solucionar o problema da falta de moradia na região de Itapecerida da Serra e Taboão, periferia de São Paulo
02/04/2007
Renato Godoy de Toledo,
da redação
A marcha que o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) promoveu na sexta-feira (30 de março), em São Paulo, forçou o governador José Serra (PSDB) a abrir negociações para tentar solucionar a situação de cerca de 2 mil famílias que há duas semanas permanecem no acampamento João Cândido, em Itapecerica da Serra.
Após a manifestação, que contou com cerca de 5 mil pessoas, segundo o movimento, três militantes do MTST e assessores dos deputados estaduais Carlos Gianazzi (PSOL) e Simão Pedro (PT) se reuniram com o secretário-adjunto de Habitação, Ulrich Hoffmann.
Segundo Jota, da coordenação do MTST, o governo se comprometeu verbalmente a tentar adiar o cumprimento da reintegração de posse, que foi proferido pela juíza de Itapecerica da Serra dois dias após a ocupação. Inicialmente, a ação da Polícia Militar estava prevista para esta segunda-feira (dia 2) e o governo sinalizou que pretende negociar com o Judiciário para adiar a reintegração
Porém, o dirigente diz não confiar plenamente na palavra do governo. “O governo já rompeu termos de compromisso várias vezes. Com a pressão do proprietário do terreno sobre o Judiciário, podemos ser despejados a qualquer momento”, afirma Jota.
Na reunião com o representante da Secretaria de Habitação foi estabelecido um novo encontro, agendado para a quarta-feira (dia 4). Além de representantes do movimento e do governo estadual, participarão o prefeito de Itapecerica da Serra, Jorge da Costa (PMDB) e um representante do Ministério das Cidades.
Programas habitacionais
O governo estadual já adiantou que pretende incluir as famílias acampadas em programas de habitação, em parceria com o governo federal. “Vamos exigir do governo políticas públicas habitacionais efetivas para a região de Itapecerica e Taboão da Serra”, diz Jota.
O militante do MTST acredita que o acampamento João Cândido, bem como a marcha do último dia 30, tem entusiasmado os sem-teto na luta pela moradia e por mudanças sociais. “Apesar da exaustão física, após a marcha, voltamos mais aguerridos, com uma maior identidade coletiva e cientes do nosso papel de protagonistas da luta pela moradia”, considera Jota.
O dirigente estadual do movimento acredita que a luta pela moradia está ganhando novo fôlego e visibilidade na sociedade. “O governo sabe que se formos despejados iremos ocupar outro terreno”, avalia.















