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Implantar ações afirmativas é a principal pauta do movimento negro

by jpereira — last modified 2007-11-21 11:25

Afrodescendentes ainda encontram-se em posição desfavorável dentro da sociedade brasileira

                                                                                                                                21/11/2007

Ana Cláudia Mielki

de São Paulo (SP)


Criar condições para a inclusão econômica e social do negro. Essa continua a ser a principal pauta do movimento negro. Apartados das políticas de inclusão a mais de três séculos, os negros ainda lhes têm negado o direito ao trabalho, à moradia digna, à saúde, à educação.

Metade da população brasileira é composta por negros – 49,5% de pretos e pardos na nomenclatura usada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os negros representam 46% da população economicamente ativa (PEA), no entanto estão à margem do mercado formal de trabalho e possuem os mais altos índices de desemprego, como mostra pesquisa “Escolaridade e Trabalho: desafios para a população negra nos mercados de trabalho metropolitanos”, lançada na primeira quinzena deste mês pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Nas seis regiões metropolitanas pesquisadas – Belo Horizonte (MG), Distrito Federal, Porto Alegre (RS), Recife (PE), Salvador (BA) e São Paulo (SP) –, as taxas de desemprego são maiores entre os negros. Em São Paulo, a proporção é de 18,3% entre os negros contra 13,2% entre os brancos. Em Salvador, a taxa de desemprego entre os negros chega a 23,4% contra 16,1% dos brancos; no caso das mulheres negras a taxa chega a 26,3% entre as soteropolitanas.


Raiz histórica

A pesquisa do Dieese, lançada no mês em que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra, levanta uma reflexão importante ao apontar uma relação estreita entre as taxas de desemprego e o nível de escolaridade da população. Na medida em que o nível de escolaridade cresce, diminuem as taxas de desemprego. Os negros além de estarem mais sujeitos à entrada precoce no mercado, constituem o segmento com maior dificuldade para atingir níveis elevados de escolaridade.

Para Douglas Belchior, da entidade Educafro, existe uma raiz histórica determinante para essa situação. “O direito à educação foi historicamente negado aos negros. Os negros foram impedidos de estudar no período da escravidão e com o passar dos anos a condição sócio-econômica da população negra a impediu de ocupar os espaços da educação”, analisa. Hoje, segundo ele, “o acesso à educação de qualidade é essencial para que os negros possam ascender aos espaços”, o que incluiria o mercado de trabalho.

Transformar essa realidade de exclusão é um desafio para os movimentos sociais. Em São Paulo, onde o dia 20 de novembro é feriado os movimentos realizaram a 4ª Marcha da Consciência Negra – Viva Zumbi. Mais de 42 entidades participaram da organização da marcha que tinha, entre as principais reivindicações, a implantação de políticas afirmativas, criação do Fundo de Promoção da Igualdade Racial e a aprovação, no Congresso Nacional, do Estatuto da Igualdade Racial. Em todo o país, o 20 de novembro – feriado em 267 municípios – é um dia para lembrar e reconhecer a importância de Zumbi dos Palmares como um combativo guerreiro do povo brasileiro


Desigualdade e discriminação

Para ativista negro dos Santos, Juninho, do Círculo Palmarino, a implementação de políticas de ações afirmativas, como as cotas de acesso a universidades, são fundamentais para a inclusão de uma classe social que é excluída, classe essa, que segundo ele, tem cor. “73% dos setores mais pobres da população brasileira são de origem afrodescendente, o que mostra uma relação intrínseca entre desigualdade e discriminação racial no país”, diz.

Se há segregação no mercado de trabalho, na educação a discriminação não é diferente, ao contrário, tende a ser ainda mais grave. De acordo com o Censo da Educação Superior, realizado em 2004 pelo Ministério da Educação, nas universidades pretos e pardos somam apenas 24,1% dos ingressos.


Cotas

No caso do acesso à educação superior, a aprovação do projeto de lei nº 3627 que institui reserva de vagas para afrodescendentes nas universidades públicas, seria uma forma de amenizar o problema. “Defendemos as ações afirmativas como políticas imediatas, sem perder de vista que só vai haver uma transformação real com a mudança dessa sociedade para uma outra, mais justa, igualitária e sem divisão de classes sociais”, afirma Juninho, do Círculo Palmarino.

No Brasil, houve avanços com a criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), ligada à Presidência. Mas, para os movimentos sociais, o avanço nas políticas de promoção da igualdade racial dependem, em nível nacional, da aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, construído originalmente pelo próprio movimento negro, mas alterado durante quase dez anos de tramitação no Congresso. Segundo Juninho, o texto foi bastante recortado e hoje existem críticas ao Estatuto uma vez que ele ganhou caráter orientativo e não determinativo como reivindica o movimento.

