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Estudantes mantêm ocupação na reitoria da USP

by jpereira — last modified 2007-05-10 17:56

Após reunião com manifestantes, direção da Universidade atendeu a algumas reivindicações; ocupação, porém, será mantida

09/05/2007

Dafne Melo
da Redação

Diante da falta de diálogo por parte da direção da Universidade de São Paulo (USP), estudantes decidiram, na tarde do dia 3, ocupar o prédio onde funciona o gabinete da reitoria. Nesse mesmo dia, estava marcada uma audiência pública entre o órgão e os estudantes, onde se esperava um posicionamento da reitoria em relação a decretos editados pelo governador José Serra (PSDB) ainda em janeiro, primeiro mês de seu governo. Além disso, os estudantes também iriam entregar uma carta de reivindicação com outros 13 pontos. Entretanto, nenhum representante da reitoria compareceu.

A reportagem do Brasil de Fato esteve presente na ocupação e conversou com diversos estudantes que pediram para não se identificar por motivos de segurança, pois temem sofrer represálias por parte da direção da universidade. "Como não foram à audiência, decidimos levar nossa carta de reivindicações até o prédio do gabinete da reitora [Suely Vilela]. Lá, fomos impedidos de entrar pelos seguranças e, então, acabamos forçando a entrada", conta um dos manifestantes. O estudante afirma que a maioria dos funcionários já tinha ido embora e - ao contrário do que noticiou a grande imprensa - apenas uma porta e um vidro foram quebrados.

"A Folha [de S.Paulo] publicou que nós quebramos os móveis, mas, na verdade, nós desmontamos os móveis que eram desmontáveis justamente para tomar cuidado com o patrimônio público, todos os armários estão trancados para que os documentos fiquem seguros", afirmou.

Reivindicações

"Desde que saíram os decretos, tem havido um processo de mobilização e discussão entre os estudantes", diz nota feita pela comissão de imprensa da ocupação. Além disso, com o progressivo sucateamento das universidades estaduais paulistas, acumulam-se as pautas de reivindicação. Dentre elas: formulação de um projeto, em conjunto com os estudantes, para a construção de mais moradias estudantis; abertura do Conselho Universitário (CO) à participação dos estudantes, funcionários e professores; contratação imediata de professores e funcionários, de acordo com as demandas de cada unidade da USP; e reconstrução e manutenção dos prédios que apresentem tais necessidades. Entre eles está um dos prédios da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, que inundou com as fortes chuvas do mês de março na capital.

Outra demanda da ocupação é que nenhuma punição - sindicâncias ou demais processos administrativos e repressivos - seja tomada contra os alunos. Em reunião feita ainda no dia 3, o vice-reitor Franco Maria Lajolo assinou um termo de compromisso, diante da comissão de negociações, que garantia que os estudantes não sofrerão nenhum tipo de retaliação. Depois, em declarações à imprensa, desmentiu o fato.

Organização

Diariamente, calcula-se que cerca de mil estudantes passem pela ocupação. Nas assembléias feitas diariamente para definir os rumos da ocupação, há um mínimo de 300. Desde a primeira delas, ficou decidida a criação de comissões para organizar a mobilização e manter o espaço da reitoria em ordem. São elas: alimentação, limpeza, negociação, segurança, cultura e comunicação. Essa última tem ficado responsável por intermediar a relação com a imprensa. "A cobertura dá destaque a uma suposta depredação do patrimônio público e à violência", diz uma estudante participante da comissão de imprensa, para quem o tratamento dado à ocupação é esperado, tendo-se em vista a tradição de criminalizar os movimentos sociais.

"A cobertura da grande mídia sobre educação já é falha, sempre vendo apenas o lado ‘oficial’ e nunca a posição do movimento estudantil", completa. Outra tarefa dessa comissão é manter o blog sobre a ocupação atualizado diversas vezes por dia: http://ocupacaousp.blog.terra.com.br. Os estudantes também montaram uma rádio que pode ser ouvida pela internet no endereço: http://streaming.paraguas.org:8000/radio.ogg

Negociação

Desde o início da ocupação, foram feitas seis reuniões com a reitoria. As cinco primeiras com Lajolo que, de acordo com os estudantes, se esquivou de todas as reivindicações. A última reunião antes do fechamento desta edição, feita na tarde do dia 8, foi com a própria reitora, Suely Vilela, recém chegada de uma viagem à Espanha.

Nesse encontro, a direção da USP começou a ceder. Suely se comprometeu, dentre outras coisas, a disponilizar moradias estudantis no campus da capital (mais 198 vagas), de Ribeirão Preto (68 vagas) e São Carlos (também 68); convocar, dentro de sete dias, uma reunião do CO para definir a realização de uma audiência pública sobre os decretos de Serra; e a encaminhar projetos de reformas nos prédios da FFLCH, do Instituto de Matemática e Estatística (IME) e do Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional (Fofito). No final do mesmo dia, uma nova assembléia foi feita pelos estudantes que deliberaram manter a ocupação e convocar um greve para o dia 17.

Apoio

Para fortalecer o movimento, membros da ocupação também têm procurado mobilizar estudantes nas unidades. "Ocupação está acontecendo aqui e agora, mas estamos fazendo mobilização, panfletagens e passando nas salas de aula", informam.

Desde o dia 3, as moções de apoio à ocupação têm aumentado. A Associação dos Docentes da USP (Adusp), o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) e o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência no Estado de São Paulo (Sinsprev/SP) são algumas das entidades que se manifestaram a favor da mobilização.

Comentários - 1

Página 1

1 Rodrigo Gonçalves de Souza - 10-05-2007 - 18:37:31h

Mídia

Há muito se tagarela sobre a plutocracia da grande imprensa, etc. Falta agir contundentemente. Porque não organizar atos em frente a Rede Globo, Veja e à Folha de São Paulo, paralisando as atividades das redes, denunciando o bloco monolítico da parcialidade destas em nome de uma ideologia plutocrata (falsamente chamada de liberal), exigindo cumprir as leis sobre a função pública da concessão? Mobilizando para isso um número significativo de manifestanes de diversos movimentos, incluindo o estudantil? Na atual conjuntura, teria sim um certo apoio popular.

Agir, Agir, Agir. O que se tem MAIS a perder?


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