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Estudantes protestam contra Reuni

by jpereira — last modified 2007-10-11 16:25

Cerca de 300 estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) participam de passeata contra o decreto presidencial; críticas às metas definidas pelo programa do governo Lula


11/10/2007


Pedro Carrano,
de Curitiba (PR)


Estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) fizeram uma caminhada, em Curitiba (PR), em protesto contra o Reuni – decreto do governo federal em vias de ser aprovado pelo Conselho Universitário da UFPR, no próximo dia 18 de outubro. Em alguns Estados, universidades estão adiando a decisão devido à pressão dos estudantes.

Em ato convocado pela Frente Contra a Reforma Universitária, os estudantes partiram de diferentes campi em direção à reitoria da universidade, para entregar ao reitor um documento contra a aprovação do Reuni. Foram recebidos pela vice-reitora, Márcia Helena Mendonça, que não revelou sua posição sobre o programa.

Os estudantes criticam os princípios do Reuni. Para receber recursos do MEC, as universidades devem cumprir metas como a elevação da taxa média de conclusão dos cursos para 90%. Na Federal do Paraná, por exemplo, este teto está hoje em 55%. Noutros países, a taxa de conclusão dos cursos é de 70%, porém, vem acompanhada de investimentos na universidade, que se refletem na qualidade do ensino. “Os melhores índices do mundo são decorrentes de altos investimentos por estudante, enquanto o Reuni diminui em 50% este investimento por estudante”, afirma Alexandra Bandoli, estudante de Ciências Sociais.

Outra meta estabelecida pelo Reuni é a relação de 1 professor para cada 18 alunos – atualmente, a média nacional está em 1 para 10. Para cumprir o decreto, é exigido o aumento do número de alunos na universidade (entre 70 e 300% segundo o Andes-Sindicato). De acordo com os estudantes, a ampliação do acesso à universidade é necessária, mas o aumento de vagas previsto pelo Reuni não vem acompanhado de investimento em infra-estrutura e ampliação do quadro de docentes. Os professores ficam sobrecarregados com esta situação – e sem aumento no salário.

“Isto aumenta a carga de trabalho dos professores, que já trabalham em sala de aula, na pós-graduação e pesquisa. Além disso, o que estamos discutindo é que estarão contratando, na maior parte, professores substitutos para suprir a demanda”, afirma Cristiane Coradin, estudante de Agronomia.

Os estudantes enxergaram a mobilização como positiva, devido à presença daqueles que não estavam organizados. “A mobilização aponta sinais de mudança. Como cada setor tem que aprovar o programa, isto forçou vários cursos a discutir o Reuni”, comenta Bernardo Paim, citando o caso do curso de Nutrição, cujos estudantes organizaram uma paralisação decidida em assembléia ampla.

O que é:

O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), instituído pelo Decreto nº 6096 (abril de 2007), é uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) de apoio a planos de reestruturação e expansão das Universidades Federais. Para receber os recursos do ministério, as universidades devem cumprir duas metas básicas: atingir a média de 18 alunos por professor e diplomar 90% dos alunos ingressos. Para isso, as universidades devem aumentar o número de alunos. De acordo com a Frente Contra a Reforma Universitária: “Na prática, aumenta-se o número de estudantes sem aumentar o número de professores, o que resulta em salas mais cheias; maior exploração do professor que continua a receber o mesmo salário e trabalha mais”.

Mais informações:

Sindicato Nacional dos Docentes de Ensino Superior

Reuni

Comentários - 10

Página 1

1 Paulo Gilberto - 12-10-2007 - 12:51:46h

Protesto de estudantes na UFPr

Sinto saudades do meu tempo de movimento estudantil secundarista, onde junto com outros valorosos companheiros ajudei a combater a ditadura, naqueles tempos em que Grêmio Estudantil era visto como trincheira. Infelizmente, não pude participar do movimento estudantil universitário porque somente consegui estudar em universidade privada (por uns dois anos) e aí não sobrava tempo para dupla militância (sindical/estudantil). Devo esclarecer também que fui obrigado a um lapso de tempo de cerca de 12 anos para retornar à universidade e concluir minha formação (hoje sou mais um professor pós-graduado). O que sempre me deixou muito triste no entanto, além da falta de recursos para pagar a universidade foi o fato de ver meus colegas (alguns fascistóides) entrando na UFRGS e graduando-se enquanto eu e milhões de filhos de operários não tínhamos como pagar "cursinho" pré-vestibular. Assim, em que pese o governo Lula ter cometido vários erros estratégicos, peço humildemente aos estudantes da federais: deixem os pobres entrarem na universidade e misturem-se com eles, experimentem algumas dificuldades na vida e se não gostarem do cheiro da pobreza (que é esse o maior problema, pois faz muito tempo que só se fala em preocupação com a queda qualidade do ensino,redução da maioridade penal etc, quando os pobres chegam perto da burguesia.

2 Paulo Gilberto - 12-10-2007 - 12:54:22h

Protesto de estudantes na UFPR

Desculpem-me, mas a emoção impediu a revisão. Concluindo: E se não gostarem do cheiro da pobreza, bem, aí só lhes restará ,literalmente, o caminho da privada.

