Melhoramento genético e agroecologia substituirão transgênicos em área da Syngenta
Os experimentos transgênicos da transnacional de sementes Syngenta darão lugar a pesquisas de melhoria do governo do Paraná.O Instituto Agronômico do estado (Iapar) pretende transformar a fazenda em sua quinta unidade regional de pesquisa, a primeira no Oeste
Raquel Casiraghi
Porto Alegre (RS)
Pesquisas de melhoramento genético de sementes e de agroecologia irão substituir os experimentos de transgênicos da transnacional Syngenta na cidade paranaense de Santa Tereza do Oeste. A empresa doou, na semana passada ao Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), sua propriedade de 120 hectares, vizinha ao Parque Nacional do Iguaçu.
No último dia 15, técnicos do Iapar avaliaram as instalações físicas e a área agricultável da fazenda. O diretor-presidente do instituto, José Augusto Picheth, relata que a área tem uma boa fertilidade e topografia, o que irá facilitar os trabalhos. Nesta semana, os técnicos já iniciam o plantio de algumas espécies para recuperação do solo.
"Já nesse primeiro momento nós vamos trabalhar com milho, feijão, arroz, amendoim. Dentro da nossa programação, nossos projetos de pesquisa estão previstos para ocorrer em determinados locais. Tempos 17 áreas próprias do Iapar onde executamos nosso trabalho de campo", explica.
A área doada pela Syngenta é a primeira unidade de pesquisa própria do Iapar na região Oeste do estado. De acordo com Picheth, o instituto pretende usar a área para desenvolvimento de novas variedades, teste e avaliação de comportamento de cultivos do instituto, melhoria genética de sementes e desenvolvimento da agroecologia. A fazenda também pode contribuir no zoneamento da mandioca, que terá seus primeiros testes no litoral paranaense.
Em relação a agroecologia, o Iapar já possui alguns projetos em andamento que devem ser levados para a antiga área da Syngenta, como é o caso do feijão preto.
"O feijão gralha, preto, é desenvolvido para a agricultura orgânica. Ele pode ser utilizado para a agricultura convencional, mas foi desenvolvido devido a sua rusticidade e características de produtividade para a agricultura orgânica. A agroecologia é uma das nossas áreas de pesquisa e também vão estar presente na área da antiga Syngenta", confirma.
No entanto, o diretor do Iapar pretende transformar a área em uma unidade regional com pesquisadores fixos, como já existe na sede Londrina e nas cidades de Curitiba, Ponta Grossa, Pato Branco e Paranavaí. O instituto deve apresentar em breve um estudo para avaliação do governo estadual. Além da área agricultável, a antiga fazenda da Syngenta conta com instalações apropriadas para a produção e beneficiamento de sementes, escritórios e laboratórios. Ainda há áreas de florestamento e de mata nativa.
A área doada ao Iapar foi usada ilegalmente pela Syngenta para plantio de soja e milho transgênicos. A fazenda também foi palco de um ataque de pistoleiros na região, que resultou no assassinato de um trabalhador sem terra.
Comentários - 1
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1 Eduardo Marinho - 23-10-2008 - 15:35:41h
Por outro lado...Vivas ao MST! Às mulheres do MST, aos mártires do movimento camponês de todos os tempos! Vitória! A área de um dos inimigos do povo será usada em benefício do povo. Por outro lado, tenho uma pulga atrás da orelha. Por que a Syngenta doou essa área? Essa transnacional não é, de maneira alguma, filantrópica ou defensora dos direitos da maioria. O que está por trás dessa "doação"? Será um recuo tático, só pra pegar impulso? Ou o que ela está levando em troca - em negociações escondidas? Não quero ser chato, mas com esse tipo de empresa não podemos ser ingênuos.