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Demarcação de terras indígenas enfrenta reações racistas no MS

by jpereira — last modified 2008-05-08 12:04

Parlamentares e representantes do governo do Mato Grosso do Sul já se organizam de forma contrária ao reconhecimento dos direitos Constitucionais dos Povos Indígenas


08/05/2008

Cristiano Navarro

de Dourados (MS)


Depois de uma espera angustiante de mais de cinco anos, o Estado Brasileiro ouviu as lideranças Guarani Kaiowá e firmou um acordo para reiniciar os estudos antropológicos para demarcação física dos seus territórios.


Por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em 12 de novembro do ano passado, entre o Ministério da Justiça, Ministério Público Federal e Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e 23 lideranças indígenas, ficou acordado para primeira semana de maio, o início dos trabalhos de seis Grupos Técnicos que irão identificar e limitar 36 terras indígenas do povo Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, por meio de estudos antropológicos. O prazo final para entrega dos trabalhos está previsto para abril de 2010.


Este TAC atende parte de uma das maiores demandas indígena por terra no Brasil -- ao todo são mais de 100 terras tradicionais Guarani Kaiowá por demarcar no Mato Grosso do Sul. Devido ao confinamento em que se encontra, em média menos de um hectare por pessoa, a população de 40 mil Guarani Kaiowá vive os dramas dos mais altos índices de assassinatos, suicídios e de fome entre os povos indígenas no Brasil.


No entanto, apesar de toda a urgência em reconhecer as terras Guarani Kaiowá, parlamentares e representantes do governo do Estado do Mato Grosso do Sul já se organizam de forma contrária ao reconhecimento dos direitos Constitucionais dos Povos Indígenas.


Em um manifesto divulgado dia oito de abril, 15 representantes da Assembléia Legislativa do estado ignoraram a Constituição Federal e declararam sua posição contraria ao reconhecimento a terra. No entendimento dos parlamentares os Guarani Kaiowá não têm direito de retornar às terras de onde foram expulsos pelos fazendeiros. “A demarcação de terras particulares em lugar de terras indígenas constitui ofensa ao direito de propriedade, ao devido processo legal ao controle do poder jurisdicional, enfim, ofensa à segurança jurídica e ao Estado democrático de direito”, esbravejam os deputados no manifesto.


Em pronunciamento na assembléia legislativa o deputado estadual, Zé Teixeira (DEM), foi além, contestando a identidade do povo Guarani Kaiowá. 'Qual é o hábito e o costume que o índio tem numa propriedade que ele não vive há mais de 40 anos', afirmou o deputado, que complementou, 'como vendeu terra de índio, se (o índio) nunca foi dono de nada?'.


Porém, ao contrário do que argumenta Zé Teixeira, se sabe que as terras têm comprovações históricas recentes e antropológicas incontestáveis. Em algumas destas terras, inclusive, inúmeras famílias permanecem vivendo aldeados à beira das estradas e nos fundos das fazendas em restos de mata.

Em apoio à iniciativa dos parlamentares, na última segunda-feira, o governador em exercício, Jerson Domingos, declarou estar mobilizando os prefeitos dos municípios das regiões de Dourados e Aquidauana (no oeste do estado) para entrarem na justiça com pedidos de liminar com objetivo de inviabilizar o começo dos trabalhos dos Grupos Técnicos. Domingos tem afirmado que o cumprimento do TAC para demarcação das terras Guarani Kaiowá pode acarretar em conflitos entre a polícia, fazendeiro e índios. Seria “uma carnificina”, aterroriza o vice-governador.


Manifestações mais explícitas de preconceito

Na região de Dourados as manifestações públicas de preconceito têm endereço político certo: a defesa dos interesses dos latifundiários. Com a iminência da vinda dos Grupos Técnicos para demarcação das terras indígenas, um dos alvos mais mirados pelos antiindígenas atualmente tem sido a administração da FUNAI.


Nas últimas semanas a administradora da FUNAI, Margarida Fátima Nicolleti, tem sido duramente criticada por políticos ligados aos fazendeiros e pelos meios de comunicação.


Margarida impediu novas construções de templos evangélicos em terras indígenas sem o consentimento das comunidades, o arrendamento das terras para produção de soja e as adoções de crianças indígenas sem o devido acompanhamento. Apesar de apenas estar cumprindo com suas funções, as críticas tem sido constante. “Com todas as críticas, sabemos que o alvo da campanha contra a FUNAI não sou eu ou seus funcionários, mas sim os estudos de demarcação que já estão em curso”, esclarece Margarida.


No último dia 26 de março, administradora da FUNAI recebeu em seu escritório uma recomendação aprovado em sessão ordinária pela Câmara Municipal de Iguatemi -- Município que tem pelo menos 30 % de sua população indígena – pedindo para que a FUNAI tomasse providências urgentes contra os indígenas que fazem moradias na cidade e perambulam “embriagados se mantendo da coleta e sobra de lixos”.


O documento com o pedido de providências da Câmara Municipal de Iguatemi, que foi encaminhado também a senadores, deputados federais e estaduais, baseia-se em preocupações econômicas para pedir as providências urgentes do órgão indigenista. “Atualmente com a reabertura do frigorífico, Iguatemi estará progredindo em todos os sentidos, e, é uma vergonha para nossa cidade deixar tal situação exposta aos olhos de futuros investidores e empresários”, afirmam os vereadores. (Cimi/MS)

Comentários - 22

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1 julio cezar miranda - 08-08-2008 - 21:18:24h

demarcação de terras

seria interessante e salutar esclarecer que se depois de demarcadas as requeridas areas de terras, como às mesmas seriam utilizadas pelos indigenas...

