Fim da exigência do diploma divide opiniões
Entre jornalistas e estudantes não há consenso sobre a questão. Enquanto alguns se manifestaram contrários à decisão do STF, outros defendem que a não obrigatoriedade do diploma contribui para a liberdade da informação
26/06/2009
Michelle Amaral,
da Redação
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O posicionamento frente à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de por fim à obrigatoriedade do diploma para exercício do jornalismo no país é diverso entre jornalistas, estudantes, parlamentares e a sociedade.
Desde o anúncio da decisão, na última quarta-feira (17), várias manifestações contrárias à conduta do Supremo foram realizadas no país. Em cidades como Brasília (DF), Caxias do Sul (RS), Curitiba (PR), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Ponta Grossa (PR) e Teresina (PI), estudantes e sindicatos da categoria protestaram nas ruas contra a medida nesta segunda-feira(22).
Uma grande variedade de opiniões, contrárias ou favoráveis à queda do diploma, também passou a ser expressa através de artigos e manifestos nos veículos de comunicação e, principalmente, na Internet.
A medida recebeu duras críticas da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) e de sindicatos da categoria, como também da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ), que em nota afirmou que a decisão do Supremo significou um “retrocesso” de repercussão internacional.
Mas recebeu apoio de outras organizações, como a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que elogiou a medida por reconhecer que ela melhora a qualidade de trabalho dos profissionais, que não precisarão mais estarem ligados a uma associação ou colégio para exercer o jornalismo.
A profissão
Na avaliação do professor e chefe do Departamento de Jornalismo da Pontifica Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Hamilton Octávio de Souza, a decisão do STF afetará todos os profissionais de jornalismo, porque representa a retirada de uma conquista histórica de regulamentação da profissão. “A categoria retrocede ao que era antes de 69, quando qualquer aventureiro poderia obter o registro e a carteirinha de jornalista e se dizer como tal, inclusive o pessoal que fazia extorsão e que praticava outros tipos de ações nada éticos”, defende Souza.
Nesse sentido, o jornalista defende a necessidade de se criar uma regulamentação para a categoria. “Uma profissão como essa, que tem uma função social importante, precisa de uma regulamentação, precisa de controle social. A sociedade tem que se proteger contra as empresas de comunicação”, argumenta.
A mesma opinião é compartilhada pela estudante de jornalismo da PUC São Paulo, Luana Franca, coordenadora da Executiva Nacional de Estudantes de Comunicação Social (Enecos), que acredita que sem a regulamentação tende a se acentuar a exploração dos profissionais da área, com a conseqüente “precarização de toda a categoria”.
Franca explica que a Enecos é favorável a não obrigatoriedade do diploma para exercício do jornalismo, justamente por defender bandeiras como a democratização da educação e a qualidade na formação do comunicador. No entanto, a organização não concorda com os argumentos utilizados pelo presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, para embasar a decisão. Segundo ela, Mendes defendeu a queda do diploma para que a profissão fosse desregulamentada, favorecendo assim as grandes empresas de comunicação.
Para a estudante, é necessário que se inicie uma luta pela regulamentação profissional de todos que atuam no jornalismo brasileiro. “A gente carece que estudantes e profissionais se unam e discutam uma nova regulamentação da profissão”, defende a estudante.
Debate
No Senado Federal, nesta segunda-feira (22), alguns parlamentares se pronunciaram a respeito da questão. Para o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) é necessário que se elabore uma norma legislativa que reverta a atual situação. Segundo ele, a decisão do Supremo deve ser debatida no Senado com a participação de membros do Judiciário, jornalistas, estudantes de Comunicação Social e empresários do setor.
Já o senador João Pedro (PT-AM) disse considerar a decisão do STF um “retrocesso” para o jornalismo. Para ele, com o tempo se perceberá que tratou-se de “um equívoco”.
Academia
No que diz respeito à formação acadêmica, o professor Hamilton Octávio de Souza acredita que o fim da exigência do diploma não acarretará uma diminuição ou até mesmo fechamento dos cursos de jornalismo no Brasil.
“Há escolas que tem um bom trabalho na área, que são bem conceituadas, que tem um comprometimento no curso com uma visão de jornalismo como atividade de interesse público e não de interesse privado das empresas. Essas escolas vão continuar tendo os seus alunos e os cursos em funcionamento”, afirma Souza.
