Modelo inviabilizou defesa do meio-ambiente
Isolada por uma clara política de defesa do agronegócio e conseqüente destruição da natureza, Marina opta pela saída
Eduardo Sales,
da Redação
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Em seus quase cinco anos e meio à frente do Ministério do Meio Ambiente, Marina Silva assistiu a uma série de episódios que, paulatinamente, foram confirmando a escolha do governo Lula pela manutenção do modelo de desenvolvimento primário-exportador. Inevitavelmente, a prioridade em acumular divisas para equilibrar a balança comercial foi relegando a proteção do meio-ambiente a segundo plano, muitas vezes gerando conflitos. Nestas ocasiões, a natureza sempre saía prejudicada.
“A última derrota de Marina Silva” foi, inclusive, o título de nota do Psol para comentar sua saída. O texto destaca que a ex-ministra cansou de ser vencida por um governo “politicamente transgênico”. Já o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) elencou (veja texto nesta página) posições pessoais contrárias de Marina a determinadas posições do governo e ponderou que “não cabe ao Movimento julgar pessoas, mas analisar com profundidade as medidas tomadas nos últimos anos. Nesse sentido, o governo Lula está em dívida com o povo brasileiro em relação à sua política ambiental”.
Balanço
Luis Fernando Novoa Garzon, sociólogo da Universidade Federal de Rondônia (Unir), avalia que,
“no interior de um governo refém de um modelo exportador de natureza, a ministra calada já estava sem razão”. De acordo com ele, Marina só vinha sendo admitida “enquanto facilitadora de seguidos estupros contra a sociedade e o meio-ambiente, como a liberação dos transgênicos, a licença prévia das usinas no Madeira e a privatização das florestas públicas”.
Ainda assim, Novoa entende que a saída de Marina significa outra derrota dentro da nova ofensiva do agronegócio e das transnacionais para enquadrar o todo o país nas cadeias globais de fornecimento de matérias-primas e, assim, coloca em questão a própria existência de um Ministério do Meio Ambiente no Brasil.
“A demissão da ministra significa, na prática, a impossibilidade de implementação da política nacional de meio-ambiente e quem for defender a natureza, as populações tradicionais e seus territórios terá que fazê-lo fora da lei”, alerta.