3 Daniel Souza Silva - 15-10-2007 - 11:12:46h

REUNI

Perfeito o comentário do companheiro acima, pois as entidades estudantis (que não são todas) que são contra o REUNI querem na verdade é continuar sendo essa "elitizinha hipócrita intelectual". Os mauricinhos e patricinhas que porque rasgam a calça que custa R$ 100,00 e votam na farsa da Heloísa Helena querem sim continuar sendo uma minoria. Vocês são contra uma universidade de massas, para todos! Querem continuar sendo uma pequena parte da população privilegiada com os recursos PÚBLICOS federais. Precisamos romper com o bacharelismo que remonta a Silvio Romero, Nina Rodrigues e se mantém nas universidades federais até hoje. Pobre não tem dinheiro para pagar cursinho! Ele não entra nas federais não é porque é "alienado", e sim porque não possui condições. Aí, os neobacharelistas esquerdistas respondem: então o governo que invista na educação básica. Tá bom, mas até lá vocês continuam mamando nas tetas do governo com educação pública superior, recursos da CAPES, CNPQ e etc... Na verdade, vocês que dizem estudar tanto deveriam saber que enquanto nao se democratizar o ensino superior, não se melhora o ensino básico.

4 Rafael Bellan Rodrigues de Souza - 16-10-2007 - 16:13:04h

Reuni

Devemos defender a ampliação do ensino superior com qualidade. Uma universidade "pobre" (em qualidade) para os pobres não é reivindicação social para ninguém. A inclusão deve ocorrer sim, mas a Universidade de Massas do Governo Lula é uma farsa acadêmica.

5 Paulo Adissi - 18-10-2007 - 17:31:25h

REUNI

Fico envergonhado quando vejo os movimentos universitários tentando barrar a ampliação do ensino público, através de alianças corporativas e de desinformações. Infelizmente hoje é uma minoria de colegas professores que se dedicam à pesquisa, os governos e os nossos sindicatos bagunçaram nossa carreira. O governo paga mal e a resposta sindical é fazer vista grossa aos mal e insuficiente trabalho docente. Os nossos números são ridículos estamos na rabeira dos países em termos de acesso aos bancos universitários. O governo cria 4 novas universidades federais, autoriza novos campi (cerca de 40), busca implantar novas escolas técnicas, ocupa as vagas das escolas privadas, propõe o regime de cotas... e os movimentos denunciam: populismo eleitoreiro. Lamentável. Agora vem o REUNI propondo um aumento de 20% das vagas federais e os movimentos reagem. Que saudade dos muros pichados: +VAGAS, +VERBAS P/ EDUCAÇÂO. O líder estudantil entrevistado pelo Brasil de Fato falou em contratação de substitutos, o governo já mandou substituir todos e as universidades já estão fazendo. O governo acabou com a necessidade de se buscar autorização de concursos para substituição de professores. Se falou tb da necessidade de melhoria da infraestrutura o que também está previsto no programa. Meu sentimento é um só: vergonha!

6 Renata dos Santos - UFRGS - 20-08-2009 - 02:35:43h

REUNI
O debate sobre o projeto REUNI é uma discussão política. O que tem nessa base é projeto de sociedade. Nós queremos que a sociedade forme para o mercado ou forme para a cidadania, preferimos a formação humana ou, na lógica do capital, uma formação rápida pra cumprir o que pede o Banco Mundial, cumprir metas e rapidamente ter mão-de-obra...
Se posicionar contra o REUNI significa entender que ele faz parte da Reforma Universitária, que visa precarizar a educação. Usa-se uma bandeira histórica do movimento estudantil, da luta dos trabalhadores (ampliação de vagas) para iludir a população, e até colegas estudantes, militantes de esquerda.
Ganhamos a ampliação, ganharemos (se cumprirmos as metas) alguns recursos, mas estaremos pagando um alto preço: o atraso na caminhada e na luta a favor da educação de qualidade, da emancipação humana e da revolução socialista.

7 Daniel - 21-10-2007 - 10:41:57h

"Os bacharéis"

Insisto: quem é contra o REUNI são os neobacharelistas!

8 joana - 31-03-2008 - 12:08:26h

REUNI

Chega a ser cômico alguém dizer que quem estuda em universidades públicas é uma minoria que não quer que mais pessoas desfrutem disso. É ridículo. O fato de haverem movimentos contra-reuni, não quer dizer que são contra o ingresso de mais pessoas às universidades, mas não adiantaria de nada abrirem mais vagas sem melhorar o ensino. Você quer mais gente formada que não sabe nada? Do que adiantaria abrir mais vagas, sem aumentaria em 8 alunos por professor, o que sobrecarregaria o trabalho dele, fazendo com que sua qualidade não fosse mais a mesma (e na maioria, já não é nem um pouco boa), e somando o fato de que o salário dele continuaria o mesmo; Não existira uma melhora na infra-estutrura, e entre outros fatores... Do que adinata mais gente, se a qualidade de ensino que deveria acompanhar tal projeto não existe?

E mais, recursos públicos não deveria ser visto como um privilégio... Recurso público é de todos, por que todo mundo paga imposto. :)

9 Cláudio Siervi - 23-10-2007 - 22:51:27h

REUNI

Pelo novo levantamento da UFPR a proprorção de alunos formados anualmente é de 74%, isto está incorreto?

10 Renata dos Santos - UFRGS - 20-08-2009 - 02:34:43h

REUNI
O debate sobre o projeto REUNI é uma discussão política. O que tem nessa base é projeto de sociedade. Nós queremos que a sociedade forme para o mercado ou forme para a cidadania, preferimos a formação humana ou, na lógica do capital, uma formação rápida pra cumprir o que pede o Banco Mundial, cumprir metas e rapidamente ter mão-de-obra...
Se posicionar contra o REUNI significa entender que ele faz parte da Reforma Universitária, que visa precarizar a educação. Usa-se uma bandeira histórica do movimento estudantil, da luta dos trabalhadores (ampliação de vagas) para iludir a população, e até colegas estudantes, militantes de esquerda.
Ganhamos a ampliação, ganharemos (se cumprirmos as metas) alguns recursos, mas estaremos pagando um alto preço: o atraso na caminhada e na luta a favor da educação de qualidade, da emancipação humana e da revolução socialista.