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Mais de 40 indígenas do povo Xukuru são processados em Pernambuco

by Admin last modified 2009-05-28 17:44

Desde a retomada da luta pela terra, assassinatos e perseguições visam acabar com a organização do povo

28/05/2009


Marcy Picanço

de Brasília (DF)


Leia mais:

Julgamento sem isenção e organização do povo

Dois Xukuru estão presos há mais de um ano


Diz o senso comum que no Brasil índio não vai para a cadeia. A situação do povo Xukuru, que vive na região de Pesqueira, agreste pernambucano, desmente essa tese.


Os Xukuru enfrentam um dos mais violentos processos de criminalização entre os movimentos que lutam por seu território. São 43 pessoas deste povo processadas pela Justiça por suposto envolvimento em crimes que ocorreram no contexto da disputa fundiária. Desse total, 36 já foram condenadas, duas cumprem prisão preventiva e outras aguardam julgamento.


Atualmente, os cerca de 10 mil Xukuru ocupam quase 95% dos 27 mil hectares homologados como terra indígena em 2001. A reconquista do território, no entanto, resultou em assassinatos e perseguições. Além dos indígenas processados, nos últimos 17 anos, seis Xukuru e um importante aliado foram assassinados em função da luta pela terra. Dentre os assassinos, apenas um foi preso e em seguida encontrado morto na prisão. Por outro lado, diversos Xukuru foram investigados e presos.


Para o cacique do povo, Marcos Luidson, que também foi condenado, há três razões principais para os processos. A primeira é a insatisfação das elites da região com a vitória do povo. “Os inimigos dos Xukuru não aceitaram o fato da gente ter conquistado o território”. Entre 1990 e 2003, os Xukuru fizeram 50 retomadas e reconquistaram, de fato e pela via legal, seu território tradicional. “Agora, os inimigos apostam que não vamos conseguir cuidar da terra”, afirma o cacique.

Marcos Xukuru também aponta interesses econômicos e políticos por trás das ações contra o povo. Os antigos invasores da terra, que tem apoio de um pequeno grupo de indígenas, pretendiam explorar economicamente o turismo religioso na região. Eles construíram um santuário para Nossa Senhora das Graças e estrutura hoteleira para receber romeiros dentro da terra Xukuru. Após a demarcação da terra, a visita de fiéis ao santuário não foi proibida. O terceiro motivo seria a crescente importância da população Xukuru no resultado de eleições locais e para deputados. “Perseguindo nossas lideranças, eles querem quebrar nossa unidade política”, afirma o cacique Marcos.


Assassinatos

As ações contra os Xukuru podem ser relacionadas com as etapas da demarcação da terra do povo. Durante os trabalhos de identificação da terra, em 1992, Everaldo Bispo dos Santos, filho do pajé do povo, foi assassinado a tiros. O autor dos disparos, o não-índio Egivaldo de Farias, nunca foi levado a júri. No mesmo ano, foi publicada pelo Ministério da Justiça a portaria que declarou os 26.680 hectares como terra indígena. A pressão contra a demarcação física do território aumentou a tensão entre os Xukuru e seus adversários.


Em 1995, Geraldo Rolim da Mota Filho, procurador da Fundação Nacional do Índio (Funai) que atuava na demarcação da terra Xukuru, foi assassinado na Paraíba. Apesar de relacionado à questão fundiária indígena, o caso foi julgado na Justiça Comum. O autor dos disparos, o fazendeiro Theopompo Siqueira de Brito, foi absolvido por “legítima defesa”.


Para ocupar a terra já declarada e pressionar o governo federal a homologar a área, os Xukuru mantiveram a estratégia das retomadas, liderados pelo então cacique Francisco Araújo (Chicão Xukuru). Chicão foi fundamental para a reorganização do povo na década de 1980 e, por conseqüência, para a reconquista do território. Em 20 de maio de 1998, ele foi assassinado a tiros. Chicão recebia ameaças de morte e também havia sido testemunha de acusação no caso do assassinato do procurador Rolim. Após a morte de Chicão, a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) em Pernambuco trabalharam, principalmente, com as hipóteses de crime passional ou de disputa interna de poder. No entanto, a partir da atuação de um departamento da PF de fora de Pernambuco, o inquérito identificou como responsáveis o pistoleiro (encontrado morto no Maranhão) e o mandante, o fazendeiro José Cordeiro de Santana (Zé de Riva), invasor de terra indígena. Zé de Riva foi encontrado morto na carceragem da PF na véspera de seu depoimento.


O assassinato de Chicão não fulminou a organização do povo, dificultando a homologação da terra, como poderiam imaginar os mandantes do crime. A partir daí, além das agressões físicas às lideranças, foi intensificado o processo de criminalização. Atos de protesto em estradas ou na cidade de Pesqueira resultaram em processos.


