Representação é bastante frágil
Pouco mais de 5 mil jornalistas participaram das últimas eleições da Fenaj
02/07/2009
da Redação
Mesmo sem o fim do diploma, a tabela de pisos salariais que consta na página da Fenaj na internet reflete, em parte, a desorganização e a precariedade da categoria. Na relação, constata-se que os estados do Amapá, Amazonas, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco e Roraima não têm um piso salarial normativo.
Em outros estados, há um piso apenas para algumas cidades, como é o caso do Rio de Janeiro. Enquanto há valores definidos para os municípios do interior, a capital fluminense, que concentra um grande número de jornalistas e de empresas de comunicação no Brasil, não apresenta um valor definido.
Em relação ao valor dos pisos, existem diferenças significativas entre os valores pagos. Enquanto o piso beira R$ 2 mil em estados como Paraná (R$ 1.961,81) e Alagoas (R$ 1.945,47), o valor vai caindo quando passamos ao Rio Grande do Sul, onde fica em R$ 1.314,00 para jornalistas da capital e R$ 1.087,73 para profissionais do interior, chegando aos R$ 1 mil pagos para jornalistas de Teresina (PI). Sergipe, porém, ocupa a pior posição: no estado, o piso para todos os jornalistas é de R$ 880,00.
As discrepâncias também podem ser vistas dentro de um mesmo estado. Em São Paulo, a função de assessoria de imprensa tem piso estimado em R$ 1.968,50, o valor mais alto pago aos jornalistas. Profissionais que trabalham em rádio e televisão no interior, porém, têm piso de apenas R$ 861,85.
A questão dos valores pagos suscita, ainda, outras dificuldades aos trabalhadores, como é o caso do Pará. No estado, o piso da categoria está estimado em R$ 1.416,68. Entretanto, o Sindicato dos Jornalistas acusa as empresas de utilizarem o piso como teto salarial, e não mais como referência, o que impede que os profissionais recebam além desse valor.
A resposta para os baixos salários está na fragilidade da representação dos sindicatos e federação dos jornalistas. Apesar de calcular em torno de 80 mil profissionais em todo país, a última eleição para direção da Fenaj contou com os votos de apenas 5.077 jornalistas, o representa um quorum de 34,32% dos associados aptos a votar.
“Então, a relação diploma precarização da profissão e diploma piso salarial não me parece correta. Inclusive porque é parte do fato de o sindicato dos jornalistas, como todos os sindicatos em geral, terem um peso mínimo de barganha. Por exemplo, a diretoria desta Fenaj foi eleita com um total de cerca de 3000 votos.” critica Wladymir Ungaretti, professor da UFRGS. (PB)