Alternativa à institucionalidade
Consulta Popular não se pautará pelo voto, investe na construção de uma força social para as lutas e denuncia os limites da democracia representativa
Luís Brasilino,
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da Redação<em>
O Movimento Consulta Popular (MCP) aprovou, em Plenária Nacional, realizada em junho, a decisão de não se pautar pela definição do voto nas eleições deste ano. Isso significa não apoiar nenhum candidato, tampouco o voto nulo. O advogado Ricardo Gebrim, da coordenação nacional do MCP, avalia que a esquerda brasileira enfrenta um esgotamento político da estratégia centrada na luta eleitoral. "Durante muitos anos a eleição de Lula à presidência foi o elemento unificador da maioria da esquerda. Com a vitória em 2002, essa meta revelou sua impotência e isso marca não só o esgotamento de um ciclo hegemonizado pelo PT, mas o início do ciclo centrado na luta eleitoral como um todo", indica Gebrim.
Sendo assim, a Consulta não irá se pautar pelo voto. Mesmo reconhecendo que as eleições ainda cumprem um papel importante, o advogado explica que o objetivo é evoluir na construção de uma força social para as lutas e aproveitar a questão eleitoral para denunciar os limites da democracia representativa. Para o MCP, esse modelo não abre espaço para que um projeto popular se viabilize.
Estratégias
Apesar de reconhecer que existem candidaturas melhores e piores, Gebrim analisa que escolher uma delas, ou optar pelo voto nulo, se insere na lógica de atribuir à questão eleitoral um papel que ela já não tem. "Declarar apoio a Lula significa validar um processo que não aponta perspectivas de transformação. Reconhecemos que muita gente valorosa da esquerda acredita nesse caminho para impedir um retrocesso na política nacional. Respeitamos aqueles que acreditam que é possível reunificar a esquerda na construção de uma frente eleitoral na candidatura Heloísa Helena. E respeitamos também os que acham que o voto nulo representa um protesto político. Mas, na nossa opinião, a esquerda brasileira não vai se reunificar em torno da definição eleitoral e sim em torno das lutas, em torno da definição de um plano comum e pode até se reunificar em torno da construção de um programa mínimo", prevê o coordenador da Consulta.
Segundo Gebrim, a isenção em relação à disputa eleitoral libera o movimento para construir as assembléias populares, empenhar-se na construção de uma campanha pela reestatização da Companhia Vale do Rio Doce, lutar por tarifas elétricas populares e se inserir na reforma agrária.