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A hora de pressionar Lula

by jpereira — last modified 2006-11-02 03:22

Movimentos sociais querem pressionar o governo - sem fazer o jogo da oposição - para que o presidente Lula se paute pelos interesses do povo

Igor Ojeda
> da Reda&ccedil;&atilde;o<em>

No seu discurso da vitória, no domingo, o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva afirmou mais de uma vez: no segundo mandato, o Brasil vai crescer mais e distribuir mais renda. "Tenho consciência de que nós demos apenas um primeiro passo. Eu, durante a campanha citava muito o exemplo de que nós tínhamos construído um alicerce (...) Não tenho dúvidas, sobretudo, de que o Brasil irá atingir um padrão de desenvolvimento que o colocará entre os países desenvolvidos do mundo", disse.

Mas como garantir que o governo Lula, a partir de 2007, de fato caminhe mais para uma gestão mais progressista? Para Nalu Faria, da Marcha Mundial de Mulheres, entidade integrante da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), Lula vai ser mais exigido neste segundo mandato, tanto pela população quanto pelos movimentos.

Na opinião dela, nos primeiros quatro anos, pensava-se que o país vivia um momento complicado, e que o novo presidente ainda tinha o que aprender. Agora, a expectativa pode se transformar em cobranças e mobilizações. "Nas discussões na CMS e nas Assembléias Populares, começamos a trabalhar com aquela idéia de atuar mais em cima de um documento, de um projeto para o Brasil. Isso significa mais acúmulo e consciência em torno de possíveis cobranças", diz.

No discurso, Lula convocou os movimentos a cobrarem: "Estão aqui meus companheiros sindicalistas, e eu quero dizer para vocês: reivindiquem tudo que vocês precisarem reivindicar, nós daremos apenas aquilo que responsabilidade permite que a gente dê. Reivindiquem!"

Ainda segundo Nalu, no segundo período do governo Lula, haverá mais ataque da direita, o que coloca os movimentos na difícil situação de ao mesmo tempo cobrar e não fazer o jogo da oposição. "A única forma de sair disso é o Lula radicalizando, tomando partido do povo e das mudanças que o povo quer, porque aí a mobilização popular será para garantir que determinadas políticas realmente se consolidem", afirma. Nalu acredita que nesse sentido pode haver mais embate no segundo mandato. Para ela, a conjuntura mais favorável à esquerda na América Latina " tende a contribuir para empurrar o governo brasileiro para que ele assuma compromissos mais coletivos".

Segundo Gustavo Petta, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), a pressão dos movimentos sociais deverá ser importante para se contrapor às pressões por um mandato mais moderado. Para ele, a principal reivindicação será desenvolvimento com distribuição de renda: "queremos que o governo enfrente a ditadura do mercado financeiro", disse, em entrevista à Agência Brasil.

No entanto, na opinião de Isidoro Revers, assessor da Comissão Pastoral da Terra (CPT) - que também falou à Agência Brasil - , a reeleição de Lula pode ser prejudicial ao povo, por sua proposta de realizar o diálogo entre as classes sociais. "A política de conciliação sempre será favorável a quem tem mais poder econômico e político. Quando, em um processo de conciliação, a elite brasileira vai aceitar ter menos ganho, que ela perca os lucros obtidos através dos juros, por exemplo?", disse. Para ele, esse tipo de postura do presidente fará com que os mais pobres deixem de lutar por mudanças estruturais.

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