Déficit habitacional na cidade de São Paulo ultrapassa um milhão de moradias
Segundo o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Douros, a situação exige uma política nacional de desapropriação de terrenos ociosos e subsídios para financiamento de moradias para famílias de baixa renda
07/08/2008
Juliano Domingues,
de São Paulo (Radioagência NP)
Mais de três milhões de paulistanos vivem em aproximadamente 1.5 mil favelas e nos mais de mil loteamentos irregulares da cidade. São pessoas que ocupam áreas com infra-estrutura urbana precária, à espera de regularização. Boa parte ocupando mananciais que, por lei, não podem ser urbanizados. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, o déficit habitacional na capital pode chegar a 1.5 milhão de moradias.
Recursos listados no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e no Fundo Nacional de Habitação devem investir cerca de R$ 1.7 bilhão em moradia no Brasil - com o objetivo de urbanização das favelas. Tal oferta de crédito, por um lado aquece o mercado imobiliário, mas por outro pode gerar mais especulação imobiliária e encarecimento do preço de terrenos na cidade, fato que inviabiliza a compra de lotes pela população de baixa renda.
Segundo o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Douros, a situação exige uma política nacional de desapropriação de terrenos ociosos e subsídios para financiamento de moradias para famílias de baixa renda.
“86% do déficit habitacional se concentra em famílias que ganham até três salários mínimos e a maioria dos programas existentes não envolvem essas famílias. Isso só pode ser feito com subsídio, porque essas famílias, devido a sua situação econômica, não têm capacidade de adquirir um financiamento.”
Guilherme adverte que setores ligados à construção civil devem atuar no financiamento da campanha dos candidatos à prefeitura em São Paulo, em troca de favores, fato que contribui para agravar ainda mais a especulação imobiliária na cidade.















