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EUA operam na Tríplice Fronteira

by peruano last modified 2007-08-21 23:10

CONE SUL Departamento do Estado divulga relatório sobre operações de uma Força- Tarefa sediada na Argentina

CONE SUL
Departamento
do Estado divulga
relatório sobre
operações de
uma Força-
Tarefa sediada na
Argentina


Stella Calloni
de Buenos Aires (Argentina)


UM RELATÓRIO da Estratégia Internacional de Controle de Narcóticos dos Estados Unidos, concluído em março, estabelece que na zona argentina da Tríplice Fronteira opera a chamada Força-Tarefa (Task Force) Fronteira Norte financiada e “assistida” pelo governo de George W. Bush.
O documento, divulgado pelo Escritório Internacional de Narcóticos e Aplicação da Lei, do Departamento de Estado dos Estados Unidos, foi publicado por uma investigação de Fernando Oz, no jornal El Territori, da Província (Estado) de Missões que, em diversas oportunidades, denunciou o espinhoso tema da Tríplice Fronteira, uma zona estratégica que figura desde os anos de 1990 no esquema de ocupação militar por parte dos Estados Unidos.
O lugar é também estratégico pela existência em um vasto subsolo do Aqüífero Guarani, uma enorme reserva natural de água potável, um recurso cada vez mais visado pelos países poderosos. A Tríplice Fronteira compreende as cidades de Foz do Iguaçu (BRA), Puerto Iguazú (ARG) e Cidade del Este (PAR), respectivamente.
O dado chamativo é que a Força-Tarefa Fronteira Norte opera no país desde janeiro de 2006, com instalações militares na fronteira argentinoboliviana e sede na Argentina, segundo a investigação. “Neste ano, a denominada Força- Tarefa Fronteira Norte iniciará uma guerra contra o narcotráfico nas províncias de Missões e Formosa. Mas não se combaterá apenas o tráfico de drogas, o contrabando e o financiamento de grupos terroristas serão outros dos inimgos”, assinala.

Acusações
A avaliação sobre a Argentina merece oito páginas. O território do país é caracterizado como de “trânsito para a cocaína proveniente da Bolívia, Peru e Colômbia até os Estados Unidos”. Surpreende nesse informe que se fale da Argentina como um país onde há “aumento na quantidade de pequenos laboratórios que convertem a pasta base de cocaína em cloridrato (pó)”, algo que poucas vezes se disse sobre este país.
“Argentina não é um dos principais países produtores de drogas, mas dadas suas instalações, estão sendo montadas aqui as organizações do tráfico”, registra o informe estadunidense. Segundo o documento, os traficantes podem controlar melhor a pureza do produto final, a disponibilidade de componentes químicos e enfrentam menores riscos de embarcar a mercadoria.

Interesse na aviação
O relatório também fala da “preocupação” dos Estados Unidos por “vôos ilegais na fronteira norte do país”, ante o qual existe um plano desenhado por Washington para “controlar o espaço aéreo das permeáveis zonas fronteiriças” e o “transporte aéreo comercial”.
Recentemente, organismos humanitários com base em investigações próprias e de grupos independentes denunciaram vôos ilegais, mas de aviões estadunidenses nessa sub-região. O relatório diz também que os Estados Unidos estão fazendo gestões com o governo local – com sucesso, diz o texto – para melhorar o sistema de radares e para implementar “uma legislação mais dura contra a lavagem de dinheiro e o financiamento de ações contra o terrorismo”.
O documento traz dados e números sobre as operações realizadas “de janeiro a setembro de 2006” pela Força- Tarefa, assistida pelo governo estadunidense, mas nesse caso na fronteira argentina com a Bolívia em suposta coordenação com organismos fiscalizadores locais.
O longo relatório enfatiza que os países da Tríplice Fronteira não podia deixar de fora o tema do “terrorismo islâmico” – os Estados Unidos dizem existir células da Al Qaeda na região. Agora, Washington faz esforços para juntar nesse mesmo pacote forças e movimentos de esquerda.
O texto menciona que, em 6 de dezembro de 2006, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos detectou “nove indivíduos e duas organizações na área da Tríplice Fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai que apoiaram com recursos financeiros e logística o Hezbollah”, com negócios na Cidade del Este. Os governos argentino e brasileiro negam as informações.
Organizações de direitos humanos estudam fazer um pedido de investigação sobre essas operações e abarcando inclusive os governos que compartilham a estratégia para a Tríplice Fronteira. As entidades recordam que os Estados Unidos e seus sócios mais próximos tratam de localizar a zona como uma espécie de centro e refúgio do chamado “terrorismo islâmico” nunca comprováveis. (La Jornada – www.jornada.unam.mx)


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