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No RS, sem-terra prosseguem marcha por fazenda Coqueiros

by jpereira — last modified 2007-10-17 14:17

Apesar de interdito proibitório imposto pela Justiça de Carazinho, MST prossegue com mobilização

17/10/2007

 

Raquel Casiraghi

Porto Alegre (RS)


Nem a forte chuva que tem assolado o Rio Grande do Sul conseguiu desanimar os 1,7 mil sem-terra que marcham há um mês no Estado. Muito menos a Justiça de Carazinho que impetrou uma ação de interdito proibitório na Comarca, que abrange o município de Coqueiros do Sul, impedindo que os sem-terra entrem na cidade onde fica a Fazenda Guerra – destino final das três marchas.

No dia 16, data de fechamento desta edição, uma coluna com 600 pessoas estava em Passo Fundo; uma outra com 500 estava em Ibirubá; e a última com 600 estava em Palmeira das Missões. A expectativa é que as três marchas se unam no final do mês. No próximo dia 25, os sem-terra participam de audiência com ministros em Passo Fundo para garantir que a chegada da marcha em Coqueiros do Sul ocorra sem violência.

Desde o dia 11 de setembro, trabalhadores e trabalhadoras rurais partiram de três regiões gaúchas diferentes em direção à Fazenda Coqueiros, no município de Coqueiros do Sul, na região Norte. Eles reivindicam a desapropriação da área de pouco mais de 9 mil hectares por interesse social. No local, em que hoje trabalham até 20 pessoas, poderiam ser assentadas cerca de 460 famílias sem-terra.


Justiça

Nas últimas duas semanas de marcha, nas grandes cidades pelas quais as colunas da marcha passam, geralmente alguma suposta denúncia contra o MST é julgada pela Justiça. A decisão que provocou mais polêmica foi a da juíza Marlene Marlei de Souza, da 2ª Vara Cível de Carazinho, que proibiu a entrada de sem-terra e ruralistas na Comarca, que abrange o município de Coqueiros do Sul, onde fica a Fazenda Guerra.

Apesar do argumento de que a decisão visa evitar um confronto entre as duas partes, lideranças sem-terra enxergam a medida tomada para impedir o MST de chegar à Fazenda Coqueiros.

"É claro que a medida tomada pela juíza é para impedir que os sem-terra cheguem a Coqueiros do Sul. Afinal, é difícil identificar os ruralistas, diferentemente dos sem-terra, que possuem bandeiras e atuam organizadamente. Além disso, quem terá coragem de não deixar algum ruralista entrar na cidade?", indaga Cedenir de Oliveira, da direção estadual do MST.


Crianças

As crianças também são alvo da tentativa de atrapalhar a marcha. A juíza Jocelaine Teixeira, da 1ª Vara Cível de Cruz Alta, emitiu uma decisão em que proibia as crianças sem-terra de estarem na marcha. Depois, em uma reunião de conciliação com o MST, foi decidido que as crianças poderiam seguir até a cidade vizinha, Ibirubá, mas não poderiam sair do município em ção à Coqueiros do Sul.

A juíza considera que sair de Ibirubá e se aproximar da Fazenda Coqueiros representa perigo para os pequenos, o que é duramente criticado pelos sem-terra. "Os pais rechaçaram a proposta porque eles o pátrio poder, o direito de levarem seus filhos junto de si para onde quiserem. Além disso, essas denúncias de que as crianças são maltratadas no MST são falsas. Elas têm comida e roupa; também estudam durante a marcha, já que as escolas itinerantes acompanham as três colunas. O sofrimento delas se deve ao fato de não terem onde morar, porque o governo não faz a reforma agrária. O perigo da violência é gerada pelos ruralistas pela Brigada Militar, que agem com repressão contra o movimento", critica Irma Ostroski, da direção estadual do MST.


Passo Fundo

Em Passo Fundo, na região do Planalto, uma entidade de classe entrou no Ministério Público com requerimento para que o MST deixasse a cidade, alegando possibilidade de conflito na região. Em resposta, cerca de 30 organizações, sindicatos, entidades, movimentos sociais e advogados estiveram com os Ministérios Públicos Estadual e Federal na semana passada, reivindicando a permanência dos sem-terra.

