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Morre Fausto Wolff, um oásis na imprensa diária

by Admin last modified 2008-09-10 14:32

Jornalista irreverente participou ativamente do O Pasquim e tinha coluna no Jornal do Brasil


10/09/2008



Mário Augusto Jakobskind

do Rio de Janeiro (RJ)


Ao som da Internacional, de Carinhoso e de Cidade Maravilhosa, o hino do Rio de Janeiro, executado por dois integrantes da Banda de Ipanema, os amigos se despediram do escritor e jornalista Fausto Wolff, que morreu na noite do dia 5, vítima de disfunção múltipla dos órgãos. Seu corpo foi cremado no cemitério do Caju, no Rio de Janeiro. Aos 68 anos, Fausto era considerado um oásis na imprensa diária brasileira, com a sua coluna no Jornal do Brasil, onde por mais de dois anos conseguiu romper com a mesmice, o senso comum e o pensamento único.


Não poucas vezes, segundo o jornalista Sergio Caldieri, representamte do Comitê Palestina-Viva Intifada, o Jornal do Brasil foi pressionado para demitir Fausto Wolff, sobretudo por entidades da colônia judaica, em função do seu posicionamento favorável à causa palestina. O empresário Nelson Tanure, proprietário do periódico, presente ao velório, confirmou o que disse Caldieri.

Irreverente e defensor incondicional do ideário socialista, Fausto começou cedo no jornalismo. Aos 14 anos, em Porto Alegre, já circulava nas redações de jornais e em pouquíssimo tempo tornou-se repórter policial, dos mais brilhantes, por sinal, segundo testemunhas da época.


De família pobre, Faustin Von Wolffenbüttel. filho de imigrante alemão, deixou Santo Ângelo, cidade onde nasceu, indo trabalhar na capital gaúcha. A sua opção pelo socialismo, segundo o próprio Fausto, ocorreu já naquela época, quando constatou na própria pele como os pobres eram discriminados pela elite bem nascida.


Aos 18 anos, foi para o Rio de Janeiro, passando a trabalhar em vários jornais e canais de televisão. Depois do golpe de 1964 circulou pela Europa, onde tornou-se professor de literatura brasileira, em Nápoles, na Itália, e em Copenhague, na Dinamarca. Fausto esteve em Saigon, então capital do Vietnã do Sul, cobrindo a guerra do Vietnã para uma agência de notícias. Em depoimento no site Youtube, Fausto, com toda a irreverência que lhe caracterizava, assinala que circulava pela noite de Saigon com uma plaqueta que o identificava como jornalista brasileiro, para que “não pairasse nenhuma dúvida”.


Ao retornar ao Brasil, participou ativamente do O Pasquim, tornando-se um dos seus editores juntamente com Jaguar e Ziraldo. Ricky Gooddwin, secretário de redação da publicação, recorda uma passagem pouco divulgada de Fausto Wolff pelo jornal. “Fausto tinha 15% das ações de O Pasquim. Ele se empenhou diante da diretoria no sentido de que ações fossem dadas também aos anônimos que lá trabalhavam, desde o próprio secretário de redação, ao office-boy, passando pela faxineira e copeira. Como os diretores não estavam a favor da proposta, Fausto decidiu dividir os seus 15% entre todos os anônimos que trabalhavam no jornal”, lembra Ricky. “No final das contas ninguém teve lucro, o jornal acabou nos anos 80, mas o Fausto deu prova concreta de sua generosidade”, completa.


Autor de mais de 20 livros, entre os quais O Ogre e o Passarinho, da série Sinal Aberto, Olympia, premiado em concurso promovido pela Brasil Telecom, A milésima segunda noite e o romance À mão esquerda, que recebeu o prêmio Prêmio Jabuti.


De humor refinado, Fausto Wolff muitas vezes surpreendia, como aconteceu numa festa de fim de ano promovida pela Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira do Rio de Janeiro (ACIE). Ele, que era um dos indicados para personalidade do jornalismo em 2006, pegou o microfone e cantou integralmente a letra da Internacional.


Junto ao caixão de Fausto Wolff podiam ser vistas uma camisa da Banda de Ipanema, onde ele chegou a ser um dos padrinhos, uma bandeira do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e do PDT, partido pelo qual Fausto Wolff concorreu duas vezes a deputado federal.


Comentários - 1

Página 1

1 maria lucia americo dos reis - 11-09-2008 - 19:47:28h

falecimento do Fausto Wolff

Fui ao velório, mas não tive coragem de ir à missa de 7º dia do Fausto,hoje, dia 11/09, porque estou deprimida demais com o falecimento dele. O Fausto deixa uma grande saudade e um enorme vácuo atrás de si. Espero que as pessoas que gostavam dele e apreciavam seus livros, mantenham vivo o seu espírito lúcido e combativo.