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'Folha' mexeu com nossa consciência, diz Júlio Lancelotti

by Admin last modified 2009-03-10 10:49

Presente no ato do Movimento dos Sem Mídia contra a Folha de S.Paulo e o uso do termo “ditabranda”, o padre Júlio Lancelotti falou sobre a atuação do jornal e a manipulação da grande mídia

10/03/2009


André Cintra

De São Paulo,

Vermelho


A inesperada presença do padre Júlio Lancelotti só fez engrandecer o ato do Movimento dos Sem Mídia contra a Folha de S.Paulo e o uso do termo “ditabranda”, no último sábado (7), em frente à sede do jornal paulista. Muito aplaudido pelos presentes, Lancelotti disparou: “A imprensa nos tortura psicologicamente, estupra a consciência do povo”. Pouco depois de seu discurso, o padre — que é ligado às pastorais do Menor e do Povo de Rua, em São Paulo — falou ao Vermelho.


Sua participação no ato não era aguardada. O que o motivou a fazer parte do protesto?

Ofender pessoas como a professora Maria Benevides e o professor Fábio Comparato, ofender a história do Brasil, ofender a história dos torturados e de suas famílias, dos mortos e desaparecidos — tudo isso que a Folha fez mexe com a consciência de todos nós. Não podemos aceitar uma coisa como essa, temos de reagir — e eu vim aqui para reagir.


O ato lhe surpreendeu?

A gente sabe que sofre nas mãos dessa mídia elitista, dos jornalões. A verdade que eles mostram é a verdade da cabeça deles. Pouco importa quantos somos. Viemos aqui em nome da liberdade e da ética.


Você teve de deixar um compromisso para participar, não?

Sim, eu estava lá em outro compromisso, numa peregrinação. Acompanhei o povo e depois disse que viria para cá trazer nosso grito.


Você próprio foi alvo da manipulação de setores da grande mídia (em 2007, Lancelotti denunciou uma quadrilha que lhe extorquiu cerca de R$ 80 mil. Alguns veículos, no entanto, endossaram a versão da defesa, que, entre outras coisas, acusou o padre de “corrupção de menor”. Na Veja, por exemplo, Diogo Mainardi o chamou de “Michael Jackson do Belenzinho”). Essa história passou por sua cabeça enquanto você discursava?

Isso ainda mexe com a emoção e machuca. Mostra que qualquer um de nós pode ser alvo dos interesses políticos, ideológicos e econômicos que movimentam os jornalões.