Em nota, as entidades avaliam que "é direito do MST, como de qualquer organização social ou cidadão, poder ir, vir, permanecer ou sair de qualquer local, de se manifestar na sociedade e reivindicar por seus direitos".

Para Milton Viário, presidente da Federação dos Metalúrgicos do RS, a marcha do MST cumpre com o seu papel de movimento social. "A marcha do MST mostra à sociedade gaúcha que há pessoas que ainda acreditam em mudanças e em um desenvolvimento econômico e social sem ser baseado nas transnacionais ou no sistema do agronegócio", diz.


Retaliações

Por todo o caminho percorrido, os sem-terra receberam críticas e apoios. As críticas são geradas principalmente por ruralistas e os setores conservadores do interior, que encontram respaldo, muitas vezes, em prefeituras de direita e nas ações truculentas da Brigada Militar. A violência psicológica e a coação também são utilizadas para amedrontar os sem-terra e as comunidades interioranas.

"Um dia antes de chegarmos em São Sepé, perto de Santa Maria, fomos conversar com as direções das escolas públicas para confirmarmos as palestras que iríamos realizar com os jovens. A maioria dos diretores voltou atrás e negou o espaço que tinham confirmado anteriormente com o MST. E isso aconteceu em outros lugares. Mesmo que não exista uma decisão pública da Secretaria Estadual da Educação em não ceder espaço ao MST, é certo que coordenadores regionais ou políticos locais pressionaram os professores", relata Irma Ostroski.

No entanto, a população em geral, comunidades religiosas e sindicatos e entidades têm se mostrado apoiadoras da luta pela desapropriação da Fazenda Coqueiros. Em alguns casos, como o ocorrido em Júlio de Castilhos, na região central do Estado, a população discorda até mesmo do prefeito.

"Na semana passada chegamos em Júlio de Castilhos e o prefeito não quis ceder espaço para que as famílias montassem um acampamento na cidade. Fomos para as rádios do município denunciar a situação e uma comunidade da cidade nos cedeu o campo de futebol para que pudéssemos acampar", conta Márcio da Silva, integrante da marcha que saiu da região Sul. Doações de roupas e alimentos, assim como convites para palestras, também são comuns nas cidades em que as três colunas passam.
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A marcha do MST


Cerca de 1,7 mil integrantes do MST marcham desde o dia 11 de setembro no Rio Grande do Sul. Três grupos saíram das regiões Sul, Norte e Grande Porto Alegre em direção à Fazenda Coqueiros, no Norte do Estado. As famílias reivindicam a desapropriação da área por interesse social. A fazenda, que tem pouco mais de 9 mil hectares, ocupa 30% do município de Coqueiros do Sul e emprega 20 pessoas. As caminhadas das três colunas da marcha:

Região Metropolitana - a coluna com 600 pessoas partiu da cidade de Nova Santa Rita no dia 12 de setembro em direção a Porto Alegre, onde ocupou a Superintendência Regional do Incra. Depois, seguiu para Canoas, São Leopoldo, Campo Bom, Sapiranga e Caxias do Sul, na Serra Gaúcha. No caminho para Soledade, os sem-terra liberaram, por três horas, as cancelas do pedágio de Marques de Souza, o mais caro do RS. Seguiram ainda para Tio Hugo e Ernestina. No fechamento desta edição, as famílias estavam em Passo Fundo, município vizinho a Coqueiros do Sul.

Região Norte - cerca de 600 pessoas partiram de Bossoroca, na região das Missões, no dia 11 de setembro. As famílias já passaram por Santo Ângelo, São Borja, São Luiz Gonzaga, Condor e Ijuí. No fechamento desta edição, estavam em Palmeira das Missões.

Região Sul - 500 integrantes do MST fecharam, no dia 11 de setembro, a entrada do horto florestal da empresa Votorantim Celulose, em Capão do Leão, para protestar contra o avanço do setor da celulose na região. Depois, as famílias seguiram para Pelotas, Bagé, São Sepé, Santa Maria, Júlio de Castilhos, Cruz Alta e Ibirubá. No fechamento desta edição, estavam se encaminhando para Selbach. Essa coluna foi a que recebeu mais agressões por parte dos ruralistas.

