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A revolta contra o deserto verde

by cleber last modified 2006-03-09 14:20

Militantes da Via Campesina, a maior parte mulheres, ocupam área da transnacional Aracruz Celulose na abertura dos protestos no Dia Internacional da Mulher


> Raquel Casiraghi,<br> de Porto Alegre

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Denunciar as conseqüências sociais e ambientais do avanço da invasão do deserto verde criado pelo monocultivo de eucaliptos. Esse foi o objetivo da ocupação de uma área da multinacional Aracruz Celulose realizada por integrantes da Via Campesina Internacional na madrugada do dia 8, em Barra do Ribeiro, no Rio Grande do Sul.

Cerca de duas mil camponesas permaneceram, durante uma hora, dentro da Fazenda Barba Negra, onde se concentra a principal unidade de produção de mudas de eucalipto e pínus da empresa. Após a ocupação, as camponesas participaram da marcha pelo Dia Internacional da Mulher, que saiu do acampamento da Via Campesina, no Parque Harmonia, e seguiu em direção à Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, onde ocorrem as atividades do Fórum Terra, Território e Dignidade. Quando entravam na PUC, as mulheres foram reprimidas com cacetetes e empurrões por policiais da Brigada Militar.

Apesar da violência, Loiva Rubeich, do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), que integra a Via Campesina, considera como positiva a ação realizada pelas agricultoras. "Ao longo da história, a gente sempre tentou desvirtuar o 08 de março como um dia de homenagem às mulheres e esse dia de mobilização, para nós, reafirma a luta das mulheres pelos seus direitos e compromisso com a luta da classe trabalhadora".

A ocupação das mulheres camponesas serve de alerta à população sobre a expansão das transnacionais de celulose em todo o Brasil. A Aracruz é a empresa que possui o maior deserto verde no país, contabilizando mais de 250 mil hectares plantados em terras próprias. Entre as empresas representantes do agronegócio, foi a que mais recebeu dinheiro público, arrecadando cerca de R$ 2 bilhões em apenas três anos. No entanto, a Aracruz gera apenas um emprego a cada 185 hectares plantados, enquanto a pequena propriedade gera um emprego por hectare. (Agência Notícias do Planalto)