As opções da esquerda
PSOL, PSTU e PCB investem na candidatura de Heloísa Helena; PT e o PCdoB apostam na reeleição de Lula e Consulta Popular prioriza as lutas sociais e a formação da militância
Luis Brasilino,
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da redação<em>
Convictos de que a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) representa uma falsa polarização, os partidos PSOL, PSTU e PCB criaram uma chapa unificada, a Frente de Esquerda, para apoiar a candidatura da senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) à presidência.
O PSOL foi formado após a direção nacional do PT expulsar quatro parlamentares
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Daqui para frente
Um dos dissidentes, o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), avalia que o PT já não representa mais um partido estratégico. Para ele, a candidatura de Heloísa Helena vem retomar um processo histórico de mudança, de transformação e afirmação do socialismo e de um programa democrático-popular contra o neoliberalismo. "Até para ter alguém que, de fato, combata o projeto da direita brasileira com o qual o PT se associou", diz Valente.
Seu companheiro de coligação e também candidato a uma vaga da Câmara Federal, Dirceu Travesso (PSTU-SP), explica que a falência do PT criou a necessidade de uma alternativa de esquerda. Porém, Travesso ressalta a importância da candidatura apresentar, no processo eleitoral, uma alternativa que possa também se expressar depois em mobilizações, ocupações de terra, greves, organização de movimentos populares e luta contra a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e projetos do imperialismo, entre outras bandeiras da esquerda social.
Como fazer
Empenhada em impedir que a conquista de cargos dentro do aparato estatal se consolide como o principal objetivo, a Frente de Esquerda prevê mecanismos para não ser cooptada pela institucionalidade burguesa - como entendem que aconteceu com o PT. Travesso, que é também do Movimento Nacional de Oposição Bancária, avisa não ter fórmula mágica para evitar que isso aconteça, mas dá pistas: "Controle da direção pela base, manter o centro na luta social, democracia interna, rodízio nos mandatos parlamentares e sindicais e discussão permanente de um programa de ruptura com o regime democrático burguês".
Para Travesso, a posição do Movimento Consulta Popular expressa um sentimento justo: a necessidade de priorizar a luta social e a ação direta contra os desvios de centrar tudo na luta institucional parlamentar, como fez o PT. "Considero essa posição muito progressiva, mas que erra ao não entender que essa batalha também pode ser dada utilizando o espaço da disputa eleitoral, levantando um programa, etc", coloca o militante do PSTU. Ele também identifica um problema oculto na posição da Consulta: "Eles estão envergonhados de anunciar apoio ao Lula", provoca.
Ivan Valente confessa admiração pela Consulta mas explica que a participação no processo institucional, combinada com a organização popular, é uma necessidade da sociedade de massas e também da correlação de forças atual. "Não participando do processo eleitoral, perde-se a oportunidade de dialogar com milhões de trabalhadores e um instrumento de politização. Só há prejuízo se passar a mensagem de que a transformação virá simplesmente do voto", completa Valente.