Comentários - 2

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1 mauro viana - 21-11-2007 - 15:59:46h

Afro-descentes exigem Reparação Já!

Afro-brasileiros exigem fim do regime de apartheid! Mauro Viana mvianna10@yahoo.com.br Brasil ZUMBI DOS PALMARES 20 de novembro de 2007 Dia Nacional da Consciência Negra

São Paulo – Brasil - Os números evidenciam o racismo e o regime de apartheid, na América do Sul. No Brasil, por exemplo, de quase 5 mil municípios, apenas 267 oficializaram o feriado de 20 de novembro, em reconhecimento ao herói nacioanl, Zumbi dos Palmares. A institucionalização do feriado, em 20 de novembro, dia em que os portugueses assassinaram, em 1695, o líder de Quilombo dos Palmares, principal foco de resistência ao projeto genocida da escravidão, não chega nem a 5 por cento da totalidade dos municipios brasileiros. Entre outras, as cidades que que adotaram a data como feriado estão: União dos Palmares (AL), Manaus (AM), Flores de Goiás (GO), Itapecerica (MG), Cuiabá (MT), Marabá (PA), Dona Inês (PB), Macaparana (PE), Rio de Janeiro (RJ), Vilhena (RO), Pacatuba (SE) e São Paulo (SP). No Amazonas, somente há 4 anos, se movimenta a Semana da Consciência Negra. As atividades são desenvolvidas de forma coletiva por entidades representadas no Fórum Permanente de Afro-Descendentes do estado (Fopaam), que reúne cerca de 25 instituições. O Movimento Negro de São Paulo realizou, contudo, o maior ato anti-racista do País. Mais de 12 mil militantes e ativistas de centenas de organizações enegreceram a corredor financeiro da cidade, a Avenida Paulista. (Corredor cultural e financeiro e um dos principais centros econômicos da América Latina, a avenida Paulista reúne 11 sedes de bancos e 29 agências bancárias. Circulam por ela diariamente cerca de 1,5 milhão de pessoas e 100 mil veículos). Nos cerca de 2, 7 km de extensão do maior centro finaceiro da América Latina, centenas de organizações e entidades políticas, divididas em 20 alas (modelo do desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro) ) exibiram seus trios-elétricos (estrutura da cultura da Bahia) denúncias contra a pobreza e a miséria que massacram a maioria da população: os negros. A marcha culminou com shows de capoeira, afoxé, e a bateria da Escola de Samba, Leandro de Itaquera, na Praça Ramos de Azevedo, às 22 horas. A manisfestação, porém, durou todo o dia. A concentração foi no vão central do Museu de Arte de São Paulo, às 10 horas da manhã. A discussão em torno da reparação do povo negro foi um dos destaques da marcha. - Em quase 200 milhões brasileiros, somos mais de 70% de afro-descendentes. A maior parte do nosso povo preto está nas penitenciárias, nos hospícios, nas favelas, nos guetos” . A afirmação é do Dr. Marco Antonio Zito, Presidente da Comissão e Assuntos anti-discriminatórios da Ordem dos Advogados do Estado de São Paulo. Dr. Umberto Adami, advogado do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Presidente) completa: -No Brasil, a quase totalidade dos afrodescendentes vivem à margem do processo produtivo. Não há espaço no mercado de trabalho, nos sistemas educacional, habitacional e de saúde. Lutamos contra este apartheid brasileiro. Depois de 300 anos de escravidão, nosso povo preto exige reparação já! Reparação Já, exige também Dojival Vieira. Coordenador da 2ª PARADA NEGRA do Movimento Brasil Afirmativo. "Somos um movimento de articulação das lideranças negras cuja luta prioriza políticas públicas para diminuir o abismo social e racial.Lutamos pelas ações afirmativas, cotas e, claro, acerto da monstruosa dívida que o Brasil tem com o povo negro. Reparação é uma bandeira irreversível". Segundo, Vieira, O Movimento Brasil Afirmativo dispôe de núcleos em Belo Horizonte, Salvador, Distrito Federal, Goiâniae Rio de Janeiro. Mauro Viana jornalista (21) -8648-4736

2 Chico - 22-11-2007 - 21:38:20h

feriado

Sugiro que, como forma de evitar uma eventual acusação de racismo, se torne facultativo também o feriado do Dia do Índio, que faz muito mais sentido em áreas do Brasil que tiveram pouca escravidão negra, como os estados da Amazônia Ocidental.