2 EMY LEME - 21-08-2008 - 11:28:01h

ISSO TUDO É UM ABSURDO

SE OS ÍNDIOS MAL SABEM CUIDAR DO POUCO DE TERRAS Q TEM IMAGINA COM TANTA TERRA Q TÁ PREVISTO PARA ELES GANHAR

3 Paula - 27-08-2008 - 10:57:47h

ABSURDO

Quero ver se o governo vai sustentar tantas familias que perderão seu ganha pão, que são essas terras! Afinal, os índios tem tudo de graça... alimentação, saúde, não podem trabalhar (isso faria mau à eles), quero ver se teremos tudo isso tambem!

4 Cristiane - 11-08-2008 - 19:18:59h

Cristiane

Éimportante para todos nós brasileiros refletir sobre o desenvolvimento econômico do nosso Pais e qual será a consequencia das demarcações de terras para os indígenas,já que o estado MS é um dos maiores produtores de alimetos do Pais.Já pensaram a respeito?

5 patacho - 19-08-2009 - 09:34:24h

indio e usina
Eu sou da tribo patacho e estou preocupado porque as usinas estão arrendando terras que podem ser demarcadas e agora será q elas estão pensando na indenização ou na verdade não vai ter demarcação apenas estão precionando os produtores indecisos para arrendar terra para as usinas.

6 Algusto de Alemeida cavalcante - 25-08-2008 - 01:54:51h

indio

Indio só serve pra toma cachaça!!!!

imagina se isso vira moda....nos vamos voltar a 1500

só no Brasil acontece essas coisas mesmo...

7 Douradense - 02-04-2009 - 10:42:54h

MS
Caros colegas...a porra da soja que esses fazendeiros de merda produzem é para alimentar vacas francesas, holandesas e alemãs... Mato Grosso do Sul é grande para caralho, maior que a alemanha e tem 2 milhões de habitantes, sendo que 700 mil vivem na capital...Então antes de vcs falarem merda aprendam a ler e a estudar, eu defendo uma agricultura familiar...com o comercio voltado para o BR mesmo...não alimentar vaca holandesa...

8 Romario - 27-08-2008 - 21:23:51h

Uma Barbaridade!!!!!!

Uma coisa queria saber... de onde veio essa idéia?? Se uma coisa dessas vem a se concretizar realmente, o que teriamos seria uma "bela" guerra civil! E eu teria prazer em entrar na briga!!

Nas poucas terras que tem, não fazem nada de útil, só sabem se embriagar e marginalizar, quem mora perto de aldeia pode confirmar o que digo aqui! Aah... parece brincadeira... só no Brasilzao mesmo!

9 b - 29-08-2008 - 18:26:38h

Nômades ou Fixos?

Se os indios Guarani-Kadiwéus são nômades como é que existem terras de tradicional ocupação desses póvos? E mais, muito mais raoável do que esta demarcação absurda seria a integração do indígena à sociedade, acabando de uma vez com essa estória de índio ou branco, somos todos homo-sapiens e eu, para ter e manter o pouco que tenho, tenho que trabalhar muito...

10 Elismaiquy - 03-09-2008 - 14:50:30h

O que Penso?

Quando me falam de demarcação, logo olho pelos dois lados dessa disputa. Vejo que os índios necessitam de mais espaços para a suas atividades(Plantação, Colheita,e entre outras diversas "coisas" que precisam para a sua sobrevivência).

11 VANESSA - 04-09-2008 - 21:21:43h

ISSO SIM É TERRORISMO!!!

ISSO PARA MIM É UM ABSURDO,HOJE NÃO SOMOS DONOS DE MAIS DE NADA?TUDO QUE COM MUITO TRABALHO SE FOI ADQUIRIDO,DE UMA HORA PARA OUTRA ALGUEM FALA QUE NÃO É MAIS SEU?OQUE NOS ESPERA O DIA DE AMANHA?ONDE VAMOS MORAR?DO QUE VAMOS VIVER?SÃO MUITAS PERGUNTAS SEM RESPOSTAS.SERÁ QUE O GOVERNO VAI NOS BANCAR TBM COMO FAZEM COM OS INDIOS?NÃO QUEREMOS NADA DE GRAÇA QUEREMOS SOMENTE PERMANECER COM OQUE É NOSSO E CONTINUAR TRABALANDO EM PAZ.ISSO É REVOLTANTE TIRA O SONO DE QUALQUER UM,AGORA SIM QUERO VER SE ESSE PAIS VAI PRA FRENTE,VÃO LA VER COMO ESTA O PANAMBIZINHO, TUDO VAZIO ,CIDADE FANTASMA,OS INDIOS ACABARAM COM TUDO QUE OS PRODUTORES LEVARAM ANOS PRA CONSTRUIR, ONDE ESTÃO NOSSOS DIREITOS TBM SOMOS CIDADOES E MERECEMOS SER RESPEITADOS.

12 jOÃO - 05-09-2008 - 11:55:02h

REFERENTE AS CRÍTICA SOBRE DEMARCAÇAO DE TERRAS INDIGENAS

Com todo respeito a todos que criticaram sobre as demarcações de terras indigenas. Antes de mais nada, Prestem muita atenção antes de expressar as sua idéias sobre este referido assunto. vc ñ é proibido a falar, mas procurem se embasar ou usar as suas críticas ou os seus argumentos baseado nos dispositvos legais fundamentada conforme a legislação. Caso for ao contrario, não adianta nem vc tocar e criticar o referido assunto sem ter nenhum conhecimento baseada nas fundamentações legais. Atenciosamemte !!!!