Fatos em foco
Hamilton Octavio de Souza
Quem manda
Apesar de ter recuado nas demissões, temporariamente, a própria Volkswagen do Brasil divulgou nota para informar que a matriz da empresa, na Alemanha, deu prazo até novembro para que a filial faça o corte de 3.600 funcionários. O fato apenas confirma que o capital estrangeiro investido no Brasil não tem o menor compromisso com o povo brasileiro. Soberania nacional é a indústria fazer o que é melhor para o Brasil.
Comunicação furada
O programa de governo anunciado pelo candidato Lula, do PT, não passa de um amontoado de intenções genéricas, cuidadosamente preparado para evitar conflitos e cobranças. Apesar de falar em democratização da comunicação, o programa não avança nas propostas concretas para acabar com os oligopólios no rádio e na TV. O medo da mídia burguesa é maior que a demagogia.
Concentração midiática
Nada tem impedido a contínua concentração – ilegal e inconstitucional – dos meios de comunicação no Brasil: as cinco maiores redes de TV controlam 438 emissoras regionais. São 116 da Globo, 105 do SBT, 100 da Record, 77 da Band e 40 da Rede TV!. Os canais comunitários, educativos e universitários, que deveriam oferecer uma programação mais democrática, estão abandonados pelo poder público.
Bebedeira eleitoral
Igualados nos programas e nas práticas políticas, partidos e candidatos fornecem uma curiosa ciranda na atual campanha eleitoral: em São Paulo, Quércia (PMDB) e Maluf (PP), que sempre foram adversários, agora estão coligados; ambos, que sempre foram combatidos pelo PT, agora apóiam Lula presidente. Igualmente em Minas, Newton Cardoso; em Pernambuco, Inocêncio Oliveira; em Alagoas, Collor de Mello e assim por diante...
Carta marcada
Setores da burguesia que querem manter Lula refém no próximo quatriênio guardam na gaveta a proposta de impeachment baseada em um empréstimo – ou doação – da Telemar para a empresa do filho do presidente da República. Nem que o milagre produza o renascimento do compromisso do PT com a transformação social – o que parece inviável –, vai mudar a natureza conservadora do futuro governo.
Visão futura
Numa eleição sem disputa de projetos, praticamente decidida e com o nivelamento dos discursos e práticas políticas, todas as alternativas independentes, rebeldes e radicais são mais conseqüentes para a construção de outro Brasil do que a mesmice de sempre, o medo da ousadia e o voto pragmático no menos pior. Quem estará mais receptivo e propenso para construir o novo do que eleitor da ruptura-já?
Maré baixa
Exímio puxa-saco e chantagista de todos os governos brasileiros desde a década de 1950, o político baiano Antonio Carlos Magalhães, vulgo Toninho Malvadeza, cacique do PFL, anda em fase de descontrole autoritário. Acostumado a ser bajulado pela mídia, ACM perdeu espaço para Lula na TV Globo e agora tem enviado cartas grosseiras a articulistas de jornais que o criticam. O “coronelismo” também sofre!
Jagunço ataca
A CNBB manifestou total solidariedade ao bispo de Ji-Paraná, no Estado de Rondônia, Dom Antonio Possamai, que está sendo ameaçado de morte pelo próprio governador Ivo Cassol. Tudo porque uma comissão ecumênica distribuiu um cartaz com nomes e fotos de 23 políticos acusados pelo Superior Tribunal de Justiça de crimes de corrupção, inclusive o governador. A ameaça mostra que o Brasil arcaico continua vivo!















