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Direito à terra: MST inaugura assentamento em Cajamar

by cleber last modified 2006-08-18 17:00

Ana Maria Straube,
> de S&atilde;o Paulo (SP)<em>

Há quatro anos, 40 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) lutam pela desapropriação de uma área de 120 hectares na região de Cajamar, município de São Paulo. O plano inicial do governo do Estado era transformar a área, que pertence à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), em depósito de lixo. Após tentativas de negociação com o governo, o MST decidiu declarar a área um assentamento da reforma agrária.

Assim, foi inaugurado, no dia 12, o Assentamento Comuna da Terra Irmã Alberta. A divisão dos lotes já começou a ser feita. Cada família deve receber 1,5 hectare, sendo que meio hectare será destinado à construção das casas e à produção familiar (pequenas criações). O restante (1 hectare) vai para a área de produção coletiva, caracterizando o modelo chamado de comuna da terra. A sobra dessa divisão será destinada a preservação ambiental e reflorestamento. O cultivo de produtos hortifrutigranjeiros será feito de forma orgânica e agroecológica. Enquanto aguardam a legalização da área, prometida em diversas audiências entre o MST, o governo do Estado e a Justiça de São Paulo, as famílias já iniciaram a produção coletiva de alimentos e mantêm uma horta em formato de Mandala (círculo), para economizar água.

Festa

Para comemorar, as famílias fizeram uma grande festa quen começou com o plantio de mudas na área comum do assentamento. Depois a confraternização foi feita em meia a barracas de comidas e produtos da reforma agrária. Também houve apresentações culturais, com os grupos de teatro Calango e Arlequins, declamação de poesia, música latina, samba-rock e hip hop.

À tarde, um ato ecumênico contou com as presenças de dom Tomás Balduíno, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), da pastora Heidi, representante da igreja Confissão Luterana, de dom Simão, arcebispo de São Paulo, de Dom José Maria, bispo de Bragança Paulista, do padre Paulo Suez, do Conselho Indigenista Missionário Nacional (Cimi), além de representantes de várias outras congregações religiosas. A grande homenageada do dia, Irmã Alberta (CPT), religiosa italiana que dá nome ao acampamento, pediu uma benção para aqueles que lutam pela terra. Em seguida, um ato político reuniu diversos parlamentares próximos ao MST.