(Leia mais na edição 242 do jornal Brasil de Fato)

Comentários - 7

Página 1

1 Franz Rzehak - 21-10-2007 - 04:51:09h

A salvação é o MST

A primori, todos os movimentos sociais tem que ser avaliadas propícios ao desenvolvimento humano! Eu acho maximo que existem os MST! Eles cairam do ceú mas são do chaõ! A nossa pérfida bourguesia é realmente inútil para tomar frente as questões mais importantes neste Pais, que é a distribuição de Terra! Aí eles reclamam, que tem os "Bahianos" na belissima poluída afogante São paulo, mas os mesmos brigam, por qualquer centimetro quadrado, por que eles , os arrogantes, não sabem plantar nada! Os MST estão sem recursos muito mais além do que a bourguesía imagina, no sentido do desenvolvimemto humano, e por tanto sente inveja! Deve ser o caso da pessoa de autoridade judicial envolvida!

2 SERCO ROBSO GIOTO - 26-10-2007 - 19:43:50h

BENDITO MST!!!

SOU TOTALMENTE A FAVOR DO MST, COMO DO MAB, MMC E DO MPA. PENSO QUE NOSSO GOV. LULA SÓ FEZ TRAVAR A TÃO NECESSÁRIA REFORMA AGRÁRIA. AINDA QUE EM OUTROS SETORES POPULARES ELE TEM TIDO UMA ATUAÇÃO MAIS FAVORÁVEL. E QUANTO MAIS ESPECIFICAMENTE AO MST, INFELIZMENTE, COMO É UM MOVIMENTO FEITO POR SERES HUMANOS, SUJEITOS A COISAS E REALIZAÇÕES MARAVILHOSAS, TAMBÉM TEM EM SEUS QUADROS UNS SUJEITOS (COMPANHEIROS) MAFIOSOS OU VENDIDOS, TALVEZ VIVENDO DAS BENESSES DOS DO PODER...! VIVA O MST RIOGRANDENSE! GAÚCHO!!! VIVA MINHA TERRA COQUEIROS DO SUL!!! VIVA MEU PARENTE ACÁCIO DE SOUZA!!!

3 SERCO ROBSO GIOTO - 26-10-2007 - 19:59:33h

VISÃO CRIMINOSA!!!

SOU CRISTÃO! MAS POR FAVOR, NÃO ME VENHAM COM CHURUMELAS!!! O CRISTÃO "NÃO PODE SER VIOLENTO"! MAS ESTE LATIFÚNDIO NACIONAL CONGREGA O QUE TEM DE MAIS ATRAZADO NESTE PAÍS! E MUITOS DOS SEUS QUADROS AINDA PROFESSAM O CRISTIANISMO! SE ESCONDEM ESTES MALDIDOS NA CAPA DE IGREJAS, SEJA CATÓLICA OU SUAS CONGÊNERES PROTESTANTES, EVANGÉLICAS, PENTECOSTAIS OU NEO-PENTECOSTAIS!!! NO ENTANTO É VIOLENTO! MUITO VIOLENTO! TALVEZ ATÉ POR IGNORÂNCIA!!! POR QUE UMA FAMÍLIA PRECISA DE TER CENTENAS E/OU MILHARES DE HECTARES DE TERRA, QUANDO TANTOS NÃO TEM ONDE CAIREM MORTOS?!? POR QUE QUE ALGUNS ACUMULAM TANTO E TANTOS NÃO TEM NADA?!? POR QUE PRODUZIR TANTO ALIMENTO PARA BOIS... ?!? POR QUE TANTO PASTO E BOI! POR QUE JUNTO VEM A DROGA DOS TRÂNSGÊNICOS?!? PARA MATAR A FOME DA HUMANIDADE?!? JÁ DISSERAM ISTO NA ÉPOCA DA "REVOLUÇÃO VERDE"! MAS A FOME SÓ FEZ AUMENTAR! NÃO ADIANTA PRODUZIR TANTO SE MUITO DA PRODUÇÃO FICA CONCENTRADO NAS MÃO DE POUCO! TUDO SEGUE A MESMA LÓGICA DO COMEÇO, NO MEIO E NO FIM!!! TENHO DITO! E TEM MAIS...

