A estratégia da dominação
Chefes dos comandos militares movem-se livremente pela região pela qual é responsável, promovendo, entre outras coisas, acordos de cooperação e treinamento
Igor Ojeda
da Redação
Dividir o mundo em comandos é, segundo a socióloga e especialista em militarização Ana Esther Ceceña, uma medida prática de organização interna das atividades e sub-estratégias das Forças Armadas estadunidenses. Dependendo da região, isso significa uma intromissão maior ou menor, de acordo com a capacidade de pressão dos EUA sobre os países implicados, suas vulnerabilidades ou as cumplicidades que estes possam estabelecer com o governo estadunidense.
“O comando qualifica a si mesmo como garantia da ‘democracia e segurança’ da região (sob sua jurisdição), mas, obviamente, suas possibilidades reais de ação na Europa são menores que na Ásia Central, na América Latina ou na África”, explica.
Atualmente, existem cinco comandos: Central, Europeu, Pacífico, Norte e Sul (responsável pela América Central, América do Sul e Caribe). O Comando da África (Africom) será o sexto. Tais unidades possuem ligações diretas com o secretário de defesa (hoje, Robert Gates) e o presidente dos EUA. “Geralmente, os chefes de cada um desses comandos movem-se livremente pela região a seu cargo, estabelecem escritórios em alguns casos, encarregam-se do cuidado das bases militares que existem na área, promovem acordos de cooperação, treinamento etc.”, esclarece Ana Esther. Tais oficiais lideram, ainda, os exercícios de diferentes tipos que se executam na região, como militares ou de ajuda humanitária, em parceria ou não com países sob sua jurisdição.
Além disso, de acordo com a socióloga mexicana, cada comando tem como responsabilidade o estabelecimento e a gestão do sistema de bases de diferentes caracteres, o trabalho com exércitos locais para a determinação de normas gerais de comportamento “e, sobretudo, de cumplicidades que os comprometam com as políticas dos EUA”.