Em 2001, a terra foi reconhecida pelo Estado (homologada) como tradicional dos Xukuru. No mesmo ano, foi assassinado a tiros, dentro da terra indígena, a liderança Francisco Santana (Chico Quelé). Novamente a PF e o MPF em Pernambuco privilegiaram a hipótese de disputa interna de poder como motivo para o crime. No inquérito, opositores de lideranças tradicionais foram testemunhas e importantes documentos desapareceram. Como conclusão, em 2002, foram acusadas as lideranças José Barbosa dos Santos (Zé de Santa) e João Campos da Silva (Dandão), que ficou preso por quase um ano. Desde 2003, quando conseguiram um habeas corpus, os dois passaram a aguardar o julgamento em liberdade. Antes desse caso, Zé de Santa também foi acusado por Zé de Riva – mandante do assassinato de Chicão – de ter participado de um atentado contra o fazendeiro junto com outros dez indígenas.

Comentários - 6

Página 1

1 Antonio dos Santos de Oliveira Lima - 30-05-2009 - 22:02:56h

Conflito em Pesqueira
A questão agrária no Beasil ainda está muito longe de ser resolvida. Fatos como este que vem acontecendo em PESQUEIRO servem de tastemunha. Casos desta natureza acontecem em muitos pontos do Brasil. Na Fazenda Lagoinha, município de Bela Cruz/CE estamos vivendo um fato semelhante a este , sendo que a diferença é que ainda não foi registrada nenhuma morte mas pistoleiros já foram contratados para praticarem violência contra assentados. A Fazenda Lagoinha é um assentamento do estado que foi invadido e seus assentados estão sendo expulsos e os bens sendo vendidos sem que os assentados tenham direito a nada. O dinheiro dos projetos ficou com os invasores, as contas não são pagas e tem até assentado passando fome sem poderem trabalhar por não concordarem com a invasão. Eles querem que a terra seja trabalhada por trabalhadores rurais e não por invasores que são funcionários públicos e politicos. O casos está na justiça há mais de seis anos sem nenhuma solução. A situação é cada vez mais grave.Todos os órgãos que se dizem responsáveis por atender aos assentamentos já foram acionados mas nada resolvido, por enquanto. Mas a luta continua r não vamos desistir nunca. Jamais iremos entregar o que é nosso a quem não é de direito. Acreditamos que a Ouvidoria Agrária Nacional, na pessoa do Desembargador Gercino Filho, homem de notória competência e seriedade, emcontrará uma solução imediata para esta situação que é bastante delicada.Os prejuizos que já tivemos é incalculável pois não podemos trabalhar, não fazemos empréstimo, as casas não foram concluídas, o sistema de água também não foi e outros projetos tiveram os recursos desviados. Até a diretoria é colocada pelos invasores sem que haja votação pelos associados.
Antonio dos Santos de Oliveira Lim
Assentado
Fazenda Lagoinha
Bela Cruz/CE
limagronomiacruzce@yahoo.com.br

2 lucivan ferreira - 06-06-2009 - 23:06:02h

sou xucuru
sou um xucuru e hoje moro em Brasilia mas, sempre estou sabendo da minha terra e por está me formando em História; fico muito trite sabendo que homens morrem por uma coisa que vai come-los. e eles ficam brigando sem se reparar que os filhos deles que nada tem a ver com isso sao os que vao pagar a conta.tenho orgulho de ser xucuru mesmo morando tao longe nao esqueço minha origem e meu povo.

3 Dr. Lima - 22-06-2009 - 20:54:51h

Conflitos Agrários
Meu caro Lucivan Ferreira,
Sou um grande admirador dos nossos povos indígenas. Meu pai foi seringueiro no Amazonas, na região do Município de Cruzeiro do Sul, em 1925. Contava para nós muitas histórias dos índios. Dizia que eles eram mansos e que andavam nus. Viviam de caça e pesca. Moravam no meio das florestas. Acho que eles deveriam ser mais respeitados, pois foram os primeiros habitantes do Brasil. Eles viviam em paz mas, hoje, há muitas brigas por causa das terras e quem mais briga são aqueles que tem muitas terras e querem mais. As autoridades brasileiras só aparecem quando a situação é muito grave e nada fazem. Cada um tem que se defender como podem. Se houvesse justiça social, não haveria tanto comflito no campo e os trabalhadores rurais tinham mais condições de viver feliz.
Antonio dos Santos de Oliveira Lima
Assentamento da Faz. Lagoinha/Bela Cruz/CE

4 lucivan ferreira - 19-09-2009 - 20:27:08h

sou xucuru
caro colega Antonio, fico feliz em saber que tem mais gente interessada na questão do povo xucuru;e após saber tantas coisas do povo; resolvi fazer meu trabalho de conclusão de curso (TCC)sobre nossa gente e por morar em Brasilia, venho tendo o apoio de funcionários da FUNAI.obrigado por contar um pouco da nossa História.

5 india xukuru - 19-08-2009 - 01:03:58h

nao esq.do meu povo
sou india xukuru estou en sp mas vejo sempre as noticias do meu povo

6 lucivan ferreira - 19-09-2009 - 20:32:26h

sou xucuru
por favor me manda mais detalhes de onde voce é pois, quero saber por onde andam os xucuru de Pesqueira, que não costumam aparecer. Eu já sou quase professor e me orgulho de ser um xucuru.

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