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As opções da esquerda

by cleber last modified 2006-07-26 19:20

PSOL, PSTU e PCB investem na candidatura de Heloísa Helena; PT e o PCdoB apostam na reeleição de Lula e Consulta Popular prioriza as lutas sociais e a formação da militância

PSOL, PSTU e PCB investem na candidatura de Heloísa Helena; PT e o PCdoB apostam na reeleição de Lula e Consulta Popular prioriza as lutas sociais e a formação da militância

Luis Brasilino,
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Convictos de que a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) representa uma falsa polarização, os partidos PSOL, PSTU e PCB criaram uma chapa unificada, a Frente de Esquerda, para apoiar a candidatura da senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) à presidência.

O PSOL foi formado após a direção nacional do PT expulsar quatro parlamentares

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que votaram, em 2003, contra a reforma da Previdência - quando uma emenda constitucional se tornou uma das primeiras atitudes neoliberais do governo Lula, criando um teto para as contribuições previdenciárias e, assim, estimulando os fundos de pensão privados. Outros quadros se somaram ao núcleo inicial, após o fim das eleições internas petistas, em setembro de 2005, movidos pelo desgaste causado por ações como a manutenção da política econômica sustentada pelo tripé neoliberal: juros altos, para frear o crescimento da economia e dessa forma combater a inflação; elevado superávit primário, de modo a possibilitar que a União honrasse seus compromissos com o mercado financeiro; e foco nas exportações para gerar divisas.

Daqui para frente

Um dos dissidentes, o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), avalia que o PT já não representa mais um partido estratégico. Para ele, a candidatura de Heloísa Helena vem retomar um processo histórico de mudança, de transformação e afirmação do socialismo e de um programa democrático-popular contra o neoliberalismo. "Até para ter alguém que, de fato, combata o projeto da direita brasileira com o qual o PT se associou", diz Valente.

Seu companheiro de coligação e também candidato a uma vaga da Câmara Federal, Dirceu Travesso (PSTU-SP), explica que a falência do PT criou a necessidade de uma alternativa de esquerda. Porém, Travesso ressalta a importância da candidatura apresentar, no processo eleitoral, uma alternativa que possa também se expressar depois em mobilizações, ocupações de terra, greves, organização de movimentos populares e luta contra a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e projetos do imperialismo, entre outras bandeiras da esquerda social.

Como fazer

Empenhada em impedir que a conquista de cargos dentro do aparato estatal se consolide como o principal objetivo, a Frente de Esquerda prevê mecanismos para não ser cooptada pela institucionalidade burguesa - como entendem que aconteceu com o PT. Travesso, que é também do Movimento Nacional de Oposição Bancária, avisa não ter fórmula mágica para evitar que isso aconteça, mas dá pistas: "Controle da direção pela base, manter o centro na luta social, democracia interna, rodízio nos mandatos parlamentares e sindicais e discussão permanente de um programa de ruptura com o regime democrático burguês".

Para Travesso, a posição do Movimento Consulta Popular expressa um sentimento justo: a necessidade de priorizar a luta social e a ação direta contra os desvios de centrar tudo na luta institucional parlamentar, como fez o PT. "Considero essa posição muito progressiva, mas que erra ao não entender que essa batalha também pode ser dada utilizando o espaço da disputa eleitoral, levantando um programa, etc", coloca o militante do PSTU. Ele também identifica um problema oculto na posição da Consulta: "Eles estão envergonhados de anunciar apoio ao Lula", provoca.

Ivan Valente confessa admiração pela Consulta mas explica que a participação no processo institucional, combinada com a organização popular, é uma necessidade da sociedade de massas e também da correlação de forças atual. "Não participando do processo eleitoral, perde-se a oportunidade de dialogar com milhões de trabalhadores e um instrumento de politização. Só há prejuízo se passar a mensagem de que a transformação virá simplesmente do voto", completa Valente.


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