4 Mateus - 17-11-2009 - 10:51:00h

POR QUE TANTO PASTO
Como tu acha que uma cidade com milhões de habitantes sobrevive? Plantando nos telhados? De algum lugar precisa sair alimento. Seja EUA, Europa, Nordeste ou Sul. Se eles são produtivos, por que invadir, depredar e destruir? Se a fazenda planta, é por que alguém compra e por que alguém consequentemente COME!

Defendi com unhas e dentes o MST até alguns anos atrás porém este movimento tornou-se uma VERGONHA NACIONAL. Um movimento político armado que usa a bandeira social para promover saques, tumultos e badernas!

5 linedones - 02-02-2008 - 01:09:30h

sem terra

vc é afavor de vandalismo? de marginalidade? esses acampamentos são montados somente com marginais, vc já vio eles recrutando pessoas pelos jornais nas cidades que quem quizer pode unir-se a eles , oque eles fizran agora por ultimo na fazenda guerra não tem justificativa, prenderem os coitados q/ estao trabalhando honestamente naquele local,e roubaram tudo o que eles tinham ,isso a imprensa não mostrou! eles lutaram para comprar cada peça de roupas q/ eles levaram sem falar nos carros que estragaram tudo foi com o suor que conseguiram e nãao roubando como eles,vc gostaria que roubasem suas coisas? que conserteza vc trabalhou p/ adquiirir, talves vc faça parte desses marginaismas lembre-se querem lutar lutem mas não usen os funcionarios da fazenda , roubem dos ricos e não dos pobres

6 silvia - 02-02-2008 - 01:23:15h

A MARGINALIDADE QUE É O MST

PENSEM NAS PESSOAS QUE TRABALHAM NAS FAZENDAS, ESSES MARGINAIS NÃO LUTAM ELES ROUBAM DOS COITADOS QUE LÁ TRABALHAM, OS FUNCIONARIOS LUTAM PARA ADQUIRIR SUAS COISAS E ESSES MARGINAIS VÃO LÁ E ROUBAM, E AIDA SE FAZEM DE COITADINHOS, ALGUEM JÁ LEU NAS PAGINAS DE EMPREGO DOS JORNAIS DAS GRANDES CIDADES ELES RECRUTANDO PESSOAS PARA OS ACAMPAMENTOS,ISSO É UM ABSURDO "SE VC FOSSE UM FUNCIONARIO E OS SEM TERRA INVADISSEM E ROUBASEM TUDO O QUE É SEU E O DEIXASE SO COM A ROUPA DO CORPO COMO ELES FIZERAM NA ULTIMA INVASÃO NA FAZENDA GERRA VC AINDA APOIARIAS ELES. "ELES NÃO SÃO SEM TERRA E SIM MARGINAIS"

7 Jerri Moreira - 16-09-2008 - 14:13:58h

MST - Braço de Terrorismo Social

Acho engraçado que tantos defendam o MST, seus direitos e tal, mas não vejo ninguém defendendo os proprietários de terra que eles invadem, destróem prédios, queimam plantações, matam animais, e praticam esse terrorismo, sendo que na frente de suas marchas colocam os próprios filhos (baseando-se no seu pátrio poder) para que sejam os pobres coitados, como disse acima, que invadem porque não tem onde morar, mas se formos verificar o histórico, mais de 50% passou a saber o que é o campo, a partir do momento que entrou para o MST. Se quisessem produzir, estariam promovendo outros meios, ou recomprando as terras que a maioria dos assentados acaba vendendo (e recebendo verba do governo federal). Acho que eles como qualquer outro movimento tem o direito de se manifestar, mas não de impor suas idéias. A grande pergunta que faço é a seguinte, dizem que a policia e os ruralistas são brutos e tal, mas e eles quando fazem o que querem dentro de uma propriedade, EU NAO TENHO DIREITO DE DEFENDER A MINHA PROPRIEDADE ? Quem são eles para avaliarem que a minha propriedade por ser grande é objeto de desapropriação ? Eles são o GOVERNO ? o INCRA ? Afinal quem governa esse Pais ? os movimentos "ditos" sociais ? Qual o problema da fazenda ter apenas 20 hectares ? Se ela for produtiva e altamente mecanizada, não precisa de mais gente mesmo ? Já ouviram falar em agricultura de precisão ? TECNOLOGIA ? ou será que terei que plantar com canga de boi, para gerar sub-empregos ? é esse emprego que eles querem ????