Para 'Folha', repórter presa pelo regime 'abandonou' emprego
O que a família Frias queria? Ela deveria continuar trabalhando de dentro da cadeia? Talvez, com um bloquinho na mão devesse obter uma entrevista exclusiva com Fleury?
10/03/2009
Rodrigo Vianna,
No dia 9 de dezembro de 1969, a jornalista Rose Nogueira estava presa no Deops de São Paulo, sob a guarda do delegado Fleury - conhecido assassino e torturador. No mesmo dia 9 de dezembro de 1969, a Folha de S. Paulo demitiu Rose por "abandono de emprego". Parece uma piada de mau gosto. Mas aconteceu.
A história de Rose - que foi presa em São Paulo, no dia 4 de dezembro de 1969 - já era conhecida, graças ao belíssmo artigo que ela publicou no livro Tiradentes, um Presídio da Ditadura; artigo que foi reproduzido esta semana pelo Azenha (clique aqui para ler).
Mas, nada como observar as provas materiais. Por isso, reproduzo agora a ficha do Departamento Pessoal da Folha, mostrando até que ponto ia o jornal dos Frias em sua parceria com a ditadura.

Reparem abaixo que uma outra ficha do jornal traz anotações à mão. Há uma observação curiosa: Rose teria direito, segundo o jornal, a licença-maternidade de 90 dias. Mas, a licença teria vencido no dia 10/11/69 (a data, aliás, está rasurada). Ou seja, a licença terminou quando Rose já estava presa (e sob tortura) há 6 dias.

O que a família Frias queria? Ela deveria continuar trabalhando de dentro da cadeia? Talvez, com um bloquinho na mão devesse obter uma entrevista exclusiva com Fleury?