O professor explica que no jornalismo, assim como em outras categorias, existem bons e maus profissionais formados. Assim, segundo ele, a posse de um diploma não garante a produção de informação de qualidade, isso depende “do compromisso que cada estudante e cada profissional tem com a sociedade”.
Comentários - 6
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2 carlos ribeiro - 27-06-2009 - 18:10:49h
me responde essa sabichão3 Luan - 28-06-2009 - 17:43:36h
obrigatoriedade do diploma4 Emerson José - 29-06-2009 - 16:21:31h
emersonze@uol.com.br5 carlos ribeiro - 29-06-2009 - 18:29:37h
seu coitado6 Mauricio - 29-06-2009 - 09:33:29h
Questões mais sérias...Esses temas sim, acredito que são de extrema urgência para serem discutidos e resolvidos.
1 Antonio dos Santos de Oliveira Lima - 27-06-2009 - 09:31:17h
Fim da Exigência do Diploma para Jornalistas.O fim da exigência do diploma para exercício da profissão de jornalsmo decretado pelo STF, sem dúvida nehuma, foi um ato inconstitucional. É difícil entender como uma Suprema Corte toma uma atitude como esta. Ora, para o exercício de profissões como a de professor, engenheiro, médico, advogado e tantas outras, há necessidade de comprovação de sua competência técnica. Também há exigência de que seja membro dos conselhos regionais. Até profissionais como babá, mecânico, jardinheiro, vigias, policial, cozinheiro, há exigência de um conhecimento mínimo para que o cidadão possa exercê-lo com mais confiança e habilidade. Pelo menos a comprovação de experiência na área é exigida para que se possa ingressar no mercado de trabalho. Porque, agora, jornalista pode ser qualquer um? Cader as consquistas da categoria? As lutas pelos seus direitos? As horas, dias, semanas, meses e anos de estudo em uma faculdade, especializações, estágios? O que isto vai representar para o profissional que concorrer de igual para igual com quem nunca passou por todos estes trâmites para chegar ao topo da profissão? O jornalismo, como qualquer outra profissão, tem suas técnicas, segredos, ética, normas técnicas, sem dúvida nenhuma, exige uma boa pitada de conhecimento. Estilo próprio de redação, linguagem adequada, isto é, tem que ser profissional mesmo. Se qualquer um pode ser jornalista, fazer jornalismo, brincar de jornalista, como vai ficar a qualidade e a precisão da informação? Retirar a exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalismo é um retrocesso e tanto para o jornalismo brasileiro e internacional. Já pensou um texto jornalístico sem normas, sem técnica, sem qualidade e muitas vezes até sem a verdade, sem origem, sem uma fonte fidedigna? É o fim do jornalismo como meio de comunicação de massa. Com tantas exigências, o Brasil está cheio de picaretas, falsários, manipuladores.Agora, imagine sem o mínimo de controle sobre estes profissionais. Agora, não há dúvida de que precisamos separar o joio do trigo e dá nome aos bois. Também não podemos confundir jornalismo profissional com artigos científicos. Um médico, um engenheiro, um advogado, um engenheiro agrônomo, um zootecnista, etc. não precisa ser jornalista para publicar um artigo em um meio de comunicação falado ou escrito. Mas é exigido que seja profissional regulamentado em sua especificidade. Mas quem não é jornalista e exercer a profissão com carteira e tudo é o maior absurdo que já se viu neste país. Somente no Brasil acontece fotos como este.
É lamentável. Os profissionais do jornalismo merecem respeito como qualquer outro profissional. Já se fala em retirar a exigência do diploma para outras profissões. Já pensou, advogado, médico, professor e tantas outras profissões, sem nenhuma exigência legal para seu exércício, em um pais de tantos charlatões, picaretas usando atitudes de má fé? Pense bem. Estamos abrindo precedents. Não sou jornalista. Sou Engenheiro Agrônomo. Sou radialista amador, em Rádio Comunitária, mas exerço o meu trabalho no rádio, não como radialista profissional, que não sou, trabalho como Engenheiro Agrônomo, que passa informação técnica para os produtores rurais. Já pensou um radialista profissional, que nada entende de Agropécuária, orientando os produtores rurais, pelo rádio, e tirando suas dúvidas?
"Cada macaco em seu galho". Vamos respeitar os nossos profissionais. Pelo menos esta é a minha opinião.
Antonio dos Santos de Oliveira Lima
Cruz/CE.
limagronomiacruzce@yahoo.com.br