Metrô de São Paulo vai parar no dia 23
Trabalhadores mantém mobilização para exigir a readmissão de cinco dirigentes do sindicato punidos por participarem de greve no dia 23 de abril
Renato Godoy de Toledo 17/05/2007
da redação
Após uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), os metroviários de São Paulo se viram obrigados a adiar a deflagração de uma greve na última quarta-feira (17). O TRT determinou que, em caso de greve, os metroviários deveriam garantir o funcionamento de 90% das linhas nos horários de pico e 60% nos demais períodos. A greve foi adiada para a próxima quarta-feira, dia 23 de maio, quando os metroviários devem somar-se à jornada unificada de lutas por "Nenhum direito a menos". A duração da greve deve ser decidida em assembléia no dia 22.
A imprensa corporativa focou-se apenas na questão da possibilidade de paralisação. Pouco foi dito acerca da principal reivindicação da categoria: a readmissão de cinco diretores do Sindicato dos Metroviários, afastados por participarem de uma paralisação em 23 de abril, dia nacional de luta contra emenda 3.
Em negociação, o governo aceitou abrandar a punição de dois metroviários: Ronaldo Campos e Pedro Augustinelli, que seriam suspensos por 15 e 25 dias, respectivamente. Pela proposta do governo, Paulo Pasin e Alex Fernandes continuariam afastados por falta grave - o que, para o sindicato, significa o mesmo que demissão - e Ciro Morais seria demitido por justa causa. O sindicato não aceitou a proposta, reforçando sua posição pela readmissão de todos os punidos.
Em uma audiência ocorrida na quarta-feira (16), a juíza Wilma Nogueira de Araújo Vaz da Silva, vice-presidente do TRT, sugeriu que a Companhia do Metropolitano (Metrô) reintegre aos seus quadros os cinco metroviários e abra processo por apuração de falta grave. "A juíza teve uma postura mais coerente, não que sejamos a favor de qualquer punição, mas o processo seria um mecanismo para reestabelecer a verdade, já que o Metrô veio a público criminalizar os companheiros", afirma Manuel Xavier, secretário de Comunicações do sindicato.
Xavier compara as punições aos sindicalistas com o tratamento dispensado a Marco Antonio Buoncompagno, ex-gerente de construção da linha 4 do Metrô, na qual 7 pessoas morreram após um desabamento em janeiro. "O Metrô usa dois pesos e duas medidas. O Marco Antonio Buoncompagno, por exemplo, mesmo com denúncias de ligações com as empreiteiras, continua nos quadros da companhia, só foi afastado de sua função. Ele ainda continua como responsável pelo elo entre o Metrô e a Justiça, na apuração do acidente da linha 4", denuncia.
Enquanto o governo federal pretende restringir o direito de greve, os metroviários já sentem essa restição há tempos. "Já faz cerca de 10 anos que a Justiça nos obriga, em caso de greve, a circular com cerca de 100% dos trens nos horários de pico e 60% nos demais, sendo que nem em dias normais o Metrô opera nesse padrão", afirma Xavier.
Ofensiva do Metrô
Com a possibilidade de paralisação na última quarta-feira, o Metrô iniciou um movimento para desqualificar o movimento dos metroviários. Paineis nas estações, normalmente destinados a anúncios publicitários, e quadros de avisos informavam que "por razões injustificadas, o Sindicato dos Metroviários anuncia uma greve prejudicando toda a população de São Paulo, especialmente quem mais depende do metrô". A Companhia também contratou empresas para distribuir panfletos que alegavam que os metroviários pretendiam sabotar o direito ao transporte dos cidadãos.
"Essa é um novo tipo de ofensiva do Metrô. Não dá para negar que isso tem um efeito negativo para o nosso movimento, mas pretendemos distribuir o nosso material, para responder às acusações. Esse tipo de atitude não nos assusta", analisa Xavier.
Comentários - 5
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2 Pratico - 22-05-2007 - 22:40:18h
MetrôA privatização do metrô no minimo trará muito mais linhas, trens mais modernos e menos pessoas infelizes e insatisfeitas cuja única razão de ser é mamar do estado.......vejam o exemplo da telefonia...xô telefones e linhas antiquados caros e atendimento infernal...... Bom cursinho de recolocação a todos.....com certeza vão precisar....
3 marcos tolomei - 23-05-2007 - 00:02:46h
privatização jáESSES FUNCIONÁRIOS DEVERIAM TER VERGONHA NA CARA EM QUERER PREJUDICAR A POPULAÇÃO,
4 Cristian - 23-05-2007 - 01:33:00h
Privatizacao jaConcordo plenamente. Pra mim quem faz greve no setor privado eh vagabundo, quem faz greve no setor publico eh bandido. O povo nao tem que pagar pela falta de profissionalismo desses infelizes. Se tivessem numa empresa privada ja teriam sido todos demitidos e com razao. Privatizacao do Metro de Sao Paulo ja!
5 edson - 11-11-2007 - 10:23:30h
privatizar o metro e ridiculo...todo mundo aqui defendendo privatização ou e filhinho de papai que ja tem a vida garantida por gerações ou pessoas que nao tem nenhum bom senso...
privatição e a ULTIMA solução para um sistema falido, o metro de sp e a empresa estatal de melhor qualidade no momento (so perde para os correios e petrobras), comparar a telefonia de sao paulo (antiga telesp) com o metro e ridiculo. sem dizer nos contratos que estão sendo feitos, no final das contas o governo ainda sai perdendo a longo prazo e naturalmente este dinheiro vai sair da população...
veja o metro do rio de janeiro, depois da privatização o serviço caiu cerca de 40%, os funcionarios sofreram estagnação salarial de 8 anos (todo mundo sabe trabalhador sempre vai trabalhar conforme o seu salario, ou seja, se ganhar mal nao tera comprometimento nenhum).
e por isto que o brasil cada vez mais fica desigual, pessoas ganhando cada vez menos (pois a iniciativa privada sempre explora o desemprego pagando salarios mediocres), consecutivamente serviços de pessima qualidade e cada vez mais pessoas sem qualificação, pois sem salario descente nao tem como investir em voce, ja que o governo nada faz a esse respeito...
1 Marina Souza - 22-05-2007 - 20:45:43h
Greve do MetrôÉ incrível o cinismo do Metrô de São Paulo. Concordo plenamento com trabalhadores que querem reivindicar seus direios. Se o Governo não é capaz o suficiente para resolver os problemas públicos de forma organizada, a única maneira que dá para a população sã greves mesmo. Acredito que se fosse para aumentar o salário desse bando de merda que estão na câmara fazendo nada que preste, eles tirariam até a roupa. Trabalhadores do metrô, apóio a causa de vocês. É por causa dessa e outras situações que o Governo finge não ver, que o país está cada vez mais afundado em crises e desigualdades. Só gostaria de fazer uma pergunta: - Onde está aquele presidente que lutava tanto pela causa trabalhista antes de alavancar sua conta bancária e aumentar sua garagem para jatinhos??