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Política de colonização do Estado brasileiro foi equivocada, concordam entidades

by jpereira — last modified 2008-08-07 13:20

Índios, produtores e autoridades apontam que o conflito existente em relação a demarcação das terras dos índios Guarani-Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, é resultado da política de colonização implantada pelo Estado brasileiro


04/08/2008


Da Redação


A confusão a respeito da demarcação das terras dos índios da etnia Guarani-Kaiowá, localizada no Mato Grosso do Sul, continua. Os ruralistas do estado seguem mobilizados para impedir o trabalho da Fundação Nacional do Índio (Funai). Os técnicos do órgão devem percorrer 26 municípios do sul do Estado e colher informações para a elaboração de um relatório para demarcação das terras. Os trabalhos começam no próximo domingo (10).


Em meio ao debate sobre o início das demarcações índios, produtores e autoridades dividem a mesma opinião em dois pontos: primeiro, de que a questão fundiária sul-mato-grossense é delicada; o segundo, de que o problema foi criado pelo Estado brasileiro. Tanto a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famasul) quanto entidades representantes dos índios na região, como é o caso do Conselho Distrital de Saúde Indígena, concordam que o conflito existente é devido à política de colonização implantada.


Na primeira metade do século 20, o Estado estimulou a ocupação de terras, que já eram habitadas pelos índios. A medida foi adotada para tentar solucionar os conflitos relacionados à questão agrária que existiam em outras regiões, principalmente no Sul do país. Os índios foram então confinados em territórios menores.


Segundo o Conselho Indígena, na época foram demarcadas reservas de 3.5 mil hectares, onde habitavam cerca de 650 índios em cada. Hoje, essas terras têm até 12 mil índios. A falta de terras para os indígenas está ocasionando problemas, como suicídio, desnutrição, alcoolismo e mortes violentas entre eles.


No entanto, os ruralistas da região alegam que a demarcação é “absurda” e pode prejudicar o setor produtivo do Estado. Eles defendem que as terras que hoje ocupam foram compradas ou herdadas pelos seus pais de parentes que receberam a posse dos territórios do governo do estado.


Denúncia

Técnicos responsáveis por identificar terras indígenas no sul do Mato Grosso do Sul para a demarcação da área denunciaram que foram perseguidos em uma estrada na região por um automóvel ocupado por dois homens que os fotografavam. No último domingo (3), dois antropólogos e um motorista da Fundação Nacional do Índio (Funai) registraram o boletim de ocorrência na delegacia de polícia de Tacuru, a 422 quilômetros de Campo Grande.


Eles disseram à polícia que foram socorridos por agentes do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) após pedirem auxílio em um posto de combustível na entrada de Tacuru. A cidade fica próxima à divisa com o Paraguai.


Os agentes do DOF, então, perseguiram o carro e detiveram os dois ocupantes. Com eles, foram apreendidos dois telefones celulares e uma máquina fotográfica digital. A delegacia de Tacuru repassou o caso à Polícia Federal em Naviraí (MS). (Com informações da Radioagência NP e Agencia Brasil).