Estudantes ocupam reitoria da Federal do Paraná
Objetivo da mobilização é conseguir a realização de um plebiscito com a comunidade acadêmica para decidir se a UFPR deve aderir ao Reuni, programa do governo federal criticado pelas organizações estudantis
Pedro Carrano,
de Curitiba (PR)
Cerca de 120 estudantes de diferentes cursos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) ocuparam na tarde de ontem a reitoria da Universidade. A mobilização tem caráter pacífico e deve ser mantida até o reitor da universidade, Carlos Moreira Júnior, retire o item de votação do Reuni da pauta do Conselho Universitário (COUN).
Os estudantes exigem que a decisão sobre a adesão da Federal do Paraná ao Reuni seja tomada a partir de um plebiscito com a comunidade acadêmica – estudantes, professores e servidores técnicos. Isto porque, para eles, o Conselho não é um espaço representativo dos estudantes e servidores, que representam apenas 30% dos componentes deste espaço.
O movimento estudantil já havia realizado um ato de protesto contra o Reuni, no dia 10 de outubro (leia reportagem). Desta vez, novamente houve marcha partindo de diferentes campi na direção da reitoria. A votação do Reuni no COUN estava marcada para a hoje e foi adiada para a próxima semana. Mesmo assim, como a decisão da Universidade é iminente, os estudantes decidiram, em assembléia, ocupar a reitoria. Com o ato, esperam mobilizar a base de estudantes para que se somem ao movimento e exijam o plebiscito.
“O Conselho Universitário tem prevista a aprovação do Reuni, mas o Conselho não é um órgão representativo, não é democrático e legítimo. A ocupação é uma forma que o movimento estudantil encontrou para fazer pressão política. Para fazer o plebiscito, o momento mais importante talvez seja este momento prévio, na campanha de conscientização com os estudantes”, explica a estudante de Jornalismo, Naiady Piva.
Reuni
O Programa de Apoio aos Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), do Ministério da Educação (MEC), foi aprovado como decreto presidencial de número 6096, no dia 24 de abril de 2007.
Em essência, o programa do MEC prevê que, para receber recursos do governo, as universidades devem cumprir metas estabelecida, aumentando, por exemplo, a relação de 1 professor para cada 18 alunos – atualmente, a média nacional está em 1 para 10.
Para cumprir tal decreto, é exigido o aumento do número de alunos na universidade (entre 70 e 300% segundo o Andes-Sindicato). De acordo com os estudantes, a ampliação do acesso à universidade é necessária, mas o aumento de vagas previsto pelo Reuni não vem acompanhado de investimento em infra-estrutura e ampliação do quadro de docentes. Os professores ficam sobrecarregados com esta situação – e sem aumento no salário.
Outra meta estabelecida pelo Reuni diz que as universidades devem elevar a taxa média de conclusão dos cursos para 90%. Na Federal do Paraná, por exemplo, este teto está hoje em 55%. Noutros países, a taxa de conclusão dos cursos é de 70%, porém, vem acompanhada de investimentos na universidade. Como o projeto não é obrigatório, cada universidade federal têm até o dia 29 para decidir. O debate com a comunidade acadêmica é visto como imprescindível.
De acordo o manifesto escrito pelo movimento estudantil na UFPR: “Os estudantes sempre defenderam a universidade como uma instituição de direito público, básico e universal. Partindo dessa premissa, reivindicamos políticas de acesso e permanência à universidade. Entretanto, essas bandeiras não podem ser confundidas com as metas e índices do governo, decretados por meio do REUNI, que gera uma falsa democratização da educação universitária” (Leia a íntegra do manifesto abaixo).
Blog da ocupação: forareuni.wordpress.com
e-mail: ufprocupada@gmail.com